Capitalismo sustentável: O manifesto de Al Gore ![]() 18/01/12, 16:31 Quando, em 2004, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, lançou a "Generation Investment Managament" em conjunto com David Blood, um antigo banqueiro de investimento da Goldman Sachs, a sua missão era demonstrar de que forma era possível integrar uma pesquisa de sustentabilidade numa estratégia de investimento a longo prazo fortalecendo a análise de investimento. Desde então, a convicção de ambos sobre a importância da sustentabilidade para uma performance de longo prazo não só aumentou consideravelmente, como levou ambos os fundadores a publicarem, em dezembro último, um "Manifesto para um Capitalismo Sustentável". Enumerando, no "The Wall Street Journal", as ameaças disruptivas que o planeta enfrenta - alterações climáticas, escassez de água, pobreza, doenças, desigualdade crescente nos rendimentos, volatilidade económica massiva, entre outras - Al Gore concorda que não são as empresas que devem fazer o trabalho que compete aos governos, mas que, tanto estas como os investidores, são responsáveis por mobilizar a maioria do capital necessário para ultrapassar os desafios sem precedentes que enfrentamos. Assim e no manifesto em causa, Gore e Blood recomendam "cinco acções-chave para adoção imediata, por empresas, investidores e outros, de forma a acelerar o ritmo de mudança necessário para enfrentar a urgência da situação". Em primeiro lugar, há que encorajar os líderes de negócio a responsabilizarem-se pelo risco crescente decorrente dos "ativos fracassados". Estes são riscos "cujo valor poderá mudar drasticamente, seja positiva ou negativamente, quando as grandes externalidades forem tomadas em conta". Por exemplo, ao atribuir-se um preço razoável ao carbono ou à água. Seguidamente, os autores do manifesto defendem relatórios integrados obrigatórios, afirmando que, "apesar de estarmos a assistir a um aumento do volume e frequência da informação tornada pública pelas empresas, o acesso a esta informação por investidores não se traduziu necessariamente numa visão mais clara e eficaz das próprias empresas". Em terceiro lugar, Gore e Blood apelam ao fim da prática de publicação dos resultados trimestrais das empresas. Como explicam, "o calendário trimestral encoraja muitos executivos a gerirem para o curto prazo (...), o que encoraja igualmente os investidores a sobrevalorizarem o significado destas medidas em detrimento de outras mais significativas de criação de valor sustentável a longo prazo". Um melhor alinhamento das estruturas de compensações dos executivos seniores com a performance sustentável de longo prazo é outra das medidas defendidas pelo manifesto. "A maioria dos esquemas de compensações existentes", alertam, "enfatiza as acções imediatas e falha na responsabilização dos gestores de ativos e dos executivos corporativos relativamente à ramificação das suas decisões a longo prazo". Por último, existe uma necessidade crescente para incentivar e recompensar o investimento de longo prazo. A lógica, neste caso, é a de que o "domínio do curto prazo existente nos mercados fomenta a instabilidade generalizada nos mesmos, ao mesmo tempo que enfraquece os esforços dos executivos que realmente se empenham para uma criação de valor de longo prazo". ![]() ![]() |