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Erasmus para jovens empreendedores

05/01/10, 01:22
Almerinda Romeira

O programa foi lançado pela Comissão Europeia há 10 meses e visa incentivar o empreendedorismo, a competitividade e a internacionalização das PME através da transferência de conhecimento entre empreendedores novos e experientes.
Os Jovens Empreendedores Europeus têm, à semelhança do que existe para estudantes, um programa de intercâmbio, denominado Erasmus para Jovens Empreendedores. O programa interessa especialmente a universidades, incubadoras, associações empresariais, tendo em conta a relação de proximidade entre estas instituições e os destinatários finais: novos empreendedores e empreendedores experientes.

O programa, lançado pela Comissão Europeia em Fevereiro de 2009, destina-se a incentivar, por um lado, "o empreendedorismo e a competitividade" e, por outro, a "internacionalização e o crescimento das novas e velhas PME´s através da transferência do conhecimento" entre "empreendedores experientes" e "novos empreendedores".

Os jovens empreendedores europeus podem, assim, passar até um máximo de seis meses a trabalhar conjuntamente com um empreendedor experiente de outro país da União Europeia e aproveitar para aprender como melhorar a gestão e o crescimento do seu próprio negócio.

Marisa Silva, 21 anos, residente em Viana do Castelo, foi uma das primeiros jovens portugueses a aproveitar esta experiência de mobilidade. Em Barcelona, Espanha, a jovem que frequenta a licenciatura em Contabilidade pelo Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA) teve a oportunidade de colaborar no estúdio de arquitectura de Xavier Vilalta.

"O meu interesse foi analisar o estúdio do ponto de vista empresarial", refere, acrescentando que aí desenvolveu as suas capacidades nas áeras de marketing e gestão.
Além disso, adianta, praticou o castelhano e o inglês. "Penso sinceramente que esta estadia poderá ser- me útil mais tarde do ponto de vista profissional. Fiquei extremamente motivada para vir a integrar o mundo dos negócios, do empreendedorismo e da inovação", salienta.

Marisa Silva soube do Erasmus para Jovens Empreendedores através de um e-mail enviado pelo Gabinete de Comunicação e Imagem do IPCA que frequenta em Barcelos. Informou-se com a Inova+, organização intermediária que seleccionou para a "apoiar e esclarecer as dúvidas que tinha em relação ao projecto, e a auxiliar em todo o processo".

Nuno Soares, Director da Unidade de Transferência de tecnologia da Inova+, uma das quatro organizações intermediárias que representam e gerem o programa a nível nacional, disse ao OJE que existe um interesse razoável da comunidade empreendedora, adiantando: "O programa supõe uma grande oportunidade, quer em termos de visibilidade junto de novos empreendedores e PME, quer ao nível da customização e criação de novos serviços de apoio ao empreendedorismo em função das necessidades detectadas, tanto a nível nacional como europeu".

Nuno Soares refere que o feedback ao longo destes dez meses que o programa já leva tem sido muito positivo por parte dos participantes. Os novos empreendedores realçam, sobretudo, "o entusiasmo em desenvolver as capacidades necessárias para construírem e gerirem um novo negócio" e os empreendedores de acolhimento salientam as suas "esperanças para futura cooperação com os países de origem dos empreendedores recebidos, assim como a influência positiva e a nova perspectiva do seu negócio influenciada pelo empreendedor acolhido".

Segundo a Comissão Europeia, o número total de aplicações ao Programa é de 1200 candidatos, existindo mais participações por parte dos novos empreendedores do que empreendedores de acolhimento. Os novos representam 70% e os de acolhimento 30%. Portugal apresenta-se com uma participação de 3% de novos empreendedores e de 5% de empreendedores de acolhimento. No programa participam 23 dos 27 estados membros.

Paulino Silva, da PSZ Consulting da Maia, empresa de consultadoria e gestão, aderiu a esta experiência de mobilidade, acolhendo a empreendedora espanhola Salomé Martinez, que tem desenvolvido a sua carreira profissional como freelancer, especificamente como advogada, focando a sua actividade empreendedora na área de apoio a PMEs na gestão de créditos.

"Constatamos que as empresas nacionais estão abertas a novas perspectivas e contributos trazidos por empreendedores estrangeiros, sendo esta uma das principais motivações no acolhimento de novos empreendedores. Adicionalmente, verifica-se um grande interesse das empresas na componente internacional, sobretudo os contactos que possam posicionar a empresa em novos mercados", conclui acrescenta Nuno Soares.  

O programa é financiado pela Comissão Europeia através de uma bolsa mensal. A bolsa é definida de acordo com o país de destino, tendo em consideração o nível de vida. Por exemplo, a bolsa para Espanha é 830 euros e de  1000 euros para o Reino Unido.

A Publicidade, Promoção e Média é o sector mais requisitado, com 15% dos intercâmbios, seguido da Educação e Formação com 10%, destacando-se ainda com 9% as áreas de Organização e Gestão, Jurídica, Fiscal, Arquitectura e Construção.
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