| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
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15/11/11, 00:10 OJE A banca e o sector financeiro em geral são, a par do retalho, os sectores que melhor remuneram em Portugal. A conclusão é do estudo salarial 2011 da Page Personnel, que aponta um aumento dos contratos a termo e um decréscimo nas remunerações anuais médias dos vários sectores, fruto da conjuntura económica. O marketing aproxima-se das remunerações auferidas no sector da banca e finanças, enquanto o secretariado continua a resistir muito bem à crise, com várias empresas a reforçarem as suas estruturas e a registarem inclusivamente um aumento nas remunerações dos profissionais desta área, conclui a Page Personnel.
Esta empresa do grupo Michael Page Portugal, especializada em recrutamento e selecção de posições intermédias e funções técnicas de suporte para projectos de carácter permanente e temporário, aponta, entre as principais conclusões do estudo, que os recém licenciados integram categorias júnior até terem, no mínimo, dois a três anos de experiência e que é nos sectores da banca e commercial & marketing que os juniores auferem salários mais elevados.
De acordo com o estudo de remunerações 2011, que mede o impacto salarial nas diferentes áreas de actividade onde a Page Personnel opera mediante a experiência adquirida pelos profissionais dos diversos sectores, "é possível verificar um decréscimo nas remunerações anuais médias dos vários sectores o que, em parte, reflecte a actual insegurança e conjuntura económica de Portugal".
Segundo o estudo, existem cada vez mais pessoas com formação superior a ingressar em sectores como, por exemplo, o do retalho, o que confirma as mais recentes estatísticas, que dão conta de haver mais licenciados a concorrerem a empregos que não necessitam de uma formação superior, o que é justificado por, "muitas vezes, existir uma omissão da formação por parte dos candidatos".
Entre as várias tendências identificadas neste estudo, que, além das remunerações, analisou também o perfil e a evolução de cada função nas várias áreas, juntamente com a formação dos candidatos, uma das mais importantes está relacionada com o aumento dos contratos a termo.
Remunerações
De acordo com o estudo, no sector da banca e finanças, em média, um candidato com o perfil júnior pode auferir anualmente cerca de 19 000 mil euros, contra 13 000 euros anuais auferidos em média por um colaborador júnior que trabalhe em gestão de secretariado. Já um profissional de ambos os sectores que possua entre três a quatro anos de experiência recebe significativamente mais no sector da banca: em média, 25 000 anuais contra 19 000 euros no sector de secretariado.
Numa análise comparativa entre os dois sectores, constata-te a existência de "discrepâncias salariais significativas mediante o tipo de actividade". Na banca, o analista de fundos e o técnico de compliance, profissional responsável por prevenir riscos que possam gerar qualquer tipo de problema para a imagem do banco ou instituição financeira, são os profissionais mais bem pagos, auferindo, em média, 23 800 euros inicialmente, passando rapidamente para os 32 000 euros após dois anos de experiência.
Já o secretário executivo sénior é o profissional que recebe mais num ano de trabalho, auferindo entre 19 600 e 23 100 euros, nos primeiros anos, e entre 23 100 e 25 900 euros nos anos seguintes.
É, no entanto, no sector de finanças que a Page Personnel assinala uma "maior alteração das remunerações nos profissionais mediante os anos de experiência". Por exemplo, um auditor financeiro que tenha até três anos aufere anualmente cerca de 11 000 euros, sendo que, caso tenha mais de três anos de experiência, passa a receber mais do dobro: cerca de 22 400 euros anuais.
A banca de investimento, a consultoria e o grande consumo são os sectores preferidos dos candidatos, conclui a Page Personnel, explicando que tal facto se deve "não apenas à remuneração auferida ao final do ano, mas também pela dinâmica dos sectores em questão". A maior parte dos candidatos aponta como factores preferenciais "o enriquecimento profissional e a possibilidade de exercer aquela profissão em países estrangeiros".
A Page Personnel evidencia um aumento crescente da reputação do sector commercial & marketing nos últimos anos. "Se, antigamente, o marketing era função secundária numa empresa, actualmente isto já não acontece", sublinha o documento síntese do estudo.
