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Porque é preciso cuidar de quem cuida
À conversa com: Madalena Malta

08/02/11, 10:25
OJE

O envelhecimento demográfico e o aumento das doenças a ele associadas, especialmente as demências e as doenças cerebrovasculares, constituem uma preocupação actual, na medida em que acarretam sérios défices, que afectam a qualidade de vida e o bem-estar biopsicossocial dos idosos e seus familiares. E foi para dar resposta a este complexo problema que nasceu o Projecto Cuidar de Quem Cuida, que espera vir a ter uma rede de cerca de 400 cuidadores informais.


Madalena Malta é directora técnica e pedagógica do CASTIIS (Centro de Assistência Social à Terceira Idade e Infância de Sanguêdo), entidade promotora do projecto Cuidar de Quem Cuida

Tendo sido diagnosticada a crescente incidência da doença de Alzheimer e das situações de pós-AVC na região Entre Douro e Vouga (EDV) e a consequente necessidade de desenvolver respostas sociais e de saúde direccionadas para a maximização do bem-estar do doente e, sobretudo de quem dele cuida, nasceu o Projecto Cuidar de Quem Cuida, em Junho de 2009, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Social da Plataforma Supra Concelhia desta região, e que se prolongará por um período de quatro anos. Como explica a responsável pelo mesmo, Dra. Madalena Malta, "o Projecto é destinado a cuidadores informais de pessoas com Doença de Alzheimer ou em situação de pós - Acidente Vascular Cerebral (AVC)". Enquanto órgão de concertação das cinco redes sociais da região Entre Douro e Vouga, envolve os cinco municípios da mesma, designadamente São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, Arouca e Vale de Cambra. Até ao momento, já foram abrangidos pelo Projecto 110 cuidadores informais (nove dos quais homens), através dos denominados Grupos Psico-educativos. O Projecto assenta a sua estrutura em cinco linhas de acção complementares, orientadas para o apoio aos cuidadores informais, na transversalidade da cooperação intermunicipal e multidisciplinaridade profissional. A primeira é constituída por "grupos de intervenção psico-educativa para cuidadores informais de doentes de Alzheimer e para situações de pós-AVC, tendo como principais objectivos ajudar na compreensão da doença, sensibilizando para a importância do auto-cuidado". Nesta linha de intervenção e como acrescenta a responsável, "encontram-se a decorrer três Grupos de Ajuda Mútua, sendo esta uma resposta de continuidade após o término do programa de intervenção psico-educativa, com o intuito de atenuar a percepção subjectiva de abandono, por parte dos cuidadores, pela possibilidade de partilha e percepção de ajuda mútua". A segunda linha de intervenção privilegia uma Bolsa de Cuidadores com Formação Avançada na área de prestação de cuidados a pessoas nestas duas situações. "A finalidade é criar a oportunidade de contratação destes recursos por parte dos cuidadores informais e têm sido crescentes as solicitações dos cuidadores informais e o interesse manifestado pelos cuidadores formais", sublinha Madalena Malta. A terceira linha de acção do projecto tem como objectivo a activação de redes de voluntariado locais, de modo a sensibilizar os voluntários dos cinco municípios para esta complexa problemática. Ou seja e como refere a responsável do Projecto, "permite que o cuidador beneficie de um apoio pontual ao nível de actividades quotidianas ou para simples companhia". Foi igualmente realizado um diagnóstico de respostas de descanso ao cuidador, junto das entidades das áreas social e da saúde. E, acrescenta Madalena Malta, em paralelo "pretende-se compreender a utilização de respostas de alívio e os factores que impelem ou condicionam esta mesma utilização. Está ainda a ser realizado um estudo, no sentido de se obter um perfil mais apurado dos cuidadores de idosos dependentes da região EDV". Os fóruns de discussão constituem o último eixo do projecto e têm como objectivos gerais "a sensibilização da comunidade e dos profissionais para a problemática dos cuidados informais, bem como das suas necessidades e carências", como declara Madalena Malta, acrescentando ainda que "tem sido cimentado o envolvimento e sensibilização da comunidade escolar, pretendendo-se que os alunos sejam agentes directos na conceptualização/ promoção de iniciativas que fomentem, crescentemente, as vantagens do auto-cuidado nos cuidadores informais". A "integração entre cuidadores e cuidados" é outra das mais-valias deste projecto inovador. Ou seja, "a intervenção junto dos receptores de cuidados ocorre paralelamente às sessões psico-educativas e quando o cuidador não tem retaguarda familiar que assegure os cuidados ao doente na sua ausência", afirma a responsável. "Desta forma, as sessões de estimulação com os receptores de cuidados ocorrem numa sala contígua à dos cuidadores, reforçando-se, sempre, a necessidade da manutenção da autonomia e capacitação dos doentes (em conformidade com os conhecimentos transmitidos aos cuidadores)", acrescenta. Em termos de objectivos futuros, o principal é sua replicação à escala nacional. "Neste momento, o Projecto encontra-se ainda numa fase de teste/avaliação de metodologias e concertação plena dos recursos envolvidos na implementação e desenvolvimento do mesmo", afirma Madalena Malta. "No entanto, consideramos de extrema relevância a replicação de mais grupos psico-educativos e a estruturação e implementação das restantes linhas, para que posteriormente se possam criar ferramentas e metodologias de trabalho com vista à sua replicação". Até agora e em pouco mais de um ano de existência, realizaram-se 13 grupos psico-educativos, oito para cuidadores de doentes de Alzheimer e cinco para cuidadores de pessoas em situação de pós-AVC. Prevê-se que até ao final do Projecto sejam abrangidos cerca de 400 cuidadores informais o que é, sem dúvida, uma excelente notícia.

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