PUB
Faça do OJE a sua homepage
Montepio
pub
Lisboa volta a entrar no mapa porque as cidades de primeira linha

01/12/09, 18:30

Os investidores europeus estão a regressar ao mercado e Lisboa volta a ter interesse, afirma Pedro Lancastre, director de Investimentos da consultora Jones Lang LaSalle.

Os investidores europeus, nomeadamente os fundos de investimento alemães, estão de regresso?
Felizmente estão a voltar. Não com a actividade a que nos habituámos entre os anos 2003 e 2007 mas voltam agora a olhar com alguma atenção para determinadas operações no nosso país. Para já, apenas temos registo de uma operação com investidores internacionais em 2009. Acreditamos, porém, que entre o final do ano e o primeiro trimestre de 2010 estes investidores venham a concretizar algumas operações de relevo. Estimamos que nesse período se possam fechar cinco grandes operações, perfazendo um total de cerca de 600 milhões de euros.


As preferências vão apenas para mercados líquidos como Londres e Paris?
Londres e Paris foram, de facto, as cidades da moda na área do investimento nos últimos dois anos, sobretudo no que se refere a transacções de edifícios de escritórios. São efectivamente os mercados mais líquidos, onde, mesmo em crise, a comunidade de investidores é de tal forma vasta que os imóveis conseguem quase sempre encontrar um comprador. Por outro lado, são os mercados mais consolidados, onde as oscilações de preços são mais imediatas e onde os investidores assumem perdas com naturalidade. Ou seja, se necessário vendem abaixo do preço de custo, mas voltam a reinvestir, fazem rodar o património e, desta forma, o mercado não pára. 


Em Portugal não existe essa cultura ...
Infelizmente não. Os investidores tradicionais, sobretudo os fundos de investimento imobiliário, não promovem a rotatividade do seu património. Quando o mercado está em alta raramente aproveitam para realizar mais-valias e quando está em baixo só em casos excepcionais é que vendem os seus activos. Em 2008, assistimos, no entanto, a algumas tentativas de desinvestimento, mas todas fracassadas, já que as carteiras disponibilizadas no mercado eram compostas por activos de pouca qualidade. O mercado só voltou a animar no segundo semestre deste ano quando alguns fundos portugueses tomaram consciência que a única forma de realizarem liquidez seria através da venda dos seus melhores imóveis.


E as cidades de segunda linha como Lisboa, quando é que começam a entrar outra vez no mapa?
Começam aos poucos a entrar outra vez no mapa porque as cidades de primeira linha estão a ficar saturadas de investidores. Estivemos há poucas semanas com um investidor português em Londres a tentar comprar um prédio de escritórios e percebemos que o mercado estava uma perfeita loucura. Deram-nos uma semana para apresentar uma proposta para um activo de 25 milhões de euros e, caso a proposta fosse seleccionada, teríamos quatro dias úteis para concretizar a operação. Para esse edifício foram apresentadas 21 propostas e o preço fechado foi cerca de 10% acima do valor de "asking", isto com uma yield de 4,85%, já ao nível que se verificava antes da crise. Por essa razão, os investidores mais tradicionais que voltaram a ter capacidade para comprar não têm outra alternativa senão virarem-se para os mercados secundários e Portugal está já a beneficiar com isso.


Que exigências estão a fazer em termos de investimento neste período pós crise, quer em termos de yields, condições dos contratos de arrendamento, produtos, etc, nos vários mercados europeus?
Estão todos a exigir um pouco do mesmo: os melhores imóveis, nas melhores localizações, com os melhores inquilinos e com contratos de arrendamento com prazos longos. Tudo isto com rentabilidades mais altas do que antes da crise, o prémio de risco aumentou e apesar da descida das taxas de juros as yields subiram. No fundo estão a exigir o mesmo que sempre exigiram, a diferença é que até 2007 a pressão para investir era de tal forma que alguns desses critérios fundamentais ficaram para trás. Hoje, os investidores estão mais selectivos, primeiro porque podem sê-lo porque têm poucos concorrentes e por isso podem escolher melhor e com mais tempo, mas sobretudo por possíveis traumas da crise durante a qual não conseguiram vender para realizar liquidez. "Segurança" passou a ser a palavra de ordem, e produtos seguros significa produtos líquidos, facilmente vendáveis e com as características acima referidas.


0 votos
Votar
pub
NOTICIAS
  • ÚLTIMAS
  • + LIDAS
  • DESTAQUES
PESQUISA
Pesquisar