Empresas e organizações não cruzam braços em 2011 ![]() 11/01/11, 12:25 Se 2010 ficará, decerto, na memória dos portugueses como o ano em que muitas das suas convicções foram profundamente abaladas, o mesmo não se pode dizer do trabalho desenvolvido nas áreas da responsabilidade social corporativa e da sustentabilidade. São muitas as empresas e as organizações que podem orgulhar-se de "trabalho feito" e propósitos cumpridos. Todavia, e como esta é uma missão que não tem fim, o OJE Mais Responsável pediu a alguns dos intervenientes com provas dadas em 2010 que partilhassem os seus objectivos de cidadania para o ano que agora se inicia
Por Jorge Líbano Monteiro, secretário-geral da ACEGE "2011 será um ano de enormes desafios para as empresas portuguesas, ao longo do qual todos os seus intervenientes (líderes e colaboradores) terão de reforçar a competência, assumir uma nova atitude empreendedora e encontrar novas formas de cooperação e de entreajuda para assegurar o êxito da sua empresa ou organização. Uma nova atitude que trará uma responsabilidade acrescida aos líderes empresariais, que terão de se assumir como verdadeiros líderes sociais, com uma maior preocupação pelos seus colaboradores, pelo garantir de comportamentos éticos e pela manutenção das políticas de responsabilidade social que assumem, nesta fase, uma necessidade reforçada. É nas alturas de grandes desafios, como os que estamos a viver, que se percebe claramente quais os líderes e quais as empresas que aderiram à responsabilidade social por moda ou visibilidade, ou os que realmente a ela aderiram por saberem que ela é central para o desenvolvimento consistente da empresa e da sociedade em que está inserida. Espero, por isso, que 2011 seja uma imensa oportunidade para as empresas se centrarem numa verdadeira política de responsabilidade social, que tenha como valor base o bem que faz acontecer e não apenas a imagem que faz passar".
Por Conceição Zagalo, Presidente do GRACE "Em 2011, o desafio para as empresas, em cenário de recessão ou não, permanece como a busca de uma sociedade e uma economia socialmente mais sustentável. Em termos de iniciativas, aguarda-se o arranque do Ano Europeu do Voluntariado enquanto expressão de cidadania empresarial, sendo Lisboa uma das primeiras cidades, de um total de 27, a receber o "tour" que pretende propagar as acções de voluntariado pela Europa. A iniciativa, adoptada pelo Conselho da União Europeia, pretende apelar à solidariedade e entreajuda dos europeus para que das palavras se passem aos actos. E o GRACE, naturalmente - e porque tem no voluntariado empresarial um dos seus eixos estratégicos de intervenção - não deixou de dizer "presente" quando o Conselho Nacional de Promoção para o Voluntariado (CNPV) o convidou para estabelecer uma parceria com vista à dinamização de várias actividades relacionadas com esta temática e que, muito em breve, serão divulgadas no website www.grace.pt. Este programa será, todavia, um adicional na actividade corrente de uma associação cujo programa de actividades espelha o dinamismo dos seus mais de 80 associados representados em diversos sectores. Em suma, 2011 oferece boas perspectivas, tantas quanto os desafios impostos pela actual conjuntura socioeconómica".
Por Cristina Dias Neves, Directora de Comunicação do Santander Totta "Os eixos de actuação do Santander Totta, em matéria de sustentabilidade, estão definidos para 2011 e são conhecidos: o Banco continuará a privilegiar o Ensino e o Conhecimento, pois acredita que estes são factores chave para o desenvolvimento sustentado das sociedades. Neste âmbito, coopera actualmente, a nível mundial, com mais de 800 Instituições de Ensino Superior. Em Portugal, o Banco disponibiliza anualmente às Universidades e Politécnicos mais de 3 milhões de euros para projectos académicos e para-académicos e conta reforçar este montante em 2011. Por outro lado, a nível da Solidariedade Social, o Santander Totta pretende continuar a apoiar projectos destinados aos mais desfavorecidos - nomeadamente através do apoio sustentado a ONGs dedicadas a este objectivo - e, também, continuar a apostar numa política ambientalmente correcta, quantificando adequadamente o seu esforço e intervenção nesta área. Nesta matéria, para 2011, o Banco pretende fazer um esforço de melhoria destes indicadores através, por exemplo, da instalação de sistemas de free-coolling em dois edifícios centrais e da continuação do programa de instalação de centrais de micro geração em balcões".