De acordo com os números referidos, as áreas comerciais e de marketing de uma empresa são enquadradas nas altas patentes e fazem parte das funções de gestão, reportando directamente à direcção.
Actualmente, o sector comercial paga, em média, cerca de 16 000 euros a um profissional júnior, sendo o key account manager, profissional responsável por contas globais, o profissional mais bem pago, com cerca de 22 000 euros anuais. No entanto, o responsável de marketing júnior equipara-se ao account manager da área comercial, auferindo cerca de 21 000 euros. Comparando os profissionais considerados juniores em sectores como o de finanças e de retalho, nos quais a remuneração mais elevada nestes perfis é de 14 000 euros e 18 200 euros, nota-se que o sector commercial & marketing é um dos que melhor remunera os colaboradores com menos anos de experiência, o que reflecte, em parte, a crescente procura por cursos e empregos nesta área.
Para além do sector das tecnologias, o sector comercial e de marketing foi apontado como um dos mais estáveis, independentemente do cenário macroeconómico envolvente. "A crescente procura neste sector e o facto de permitir exercer a sua função em países estrangeiros, de forma a enriquecer a experiência profissional, foram um dos motivos apontados pelos candidatos como preferenciais na hora de escolher o seu percurso educacional e profissional, quer seja em licenciatura, pós graduação, mestrado ou doutoramento", salienta o estudo.
No entanto, a partir dos seis anos de experiência, foi apontado como principal factor de desmotivação a quebra de progressão de carreira a nível profissional e salarial. Isto significa que, apesar de, neste sector, existir uma progressão rápida, após determinado patamar, normalmente atingido aos seis anos de experiência, a remuneração dificilmente passará de 30 000 a 35 000 euros anuais, por exemplo, num chefe de vendas ou responsável de marketing.
A Page Personnel chama a atenção para o facto de o retalho ser o sector que apresenta maiores discrepâncias salariais nas diferentes actividades. "Apesar de existirem discrepâncias salariais em todos os sectores, foi no retalho onde foram detectadas as maiores diferenças salariais". Do gerente de loja ao supervisor de operações, as remunerações auferidas por profissionais da área tornam-se distantes, independentemente de um profissional deter apenas um curso técnico ou uma licenciatura. Isto deve-se, principalmente, explica o estudo, ao facto de as "profissões disponíveis neste sector serem, muitas vezes, procuradas por profissionais qualificados em termos de experiência, mas não de educação superior". Tal factor reflecte não só a actual conjuntura económica do país, mas também a média salarial auferida pelos profissionais do sector.
Em retalho e numa empresa de média dimensão, a profissão mais bem paga é o supervisor de operações, que aufere entre 25 200 euros e 28 000 euros, contrastando com o supervisor de loja, que tem uma remuneração anual entre os 18 200 euros e os 22 400 euros. Duas profissões que se complementam e que andam lado a lado, no entanto, com valores bastante diferentes.
Já o vencimento de um estilista e de um designer que integre os quadros de uma empresa de média dimensão não ultrapassa os 16 800 euros. De acordo com o estudo, os profissionais que trabalham nesta área sentem que tem de existir um esforço duplo para se conseguirem equiparar a profissões como chefe de vendas, por exemplo.
Estes desafios com que os candidatos se debatem têm também vindo a resultar num outro factor, cada vez mais presente nos diversos candidatos entrevistados pela Page Personnel: a disponibilidade de mudança. Conclui-se que há cada vez mais profissionais, de forma transversal a todos os sectores de actividade, a ponderarem iniciar ou fazer progredir a sua carreira no estrangeiro, uma disponibilidade que reside no facto de considerarem não terem suficientes oportunidades de carreira a nível nacional.
Metodologia Os estudos de remuneração 2011 da Page Personnel foram elaborados a partir dos dados obtidos pelos consultores, considerando informações de mercado e a extensa base de dados de candidatos e de clientes em todo o território nacional. Além dos salários, as empresas podem incluir um pacote de benefícios, como seguros de vida e seguros de saúde, que representam uma diferença significativa no pacote anual oferecido.
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