PUB
Faça do OJE a sua homepage
Montepio
pub
À conversa com
Quando o futuro é uma angústia de todos os dias

16/11/10, 11:16
OJE

Apoiar, integrar e orientar as famílias, a par dos agentes sociais, para a plena inclusão na sociedade constitui a missão principal do Banco de Informação de Pais para Pais (BIPP), que nasceu através de um grupo de pais de cidadãos com necessidades especiais. Uma temática de importância extrema que, com o actual clima de insegurança política e económica, promete adquirir contornos ainda mais dramáticos.

 

Os números estarão, decerto, mais que desactualizados mas, e de acordo com o Censos 2001, existem, em Portugal, mais de 600 000 pessoas com necessidades especiais, o que corresponde a cerca de 6,1% da população portuguesa. Considerando que a pessoa com deficiência está inserida numa família e que existe, pelo menos, uma pessoa com a responsabilidade de a criar, o número de cidadãos envolvidos nesta problemática duplica, atingindo directamente mais de 1 milhão e 200 mil cidadãos portugueses.


Desta forma, como explica Joana Santiago, presidente do BIPP - Banco de Informação de Pais para Pais - este projecto "nasce através de um grupo de pais de cidadãos com necessidades especiais com o objectivo de reunir informação sobre os serviços públicos e privados que podem apoiar a reabilitação e a inclusão social". A Instituição está, assim, vocacionada para as famílias com necessidades especiais, visando a orientação e o encaminhamento familiar, independentemente do tipo ou grau de deficiência e que acompanha a pessoa com deficiência e a sua família em todas as etapas. "Apoiamos, integramos e orientamos as famílias e os agentes sociais para a plena inclusão na sociedade", afirma Joana Santiago, "no sentido de colaborar com os pais de cidadãos com necessidades especiais para a sua integração na sociedade, orientando correctamente as famílias e disponibilizando a informação mais adequada ao seu caso". Contudo, é também missão do BIPP trabalhar numa outra área que apresenta igualmente enormes carências na sociedade portuguesa: o apoio aos Agentes Sociais (professores, educadores, médicos, etc.) para que consigam dar respostas orientadoras.
Por outro lado, como esclarece Joana Santiago, o BIPP tem igualmente como objectivo  promover, criar e implementar e recursos que visem a Inclusão dos cidadãos com Necessidades Especiais, de que são exemplo os campos de férias inclusivos, o projecto INVIDA e a Unidade Móvel BIPP.


O Banco de Informação de Pais para Pais possui igualmente os denominados Espaços BIPP que são Centros de Atendimento, com técnicos especializados, que recebem as famílias e/ou agentes sociais e que procuram, em conjunto, as respostas existentes na sociedade e as que melhor se adequam a cada situação.
Como refere a sua presidente, "neste momento temos um Espaço BIPP em Lisboa cedido pelo ACP, esperamos até ao final do ano inaugurar o Espaço BIPP de Cascais cedido pela Câmara Municipal e durante o próximo ano abrir um terceiro Espaço, no Porto, também cedido pelo ACP.


Questionada sobre as maiores preocupações comuns a pais de pessoas com necessidades especiais, Joana Santiago afirma sem hesitar: "a principal preocupação é o futuro. O que vai acontecer quando os pais já não tiverem capacidade para tomar conta dos seus filhos, é a maior angústia que todos os pais afirmam sentir".
Contudo, e na actualidade, as questões da educação são igualmente tema de enorme constrangimento para estas famílias: "qual a escola mais adequada para responder às características do seu filho, onde o inscrever durante as interrupções lectivas e o que fazer quando terminar a escolaridade obrigatória, são questões com as quais os educadores têm de se confrontar diariamente.


Mais grave ainda é o problema de inclusão para cidadãos na idade adulta. Como esclarece Joana Santiago, "muitos deles encontram-se em casa, sem qualquer actividade, dependentes dos cuidados da família que, por sua vez, não pode exercer uma actividade profissional. Há uma enorme carência de respostas para estas faixas etárias".


Como refere também, "actualmente, as respostas pelas quais as famílias anseiam, vão no sentido da capacitação da pessoa com deficiência, promovendo a sua autonomia e valorizando sempre a sua integração na comunidade". Evitar a institucionalização e valorizar o empowerment da família e da pessoa com deficiência é uma das grandes lutas travadas pelo BIPP. E, em tempo de instabilidade política e económica, a espiral de preocupações não pára de aumentar: "existem muitas famílias preocupadas com a possível perda do apoio que recebem da Segurança Social para os seus filhos com deficiência. Infelizmente, essa situação ainda não foi clarificada pelas entidades competentes, causando uma angústia ainda maior a estas famílias", lamenta Joana Santiago.
Por outro lado, e na medida em que são várias as Instituições que nos últimos meses têm vindo a fechar portas, a encerrar valências ou a diminuir os serviços prestados devido à falta de apoio do Estado. "são ainda mais os pais que têm que levar os seus filhos para o trabalho ou colocar licenças sem vencimento para poderem cuidar deles".


A presidente do BIPP acrescenta ainda que "enquanto IPSS, preocupa-nos muito a situação económica actual que acaba por comprometer os apoios que poderemos ter. Contamos com o apoio dos Sócios, Amigos e Parceiros do BIPP, bem como com o apoio gerado pelas várias acções de angariações de fundos que vamos organizando ao longo do ano e que nos permitem assegurar a sustentabilidade deste projecto". Mas, como todos sabemos, tal não é suficiente.

0 votos
Votar
pub
NOTICIAS
  • ÚLTIMAS
  • + LIDAS
  • DESTAQUES