Miúdos e graúdos "plantam" centro ecológico ![]() 11/01/11, 12:08 À conversa com Sofia Poeiras da Silva, Técnica responsável pelo Centro de Compostagem Caseira - EC3 (Centro de Estudos Vasco da Gama)
Chama-se Centro de Compostagem - EC3 - e é um dos projectos mais recentes cotados na Bolsa de Valores Sociais. Constitui uma iniciativa a nível local, em Ferreira do Alentejo, com vista à redução dos resíduos orgânicos. Mas, mais do que isso, promove a sensibilização ambiental, especialmente entre os mais novos e os idosos
Transformar uma escola abandonada e em crescente degradação num "foco de propagação" de boas práticas ambientais associadas à compostagem foi o que Albertina Raposo, docente no Instituto Politécnico de Beja e coordenadora pedagógica do projecto EC3, em conjunto com o Centro de Estudos Vasco da Gama, conseguiu fazer. A escola primária n.º 1 de Gasparões, no concelho de Ferreira do Alentejo, é agora um ecocentro de compostagem caseira -, que assenta numa forte vertente pedagógica ao nível da Educação Ambiental.
Como explica Sofia Poeiras da Silva, técnica responsável do EC3, "têm sido promovidas acções de formação dirigidas à comunidade com a entrega de compostores aos interessados, a participação em eventos, de que são exemplo a Ovibeja, o Roadshow Ferreira Sustentável, entre outros e workshops de compostagem caseira". No que respeita a estes últimos, de destacar actividades como "a construção/montagem de compostores, informação sobre o processo de compostagem, recolha de resíduos para compostar e informação sobre as condições necessárias para obter um composto de qualidade, observação de minhocas associadas ao processo de vermi-compostagem no laboratório do Centro, entre muitas outras", como enumera a responsável.
Apesar de o projecto se destinar a toda a comunidade, são as crianças e jovens das escolas do Concelho, bem como os idosos dos Centros de Dia, os "utentes" mais assíduos deste centro ecológico. Como afirma Sofia Poeiras da Silva, "apesar do tema principal de actuação ser o da compostagem caseira, existe uma preocupação em preparar planos de actividades anuais tendo em consideração os dias temáticos na área do Ambiente, como por exemplo o Dia da Conservação da Natureza, em que são preparadas actividades específicas de Educação Ambiental".
Inquirida sobre a importância de promover uma iniciativa deste carácter - que promove a redução do volume de resíduos orgânicos e a sensibilização ambiental da população - a nível local, a responsável justifica: "existem metas europeias relativamente aos resíduos que podemos depositar em aterro, sempre com o objectivo de aumentar o seu tempo de vida útil. Assim, devemos desviar a maior quantidade de resíduos possível deste destino final. Sabendo também que os resíduos orgânicos constituem aproximadamente metade do volume de resíduos que chega aos aterros, quando é possível fazer compostagem e obter um fertilizante para o solo que pode ser precioso para a agricultura, parece-me não existirem dúvidas relativamente ao que devemos fazer". E acrescenta que, se nas grandes cidades, a compostagem caseira não é muito fácil de implementar (apesar de existirem outras soluções, como a compostagem comunitária), "nas zonas mais rurais, onde muitas pessoas têm quintais e jardins, esta será uma óptima solução para os resíduos orgânicos produzidos".
Relativamente à importância da sensibilização ambiental, Sofia Poeiras da Silva alerta para o facto de, apesar de as pessoas saberem que devem separar os resíduos, poderão não ter a exacta noção da importância de o fazer. Ou seja, por que motivo se deve mudar hábitos que se têm desde sempre? "Se queremos caminhar no sentido de uma sociedade mais sustentável, é fundamental sensibilizar a população para as consequências dos seus comportamentos e, na minha perspectiva, são estes projectos ao nível local que constituem a chave para podermos ser bem-sucedidos", sublinha.
O projecto, recentemente cotado na Bolsa de Valores Sociais (BVS), tem agora mais espaço para crescer, sendo que, de acordo com Sofia Poeiras da Silva, a sua cotação é absolutamente crucial para a sua continuidade, visto que o financiamento que permitiu a sua criação - proveniente do Fundo ONG da Agência Portuguesa do Ambiente e com o apoio da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo que, de imediato, abraçou o projecto - terminou em Setembro último.
A procura de alternativas começou de imediato e "com esta recente cotação na BVS pretendemos que este espaço continue a ser um marco de sustentabilidade na região, ensinando a todos que, com gestos simples, podemos fazer toda a diferença". A responsável do EC3 sublinha ainda que "numa região onde as características socioeconómicas não são muito favoráveis, todos os espaços que possam dar ânimo à região e às suas gentes são de uma grande importância".
Para além do mais, a visibilidade do projecto através da sua cotação na Bolsa de Valores Sociais poderá constituir "uma forma adicional para a captação de financiamentos alternativos, de modo a garantir a sua continuidade e possível sustentabilidade futura". Igualmente relevante é a importância, ao nível social, do projecto, pois abrange todas as idades, desde crianças bastante novas até aos idosos que gostam particularmente dos trabalhos da horta.
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