Biodiversidade: O Capital Natural dos cofres do Estado ![]() 14/06/11, 10:50 Por Nuno Oliveira* Portugal tem um em cada quatro m2 em áreas de elevado valor ecológico.
Metade do território integra-se no "hotspot" de biodiversidade do Mediterrâneo, um dos mais ricos do mundo, tem o único exemplo cientificamente validado de um sistema gerido para alimentar uma indústria exportadora que vale milhões de euros ser ecologicamente mais valioso sob intervenção humana do que deixado silvestre - o Montado de Sobro -, elevados índices de espécies costeiras e marinhas da Europa e tudo isto colocado num rectângulo onde, em dois dias, subimos montanhas, navegamos rios, visitamos bosques, percorremos planícies e passamos uma tarde à beira mar. Contudo, é um País que contraiu um complexo empréstimo sob condições de austeridade que exigem um regime espartano e que não reconhecemos (perguntem ao Sertório) e vive uma crise de identidade cultural, económica, social e ecológica. Creio que já há dados a mais que demonstram de forma inequívoca que a aposta estruturada na gestão sustentável do nosso capital natural proporcionaria empregos, empresas, protecção social, inovação e exportações, entre outros benefícios duráveis para a economia. Ainda a 3 de Maio, a Comissão Europeia reforçou o valor social e económico dos ecossistemas no âmbito da "Economia Verde", uma prioridade das Nações Unidas, através da "Estratégia Europeia para a Biodiversidade até 2020". Talvez o problema seja incapacidade em colocar as perguntas certas. Então façamos algumas:
Porque insistimos em não avaliar e gerir o capital natural de forma a reequilibrar a balança comercial com base no desenvolvimento endógeno? Porque contraímos um empréstimo de 78 mil milhões de euros sem saber o que está guardado nos cofres "naturais" do Estado? Alguém me pode "desTroikar" isso por miúdos?
* Biólogo e investigador na área de sustentabilidade no CIGEST - Instituto Superior de Gestão
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