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Laboratório social presta contas

16/11/10, 12:12
OJE

Há um ano, quando foi oficializada a criação da Bolsa de Valores Sociais (BVS), foram poucos os que perceberam inteiramente o significado do princípio que lhe estava subjacente: as organizações sociais não existem para resolver problemas sociais, mas sim para criarem "vacinas" contra esses mesmos problemas.

 

Este "lema" transformou-se ontem, dia 15, no tema escolhido pela BVS para assinalar o seu primeiro aniversário com uma Assembleia Geral de Investidores Sociais que, em conjunto, debateram a existência de vacinas possíveis contra a pobreza e a sua desejável replicação. O modelo desta Bolsa, que tem como objectivo replicar o ambiente e os conceitos de uma Bolsa de Valores, beneficia, sim, as organizações sociais, desde que estas cumpram critérios exigentes de selecção. Assim, transparência, governança e demonstração de resultados do seu impacto constituem condições obrigatórias para se entrar neste "mercado". A BVS conta, actualmente, com 22 projectos sociais cotados, em quatro áreas de combate por excelência - pobreza, exclusão, solidão e doença - e assume-se, sem pretensões, como um laboratório social, no sentido de identificar e cotar as organizações que comprovem a sua capacidade para desenvolver metodologias que abordem a causa dos problemas e não as consequências. De sublinhar que 100% dos recursos financeiros doados pelo "investidor" são imediatamente canalizados para o projecto cotado. Os custos operacionais da BVS são integralmente suportados pelos seus parceiros e co-fundadores - a Euronext e as fundações EDP e Gulbenkian - e também pela CGD, o seu banco oficial. No âmbito da crescente crise económica, Celso Grecco, mentor e consultor da BVS, deixou ontem claro o lema que dá inicio a esta peça: "A actual conjuntura mundial não advém do sector social, mas sim do sector privado, em conjugação com os governos que não regularam os mercados financeiros. Os problemas estão aí e, desculpem-me, mas o sector social é parte da solução, nunca do problema. Se a crise agravou os problemas sociais, aos empreendedores cabe fazer um trabalho de contenção das dificuldades das pessoas e das comunidades. Há que continuar a lutar para tornar o mundo num lugar melhor". E, contra factos, não há argumentos.

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