Acções europeias permanecem atractivas ![]() ![]() 25/01/10, 21:17 A recuperação económica da Europa está em curso, em grande parte liderada pela França e Alemanha, com dados económicos encorajadores e resultados empresariais acima das expectativas a preparar o caminho para o regresso a um crescimento sustentável. Ainda assim, este caminho não deverá ser fácil, devido às perspectivas de crescente desemprego e de enfraquecimento da procura por parte dos consumidores à medida que a liquidez e os planos governamentais de incentivo chegarem ao fim. Pela positiva, há a ressaltar que muitas empresas europeias têm uma presença global bem implantada, tendo demonstrado capacidade para adaptar as suas operações de modo a fazerem face às diferentes condições económicas. Estas empresas têm sido particularmente eficazes no que se refere à redução das suas bases de custos com vista a preservar as margens, o que as deixa bem posicionadas para proporcionar um crescimento positivo dos lucros em 2010. Este é um dos factores que nos leva a considerar que, apesar da mais recente subida do mercado, as avaliações não parecem ainda exageradas. Estima-se que os PER europeus actuais se situem em aproximadamente 12,5 vezes os lucros de 2010 e, paralelamente, as acções europeias parecem representar bom valor relativamente a outras acções regionais. Se compararmos, por exemplo, os múltiplos de Shiller das acções europeias e norte-americanas durante os últimos 30 anos*, os PER europeus são actualmente bastante inferiores às médias históricas, situando-se perto dos mínimos históricos relativamente aos múltiplos norte-americanos. É certo que as acções europeias já registaram valorizações de mais de 50% mas os dividend yields das acções ainda se encontram aos mesmos níveis, ou a níveis superiores, aos das yields dos títulos de dívida pública. Num mundo onde os bancos centrais continuam a imprimir moeda e parecem determinados a criar inflação, os "activos reais" - como as acções, o imobiliário e as matérias-primas - permanecem atractivos. Naquela que foi uma subida relativamente pequena liderada pelos títulos cíclicos desde Março, vale a pena observar também as avaliações ao nível sectorial. Se considerarmos o sector de materiais relativamente ao de cuidados de saúde, após a grande revisão dos ratings dos títulos cíclicos a que assistimos em Março, vemos uma disparidade muito maior entre as avaliações destes sectores. O cenário que está agora a definir-se indica que os sectores mais cíclicos estão a aproximar-se dos intervalos máximos das suas avaliações relativas enquanto os sectores mais defensivos estão a atingir os mínimos do seu intervalo histórico de negociação. Esta dualidade criou algumas oportunidades atractivas: de investir num maior número de empresas grandes, defensivas e de elevada qualidade, que estão a oferecer bom valor, com bons drivers de crescimento estrutural e que ainda terão de ser recompensados pelo mercado. ![]() ![]() |