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Montepio
Para sobreviver a 2012, vá para fora cá dentro

22/11/11, 00:05
João Maia, Office Manager da HAYS Recruiting experts worldwide

  Somos bombardeados diariamente com novas notícias e desenvolvimentos, nacionais e internacionais, que condicionam a forma como todos os agentes (colaboradores, empresários/empregadores e instituições públicas) analisam e decidem a sua estratégia de curto e médio prazo para o emprego e as políticas de recursos humanos e de recrutamento.

  Mais do que uma boa ou má notícia, o principal travão à economia e à resolução do problema do desemprego é a falta de notícias concretas que, de uma forma objectiva e absoluta, nos permitam vislumbrar o nosso futuro. Vivemos num quase eterno stand by em termos de medidas que possibilitem a implementação de um plano de recrutamento, seja de substituição ou de aumento de headcount. A dependência dos mercados externos e a sua volatilidade aumentam exponencialmente o risco de qualquer decisão.
 
A única certeza que temos é a de que, segundo o nosso Governo, o ano de 2012 vai ser dos mais complicados a todos os níveis, sem que, no entanto, seja apresentado qualquer cenário ou medida, por mais paliativa que seja, que motive os agentes a tomar decisões ou, pelo menos, a definir um prazo para as tomar.
 
Ou seja: estamos parados, em suspense, à espera que alguém tome medidas para nós, por nós, por todos, para que as condições económicas permitam dinamizar o mercado de emprego.
 
O que fazer, então, durante os próximos 365 dias (ou mais) que nos esperam, a nós, empregados e desempregados, precários e efectivos, empregadores e empresários?
 
Em primeiro lugar, há que ser optimista: diz-se que o nosso país nunca esteve tão mal como agora, mas a verdade é que também nunca esteve muito bem. Por isso, e apesar do impacto das medidas de austeridade que irão doer a todos, é bastante provável que consigamos ver uma curva ascendente nos gráficos do emprego e da economia ainda em 2012.
 
Em segundo lugar, será importante mudar, de uma vez por todas, a nossa mentalidade e pensar que, antes de procurar emprego fora do país, é possível que existam empregos (e bons) noutras regiões de Portugal. Fomentar a mobilidade no sector privado é algo que depende dos profissionais; não pode, nem deve, ser imposto por legislação, empregadores ou qualquer outro agente.
 
Há já muito tempo que deixou de ser viável "escolher" um emprego consoante a localização, sobretudo num país de pequena dimensão como Portugal. Nos países mais desenvolvidos económica e socialmente, os quadros, seja em que sector for, buscam as oportunidades e só depois filtram a região ou cidade, fazendo mudanças completas nas suas vidas, para milhares de quilómetros de distância da sua residência.
 
No entanto, em Portugal, país que se atravessa de Norte a Sul em poucas horas, as mentalidades ditam que seja quase inconcebível mudar de distrito atrás de uma boa oportunidade profissional, seja para sair do desemprego ou simplesmente para conseguir evoluir na carreira. A excepção está em alguns quadros do sector público, como os agentes da autoridade, os profissionais de saúde e os professores.
 
Curiosamente, analisando os fluxos de emigração dos portugueses, verificamos que são poucos os profissionais que foram trabalhar no seu ofício no país de destino, mas asseguraram uma estabilidade profissional e económica que não tinham em Portugal no momento em que emigraram.
 
Por essa lógica, porque não tentar fazer o mesmo sem sair do país?
 
 
 
 
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