Economia Portuguesa: A Perspectiva das Mutualidades ![]() 15/11/11, 13:26 Por Alberto Ramalheira* A sociedade portuguesa, a par de inegáveis qualidades de resiliência, de paciência, de resignação e de improvisação, está marcada por sinais claros de individualismo, de egoísmo e de consumismo, a que se junta a falta de confiança no futuro. Para isso, muito contribui a actual crise económica, financeira, social, e mesmo civilizacional. Torna-se, portanto, necessário mudar de vida, de atitudes e de comportamentos e não deixar agravar as desigualdades sociais, mas antes promover a coesão social, fazendo funcionar a solidariedade, de todos os tipos e a todos os níveis. Neste contexto, as 100 Mutualidades Portuguesas, que integram mais de um milhão de associados e servem mais de 2,5 milhões de beneficiários, estão disponíveis para ajudar a redesenhar o caminho da protecção social em Portugal, oferecendo os seus valores (humanismo, responsabilidade, solidariedade, independência, autonomia, igualdade, democraticidade e afectação dos excedentes aos fins estatutários) e a sua experiência (de mais de um século), na criação de novas modalidades de benefícios destinadas a cobrir os novos riscos sociais (dependência, desemprego, conciliação de responsabilidades profissionais e familiares...) e na organização de novos serviços de saúde para dar resposta às eventuais lacunas do Serviço Nacional de Saúde (a braços com um muito exigente programa de redução de despesas), incluindo a gestão de equipamentos integrados na rede de cuidados continuados, bem como de outras respostas sociais. Dada a sua implantação local, as Mutualidades poderão ser agentes privilegiados da implementação do Programa Nacional de Microcrédito, criar bancos de ideias de negócios, disponibilizar os seus equipamentos para o serviço da comunidade, estabelecer parcerias de apoio à distribuição de géneros alimentícios e outros bens de primeira necessidade, promover acções de formação que potenciem o empreendedorismo activo e consciencializem para a necessidade da autoprotecção e da formação de poupança (as mutualidades e as suas caixas económicas são boas recolectoras de poupança, dispondo de mais de 15 mil milhões de euros, sob as formas de produtos mutualistas e de depósitos, fazendo aplicações financeiras, com risco reduzido e evitando fins especulativos, que contribuem para o desenvolvimento económico e social do país). Acresce que as Mutualidades, nas suas diversas actividades, oferecem empregos estáveis a mais de 6000 colaboradores, praticando uma política de não despedimento de eventuais excedentes, antes procurando desenvolver novas actividades com vista à sua plena ocupação. Em conclusão, a ter de haver menos Estado no campo social, que haja mais Mutualismo e mais Economia Social e Solidária onde prevalece a conciliação entre o bem individual e o bem comum, em ordem à construção de uma sociedade mais humana, mais justa, mais solidária e mais feliz. *Presidente da União das Mutualidades Portuguesas ![]() ![]() |