“Gerir o talento é ser o artesão da sua equipa” ![]() 31/01/12, 00:20 Só conhecendo os
talentos das "suas" pessoas é que as empresas conseguirão atingir o potencial máximo num
mercado altamente rápido e competitivo, defende Maria de Fátima Carioca,
professora de Comportamento Humano na Organização e Ética e responsável pelo
prémio AESE-Deloitte "Empresa Mais Familiarmente Responsável".
O crescimento das empresas e a sua competitividade
dependem fortemente das pessoas que delas fazem parte. E, em concreto, do
talento, ou talentos, que as suas pessoas aplicam, desenvolvem, potenciam no
dia a dia. O talento é, em última análise, o maior património e a melhor
garantia que as organizações têm para enfrentar e ultrapassar situações
turbulentas como, por exemplo, mudanças das condições do mercado. A forma como
as empresas semeiam, cultivam e cuidam do seu talento é determinante para o seu
fortalecimento mesmo em tempos de crise, ou melhor, especialmente em tempos de
crise.
Por princípio, as empresas devem procurar talentos que
sejam adequados à concretização da sua estratégia. As qualidades e os
comportamentos dos colaboradores devem viabilizar e acrescentar valor ao plano
estratégico que a empresa se empenha em realizar. Se em relação a determinadas
qualidades, normalmente ligadas ao caráter, este princípio é válido, já em
relação a outros talentos mais operativos poderá fazer sentido, nalgum momento,
equacionar talentos complementares, mesmo que disruptivos.
A atração de talento é um tema complexo, na medida em que
envolve as políticas corporativas relacionadas com os processos de admissão e
dispensa, passando pela remuneração, formação, desenvolvimento e progressão
profissional, benefícios sociais, flexibilidade e ambiente. Para além disso, é
muito importante, na atração de talento, a imagem reputacional da organização.
Os valores e a coerência entre as políticas e as práticas empresariais são
determinantes para a gestão dos talentos.
Como desenvolver e
fidelizar os talentos existentes numa organização?
A tradição na gestão das suas pessoas é um dos principais
argumentos para a fidelização dos talentos. Uma organização que acarinha e
potencia o desenvolvimento dos seus colaboradores, que se preocupa com o seu
equilíbrio nas várias dimensões da vida humana, que abre os horizontes das suas
pessoas colocando-as em contato com novas metodologias e outros profissionais
de qualidade, que dialoga, comunica e requer o seu empenho, compromisso e
participação ativa na definição e implementação da estratégia; que não cede a
políticas fáceis de despedimentos ou cortes indiscriminados, mas que equaciona,
com exigência, transparência e seriedade, a definição de objetivos,
racionalizando dos custos e os investimentos apropriados.
Gerir o talento de uma organização é ser o artesão da sua
equipa, da sua unidade e da sua organização. Só conhecendo os talentos das suas
pessoas - os que já demonstraram capacidades e os que não sonham que as têm, e
das quais a empresa necessita, é que as empresas conseguirão atingir o seu
potencial máximo num mercado altamente rápido e competitivo. Como coordenar os talentos para conseguir os melhores resultados operativos e estratégicos para as empresas?
A gestão de talento implica paixão pelo desenvolvimento
das pessoas e das suas competências, começando por dar sentido ao trabalho de
cada um. Cada pessoa na empresa tem um certo conhecimento do papel que
desempenha e a missão que é chamada a realizar. Esta conceção dá lugar a
atitudes que motivam o exercício de determinados talentos. Coordenar talentos
implica o risco de responsabilizar, dar autonomia e delegar. Consiste em atuar
nos saberes dos colaboradores através da formação e do treino, bem como na
atitude empreendedora, por via do feedback e acompanhamento próximo, gerando-se
um ciclo virtuoso e generoso de colocar o talento ao serviço da organização e
das pessoas que a constituem.
Em Portugal, existem competências, e são tantas quantas
as atividades que cada um pode realizar, isto é, infinitas. É por isso que cada
pessoa é especial. Há sempre algo que, provavelmente, ainda não descobrimos em
que essa pessoa é excecional, única. Daí que o auto-conhecimento, a autocrítica
e a abertura ao feedback sejam tão importantes para o desenvolvimento dos
profissionais.
Estimular o espírito de
desenvolvimento de talento, com trabalho, empenho, confiando em si mesmo
e nos outros, apaixonadamente, é o desafio dos responsáveis pela gestão de
talento nas empresas e nas organizações. PERFIL
Maria de Fátima Carioca é membro da direção e professora
da AESE na área de Fator Humano na Organização. Licenciada em Engenharia
Eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico em 1981, concluiu o mestrado em
Engenharia de Sistemas e Computadores em 1985 na mesma universidade. É mestre
em Matrimónio y Família pela Universidade de Navarra e membro do Comité de
Ética Empresarial. Na AESE, é ainda coordenadora do Prémio Empresa Mais
Familiarmente Responsável, em parceria com a Deloitte, e de outros projetos na
área da Gestão das Pessoas, Conciliação Família-Trabalho e Responsabilidade
Social. AESE debate hoje "Gestão do Talento"
Especialmente em épocas de crise, como a atual, é
necessário ter em atenção o talento: primeiro, porque é a melhor garantia para se sair de situações
complicadas; segundo, porque, ao sair da crise, serão as empresas que cultivaram
o seu talento as que estarão em melhores condições para competir. Mas não basta
ter pessoas com talento. É preciso colocar esse talento ao serviço dos
objetivos comuns. Como fazê-lo? Estes são alguns dos temas em debate hoje na
AESE - Escola de Direcção e Negócios, no âmbito do seminário "Gestão do
talento".
Neste seminário, será abordado como definir e atrair os
talentos exigidos pela organização, desenvolvê-los, fidelizá-los e coordená-los
para conseguir os melhores resultados operativos e estratégicos. O seminário,
que utiliza o método do caso e conferências-colóquio, destina-se a dirigentes
com responsabilidade na Gestão das Pessoas, quer sejam membros dos conselhos de
administração, quer diretores de Recursos Humanos, sendo ministrado por José
Ramón Pin (professor do IESE), Fátima Carioca (professora da AESE) e Antonio
Ortega Parra (escritor).
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