Rede lusófona de empreendedores, mas com ética ![]() 11/10/11, 12:05 "Uma economia mais competitiva e um estado mais eficaz são perfeitamente compatíveis com uma sociedade mais solidária", sublinhou, na abertura do V Congresso de Empreendedorismo Social, o ministro da Solidariedade e Segurança Social. Para Pedro Mota Soares, o empreendedorismo social (ES) e o Terceiro Sector "devem actuar como uma via fundamental para a ética", e devem ser traçadas "soluções de cooperação entre os vários players". O Governo "está particularmente atento à importância do sector da Economia Social porque, se por um lado nos vemos instigados a pedir reforço extra, por outro torna-se inadiável o encorajamento de todas as formas de solidariedade particular e voluntária", admitiu o ministro. Nos dois dias da conferência realizada no Centro de Congressos do Estoril, no âmbito do Green Festival, mais de 400 pessoas aprofundaram e debateram o estado da arte do ES em alguns países de língua oficial portuguesa, e contactaram com ferramentas para colocar em prática os seus projectos. A ideia de criação de uma rede lusófona do sector foi defendida pelos empreendedores sociais presentes. Mas, inerente a qualquer acção, esteve a ideia de que o ES se assume como "plataforma de criação de valor e ética num mundo em mudança". Nas várias intervenções do primeiro dia do evento, dedicado às questões do Ecossistema do ES, foi reforçada "a necessidade de uma mudança de visão e valores no sector corporativo, onde o lucro tem sido a luz do caminho". Debatendo a responsabilidade e a ética, o presidente da ACEGE, António Pinto Leite, o vice-presidente da Brisa, Pedro Rocha e Melo e o partner da Accenture João Pedro Tavares, foram unânimes na defesa "de empresas mais humanizadas e socialmente justas", próximas dos valores praticados pelo Terceiro Sector. A adopção em Portugal da figura jurídica e legislativa de "empresa social", já existente em países como o Reino Unido, é um caminho possível, mas o País está a falhar nessa matéria porque "não há legislação e se calhar falta vontade política", concluiu Pedro Pais de Almeida, sócio da Abreu Advogados. Para Celso Grecco, promotor da Bolsa de Valores Sociais, o desafio da criação de valor dos projectos é decisivo para o auto-financiamento das instituições e para uma visão mais social do sector corporativo, onde "não basta empreender, há que saber vender". A necessidade de criação de uma rede lusófona capaz de encerrar o que de melhor se faz e se investiga nesta área marcou a discussão no segundo dia de congresso. Empreendedores sociais de Portugal, Brasil e Moçambique deixaram os seus testemunhos, numa mesma língua e convergindo numa ideia comum: a importância de se discutir o ES em português, como veículo para ajudar a "mudar o mundo através de causas". Exemplo de trabalho em rede, o Congresso do ES conseguiu, segundo o presidente do IES, Miguel Alves Martins, "criar sinergias entre parceiros e trazer ao público português as visões corporativas, políticas e sociais de um tema essencial nos tempos que correm." ![]() ![]() |