À conversa com: Francisco Alvim e Ricardo Rodrigues* ![]() 15/11/11, 12:57 Integração social através do ténis Valorizar a promoção do desporto na formação de jovens desfavorecidos e dar-lhes saídas profissionais são os grandes desafios da Academia dos Champs, que "procura tirar os jovens das ruas, canalizando a sua atenção e motivações para actividades e objectivos que evitem que eles sigam o caminho da criminalidade". A prática de ténis "ensina a saber lidar com a vitória e a derrota, possibilitando a cada um fazer um bom ou mau uso do sucesso" A Academia dos Champs (ADC) é um projecto de integração social através do ténis que nasceu em 2009 e actua de momento no concelho de Oeiras. António Champalimaud é o mentor desta associação, já que "foi o responsável pela idealização e planeamento deste ambicioso projecto", com o objectivo de transmitir a sua experiência como desportista e demonstrar que são muitos os benefícios de se encarar o desporto como filosofia de vida: ao nível do bem-estar e condição física, mas também ao nível da personalidade, autodisciplina, auto-estima, qualidade da organização de tarefas do dia-a-dia e forma como uma pessoa se relaciona em sociedade, explicam ao OJE Mais Responsável Francisco Alvim e Ricardo Rodrigues. Segundo os dois membros da direcção da ADC, Champalimaud garantiu desde o primeiro dia que o projecto estivesse dotado dos meios financeiros necessários ao seu desenvolvimento e sustentabilidade, e, em simultâneo, procurou envolver associados fundadores "que são empresas e indivíduos com grande mérito e reconhecimento no seu respectivo sector" e que faziam parte da rede de contactos que desenvolveu, através da sua actividade profissional. Todos eles "se integram com a ADC numa filosofia de outsourcing, e se disponibilizaram de imediato para colaborar em regime pro-bono": na área jurídica a Abreu Advogados, na tecnológica a Globalstep, na financeira a Newsourcing e na de comunicação e imagem a Partners)". Valorizando a promoção do desporto na formação de jovens desfavorecidos, a ADC tem "alguns objectivos que são atingidos diariamente e facilmente quantificáveis, sublinham Francisco Alvim e Ricardo Rodrigues: "o sorriso no rosto de um jovem durante um jogo de ténis, a sua satisfação ao tomar contacto com o ténis profissional pela primeira vez, quando visita o Estoril Open, o facto de estar connosco no campo, em vez de ocupar o seu tempo de uma forma menos saudável". Outros objectivos, como a formação do carácter, "só poderão ser atingidos a longo prazo". Dar saídas profissionais a estes jovens é outro dos objectivos. Estas saídas "vão depender em grande parte do nosso trabalho no campo" mas também do sucesso na implementação de parcerias que já estão em curso com várias entidades. O recrutamento interno dos alunos seria a cereja em cima do bolo", concluem. As actividades consistem essencialmente em aulas de ténis, clínicas (nas épocas de férias) e torneios regulares, onde se procura potenciar uma interacção saudável entre todos os participantes, fora do âmbito normal das aulas. Assim se alia a prática de ténis à aquisição de skills de desenvolvimento pessoal e social, sob a coordenação dos monitores da ADC e a supervisão de Miguel Plantier, responsável técnico da Associação. A ADC conta ainda com o apoio de colaboradores das instituições que têm protocolos e acordos de cooperação, como a Câmara de Oeiras, Aldeias SOS de Bicesse, a FPT e a Lagos Sports. O ténis é um desporto individual e como tal, bastante diferente dos desportos colectivos, explicam os dois responsáveis: "na medida em que o jogador de ténis está sozinho em campo, apenas pode contar com ele mesmo. Um jogo de ténis pode durar algumas horas, período em que o jogador pode passar rapidamente da euforia à frustração, da concentração à distracção, do empenho total à desistência". Na sua opinião, o ténis ensina uma pessoa a saber lidar com estas oscilações de humor, a saber ganhar a um adversário mais forte, explorando as suas fraquezas, a ajustar a estratégia, a ter um plano B. Ensina igualmente, como qualquer outro desporto, a saber lidar com a vitória e a derrota, possibilitando a cada um fazer um bom ou mau uso do sucesso, da notoriedade, da exposição pública, defendem. Assim, "um atleta de alta competição que seja consistentemente bem sucedido tem obrigatoriamente que ser uma pessoa disciplinada, que sabe determinar objectivos ambiciosos e atingi-los. Tem também que estar preparado para fazer grandes sacrifícios em prol desses objectivos". O projecto está implementado através de núcleos, os quais têm sido dinamizados através da equipa no campo, que envolve monitores de ténis, responsável técnico e Direcção da ADC. Como destacam os dois responsáveis, este modelo inclui avaliações trimestrais, onde são considerados tanto os factores técnicos ligados à evolução do jovem enquanto atleta, como factores ligados à sua evolução como indivíduo, ao nível comportamental e dos seus resultados escolares: "existe uma forte interacção entre a nossa equipa e a equipa de acção social do núcleo abrangido, pois o objectivo é trabalharmos em conjunto para o mesmo fim". Ao fim de dois anos de actividade, o balanço da iniciativa "é francamente positivo", estando activos neste momento dois núcleos: Outurela-Portela e Aldeias SOS Bicesse. "Estamos a ultimar o formato para um novo Núcleo na Galiza em São João do Estoril", adiantam os directores da ADC. De resto, o número de alunos tem vindo a aumentar e, apesar de o momento actual ser "bastante adverso" para angariação de financiamentos e patrocínios, "temos sido criativos e arranjado formas alternativas de desenvolver a nossa actividade, mais numa lógica de parceria do que de fundraising". Como comentam Francisco Alvim e Ricardo Rodrigues, devido à situação económica a criminalidade tem tendência a aumentar. A ADC "procura tirar os jovens das ruas", nos bairros onde actua, envolvendo-os no desporto e canalizando a sua atenção e motivações, para actividades e objectivos que evitem que eles sigam o caminho da criminalidade. * Membros da direcção da Associação dos Champs ![]() ![]() |