Por Luís Rochartre, secretário-geral do BCSD Portugal "O balanço que faço do ano que passou é muito positivo. O BCSD Portugal é um caso de sucesso internacional, a nível do WBCSD. As empresas a operar em Portugal têm demonstrado, na última década, uma sólida adesão ao compromisso com a sustentabilidade. Desde a fundação do BCSD Portugal, em 2001, que existem cada vez mais empresas a integrar o desenvolvimento sustentável na sua estratégia de negócio. Sendo 2011 o ano em que completaremos 10 anos de existência, iremos desenvolver um conjunto de acções que marquem este aniversário e que consolidem a afirmação do Conselho enquanto a organização líder nacional na abordagem das questões da sustentabilidade".
Paula Guimarães, Responsável pelo Gabinete de Responsabilidade Social do Montepio "2011 será um ano pleno de desafios, mas também terreno fértil para a afirmação consequente de uma Responsabilidade Social Corporativa que privilegie relações de continuidade e aposte na certificação e formação do Terceiro Sector e na harmonia entre os interesses dos diversos stakeholders. O Montepio continuará a consolidar a sua acção mutualista e de convergência entre as preocupações do desenvolvimento económico e da promoção da inclusão social. Temas como a promoção da cidadania, da mobilidade e do empreendedorismo, bem como o combate à iliteracia financeira e, naturalmente, a valorização do voluntariado, farão parte da nossa agenda, numa intervenção que se pretende cada vez mais participada pelos colaboradores, associados e clientes".
Joana Garoupa, Head of Communications da Siemens "Enquanto organização global, a Siemens tem uma forte responsabilidade empresarial com as sociedades e comunidades com quem mantém contacto e proximidade. Em Portugal, e no próximo ano, continuaremos a investir no apoio ao ensino - enfoque no ensino primário e secundário, de modo a contribuir para a redução da percentagem de alunos que desistem da escola - a na área ambiental. Estamos a aumentar o número de estágios na empresa de alunos universitário com vista à execução final das suas teses de mestrado e doutoramentos, assim como fortalecer as parcerias que já existem com entidades como a Fundação Ciência Viva, ATEC, Cascais Energia, entre outras. Na área do voluntariado, a Siemens Portugal continuará a desenvolver as parcerias já estabelecidas com os Agrupamentos Escolares Azevedo Neves (Amadora) e da Perafita (Matosinhos), com destaque para o Kit Experiências, um projecto que pretende despertar o interesse das crianças para as ciências, exemplificando os simples fenómenos do dia-a-dia através de pequenas experiências a realizar nas aulas. Paralelamente, continuaremos a promover acções de reflorestação no Parque Natural Sintra-Cascais e no âmbito do Programa Carbon Free Print, cujo objectivo passa por compensar o impacto ambiental das impressões e uso de papel".
Nuno Pinto de Magalhães, Director de Relações Institucionais e Comunicação da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas "O ano 2011 perspectiva um agravamento do nível de vida das famílias portuguesas, nomeadamente para aquelas que têm situações de desemprego e que vão sentir uma diminuição do seu rendimento, por via da redução de salários. As empresas deverão, na elaboração dos seus planos de Responsabilidade Social, ter em linha de conta esta realidade e implementar prioritariamente acções de solidariedade social para aqueles que mais necessitam, via instituições credíveis e com provas dadas".
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