Desafios Sustentáveis: Qualidade, confiança e diferenciação ![]() 18/01/12, 15:47 Por José Figueiredo Soares* É por todos hoje reconhecida a urgente necessidade de, como sociedade, encontrarmos respostas sustentáveis ao desafio de fazer mais e melhor num contexto de forte escassez de recursos. Tal desafio implica sermos capazes de ultrapassar as condicionantes estruturais e culturais, que teimam em persistir na economia portuguesa, e eleger a diferenciação pela excelência como um objetivo estratégico nacional, abrangendo as empresas, a administrações e os cidadãos - originários e destinatários de todo o esforço de mudança. Essa diferenciação pela excelência sustentada do desempenho, no quadro de um mercado aberto e global, resultará não apenas da capacidade de "fazer bem", mas também de continuamente "melhorar aquilo que já se faz bem" e de, em cada momento em que para tal haja oportunidade, "saber fazer diferente". Falamos, então, de eficácia, eficiência e inovação continuadas - a qualidade transformada em hábito organizacional - como suportes da estratégia das organizações (e dos países) para se manterem competitivos num contexto de mercado muito exigente e em acelerada mutação. Fazê-lo no actual quadro de enormes dificuldades no acesso aos recursos, implica a instituição de abordagens sistémicas de racionalização de processos, de redução do erro e do desperdício e de foco acrescido na satisfação "à primeira" das necessidades dos destinatários da atividade, sejam eles cidadãos, utentes ou clientes, numa perspetiva aberta e promotora da colaboração com as diferentes partes interessadas, que possibilite a deteção precoce das oportunidades, confira acrescidas capacidade e agilidade de resposta e, sobretudo, permita criar e manter o imprescindível capital de confiança, hoje reconhecido como um "bem público", redutor da complexidade dos sistemas sociais e um ativo de enorme valia na eficiência e na sustentabilidade dos negócios. O tema da Confiança é, aliás, recorrente na gestão das organizações, no âmbito da qual a relação com a (gestão da) Qualidade é sublinhada. Com efeito, tanto na perspetiva mais redutora - mas nem por isso dispensável - de "garantia da conformidade", como nas progressivamente mais abrangentes de Qualidade Total ou de Excelência, os princípios, metodologias e técnicas da Qualidade foram sempre importantes fatores geradores de confiança nas organizações e nas suas interrelações em mercado. Dir-se-á, então, que a atual crise, ao "exigir" acrescida qualidade na gestão por parte das nossas organizações, está a fazer um incontornável apelo a uma mais competente e extensa utilização das abordagens, metodologias e ferramentas da gestão da Qualidade. Responder a esse apelo cabe àqueles que têm a responsabilidade de liderar as organizações, para que estas possam, de forma sustentada, gerar efetivo valor económico e social. Ao Estado, pensamos, caberá desenvolver as adequadas Políticas Públicas, nelas envolvendo a administração, as empresas e restantes organizações e, sobretudo, os cidadãos, de modo a que a Qualidade seja, sem hesitações, encarada como alavanca fundamental do nosso desenvolvimento económico e social. *Presidente da Direção da Associação Portuguesa para a Qualidade ![]() ![]() |