E porque velhos são os trapos... ![]() 18/01/12, 16:45 A Organização Mundial de Saúde (OMS) define envelhecimento ativo como o processo de otimizar oportunidades para a saúde, participação e segurança, com vista a melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Idealmente, esta definição visa oferecer aos cidadãos uma perceção real do potencial de que são portadores para o bem-estar ao longo da vida e para participar na sociedade de acordo com as suas necessidades, desejos e capacidades. Em troca, dever-lhes-á ser assegurado sistemas de protecção, segurança e cuidados vários, sempre que necessários. Constituindo os principais objetivos do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações (AEEASG) a sensibilização, difusão de boas práticas e o incentivo para que responsáveis políticos e demais partes interessadas facilitem o envelhecimento ativo, são muitos os desafios a considerar para o sucesso deste Ano. De acordo com a União Europeia (UE), as alterações demográficas apresentam não só desafios, como também grandes oportunidades. O envelhecimento da população está já a aumentar a pressão nos orçamentos públicos e nos sistemas de pensões, bem como nos serviços de cuidados sociais e de saúde para os mais idosos. A denominada "velhice" é ainda significativamente associada à doença e à dependência e são muitos os idosos que se sentem excluídos de situações de emprego, bem como da estrutura familiar e comunitária. Existe um temor generalizado de que o envelhecimento acelerado das sociedades europeias possa conduzir a que as gerações mais velhas se transformem num fardo para as mais jovens e em idade ativa, e que tal possa resultar em tensões entre gerações. Mas esta visão negligencia, todavia, os contributos potenciais que os mais velhos - principalmente os pertencentes à geração "baby-boom" (geração nascida a seguir ao pós-guerra) e que estão agora a entrar na idade da reforma - podem ainda dar à sociedade. Assim, uma das oportunidades eleitas pela UE para enfrentar o desafio do envelhecimento demográfico e preservar, em simultâneo, a solidariedade entre gerações, consiste em assegurar que os "boomers" se mantenham por mais tempo no mercado de trabalho (o que, como sabemos, já está a acontecer) e que se conservem saudáveis, ativos e autónomos por um período superior de tempo a seguir à reforma. Todavia, encorajar esta geração a manter-se no ativo exige a remoção de vários obstáculos ao emprego (cada vez mais escasso e, em particular, para os jovens) e a introdução de mecanismos de reforma flexíveis que compensem vidas de trabalho mais longas. São necessários horários de trabalho mais flexíveis, a par de uma reorganização do próprio trabalho, para se encorajar, por exemplo, o trabalho a part-time como alternativa à reforma e aumentar o acesso à aprendizagem contínua para os trabalhadores mais idosos. No atual contexto de recessão económica, é igualmente vital assegurar que os trabalhadores que são dispensados sejam capazes de regressar ao emprego assim que a o mercado laboral apresente melhorias, no sentido de se lutar contra a discriminação pela idade, uma realidade que está a aumentar significativamente entre os europeus. Poder fornecer empregos de elevada qualidade aos mais velhos é parte integrante da estratégia que visa mitigar algumas das causas de pobreza comuns a este grupo etário. Oferecer a possibilidade de escolha aos mais idosos de trabalharem durante mais tempo significa, para a UE, mais benefícios em termos de rendimentos, a par de níveis mais elevados de poupanças e descontos para a futura reforma. Esta questão é particularmente importante para as mulheres mais velhas, um grupo que enfrenta taxas de pobreza relativamente elevadas no seio da UE (22% em 2008). O combate ao isolamento foi outro dos grandes desafios identificados pela União Europeia na sua análise preparatória para o Ano do Envelhecimento Ativo. Um número considerável de cidadãos europeus passa, no período de envelhecimento, por experiências de marginalização e pobreza, com a atual crise económica e social a colocar ainda mais pressão sobre a ferida. Comparativamente aos seus pares masculinos, as mulheres mais velhas enfrentam dificuldades expressivas em termos de isolamento e risco de pobreza (22% para as mulheres vs. 16% para os homens em 2008 na UE a 27). A participação ativa em atividades voluntárias a seguir à reforma - outro dos objetivos do Ano - poderá ajudar a reduzir o isolamento dos mais idosos e, em simultâneo, desenvolver as desejadas solidariedades intergeracionais. Desenvolver o potencial das pessoas idosas como voluntárias é de importância extrema para a UE, devido a um conjunto de fatores: uma maior consciencialização do contributo que os cidadãos seniores poderão dar à sociedade (por exemplo, como prestadores de cuidados a familiares) através do voluntariado, estimular a partilha de boas práticas entre os Estados-membros na promoção desta temática e apoiar os mesmos e os demais stakeholders a desenvolver atividades específicas nesta área. Por último, permitir que as pessoas idosas vivam autonomamente graças à adaptação das habitações, infraestruturas, tecnologias de informação e dos transportes é outro dos grandes desafios, e também um objetivo prioritário do Ano, como se pode ler na peça abaixo dedicada à Rede Global das Cidades Amigas do Idoso. ![]() ![]() |