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Montepio
Acções esperam pela inversão

22/02/10, 21:13

As últimas semanas foram ricas em notícias económicas, muitas delas contraditórias, levando os mercados a reagir com algum nervosismo e globalmente de forma negativa.
O foco central de atenção dos investidores foi sem dúvida a crise grega. Depois das grandes instituições, e dos estados periféricos, é agora a vez dos membros mais fracos da zona euro de serem alvo de ataques especulativos. Na ausência de qualquer alteração concreta às regras de mercado, esta nova etapa na demonstração das aberrações do capitalismo financeiro não é de estranhar.
Felizmente o risco de incumprimento dos governos gregos, portugueses e espanhóis não se encontra nos níveis implícitos ditados pelas valorizações atingidas das suas obrigações. Infelizmente o impacto psicológico e financeiro para as nossas economias é extremamente negativo a curto como a médio prazo. Voltamos a ser considerados enquanto "mercados pseudo-emergentes" com o que isso traz de volatilidade e prémios de risco exigidos.
Do lado das economias dominantes, as notícias foram contraditórias: confirmação de um regresso ao crescimento da economia americana, mas sem criação de emprego, o que põe em causa a sua sustentabilidade. Na Europa, uma actividade que mostra ainda uma grande fraqueza, nomeadamente na Alemanha, com um numero de desempregados em crescimento. A França é um dos poucos países com sinais de inversão dessa tendência, apresentando números de desemprego em ligeira diminuição e uma sequência de três trimestres de crescimento.
Os mercados de acções estão agora à espera de uma clara inversão de tendência para regressarem ao optimismo. Esperemos próximas semanas mais animadoras.
- Acções
A praça Portuguesa aproveitou o arrefecimento da questão grega para recuperar nos últimos dias parte das perdas sofridas em relação aos principais índices europeus. O PSI 20 continua em terreno negativo desde o inicio de 2010, perdendo perto de 10% até 17 de Fevereiro, enquanto o Euro Stoxx 50 situa se num deslizo de cerca de 7%. Do lado das bolsas americanas, os resultados são um pouco mais animadores, os principais índices conseguindo praticamente regressar ao equilíbrio. O índice de volatilidade VIX continua em níveis elevados, perto de 22, sinal do nervosismo dos operadores que reagem com força a cada uma das noticias macroeconómicas ou relacionadas com a questão grega.
As praças Emergentes também atravessaram o período com alguma dificuldade, por razões intrínsecas como a decisão chinesa de aumentar os níveis de reservas exigidos dos bancos, mas também por efeito de fuga para a qualidade dos operadores à procura de menos volatilidade, conseguindo no entanto um melhor desempenho do que a Europa.
- Taxa Fixa
Os mercados de taxa fixa mantiveram se pouco alterados nas grandes economias, o impacto da crise grega ficando concentrado na evolução dos yields gregos e portugueses. O yield da divida portuguesa de 10 anos voltou para valores mais razoáveis, baixando para 4,4% depois de um máximo de 4,75% em 8 de Fevereiro, longe dos valores gregos que ainda se mantêm muito acima dos 6%.
- Mercados cambiais
A crise grega e o nervosismo dos mercados de acções vieram enfraquecer o euro em relação ao dólar. A relação EUR-USD continua de evoluir negativamente, o Euro chegando a valer 1,36 dólares em 15 de Fevereiro, o seu nível mais fraco desde Maio de 2009. A relação EUR-GBP também se mantém num deslize progressivo desde o ponto alto de 0,94 em Outubro de 2009 para cerca de 0,87.
 - Petróleo e matérias-primas
O petróleo e as matérias-primas reagiram negativamente às várias medidas de travagem da actividade por parte das autoridades chinesas, aos sinais de recuperação fraca das economias europeias e à evolução positiva do Dólar. No entanto, a forte procura de produtos de aquecimento nos Estados Unidos e na Europa, por causa de temperaturas excepcionalmente baixas, veio contrariar um pouco esta evolução, o petróleo recuperando perto de 10% desde o seu mínimo de 71 dólares em 8 de Fevereiro.


Diogo Santos Teixeira, CEO da Optimize

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