| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 28/11/11, 20:15
A evolução da situação na Europa nas últimas semanas não tem sido a melhor, o que nos tem obrigado a rever as nossas previsões económicas. Acreditamos que poderemos assistir a uma diminuição da actividade económica na Zona Euro, e que isto terá impacto na actividade económica global. As nossas previsões apontam agora para um crescimento da actividade económica mundial de 1.8% em 2012, inferior aos 3.4% que até aqui prevíamos. A contracção do produto na zona Euro poderá ser de 1.8%, fruto de um aumento dos custos de financiamento nos países da periferia, restrições ao crédito associadas à desalavancagem dos bancos e de políticas de grande austeridade fiscal. É provável que todos os países da região - incluindo a Alemanha - tenham uma diminuição da actividade económica no próximo ano. A reacção necessária neste cenário será uma manobra de expansão monetária (quantitative easing, ou QE) por parte do BCE, associada a apoio financeiro e monitorização da execução orçamental italiana por parte do FMI. Infelizmente, como se sabe, a actual posição política da Alemanha é contrária à aplicação da primeira destas medidas, e provavelmente serão precisos um ou dois trimestres de crescimento negativo para que essa posição venha a mudar, o que possivelmente atrasará a sua entrada em vigor para o segundo trimestre de 2012. Se assim for poderemos assistir a três trimestres consecutivos de contracção do produto até que haja finalmente uma recuperação no final do ano, mas a intervenção permitirá que as taxas de dívida pública desçam na periferia, a confiança dos investidores seja restaurada, as finanças públicas europeias voltem a uma rota de consolidação e o Euro estabilize, talvez a uma paridade mais baixa.
Nos Estados Unidos, a economia continuará a expandir, mas a um nível um pouco mais lento do que até aqui esperávamos: 1.6%. É provável que aqui a Reserva Federal reaja também com um novo plano de expansão monetária. A actividade económica na Ásia também se irá ressentir, apesar de continuarmos a esperar um crescimento em 2012, e no Japão em particular poderemos assistir aos efeitos positivos dos esforços de reconstrução no próximo ano. Especialização e diversificação Este é sem dúvida um ambiente económico que apresenta alguns desafios aos investidores portugueses. As aplicações tradicionais em depósitos, obrigações e acções nacionais, que ainda compõem a maioria das carteiras, estão particularmente condicionadas pela situação que o país atravessa. É inegável que o risco de investimento nestes activos é elevado e que a sua rentabilidade está condicionada no futuro imediato. Também aqueles investidores que procuram activos de refúgio, e que antes encontravam segurança no mercado monetário e de obrigações do tesouro nacional, se deparam actualmente com uma enorme volatilidade e cenários de evolução binários que não satisfazem essa necessidade. A diversificação dos investimentos, não só por classe de activo como também por zona geográfica, que temos vindo a apregoar há tanto tempo, é agora mais urgente que nunca. Não só essa diversificação é urgente, como o recurso à competência de especialistas é crítico. A capacidade de análise financeira e intervenção nos mercados em tempo real reveste-se de uma enorme importância, se queremos assegurar a protecção do património em momentos de evolução negativa dos mercados, e o aproveitamento das oportunidades que surgem quando essas correcções são exageradas, como quase sempre o são neste contexto. Para além da diversificação dos investimentos por classe de activos e zona geográfica recomenda-se portanto que os investidores procurem intermediários financeiros, ou fundos de investimento, com provas dadas da sua capacidade de gerir a rotação da sua carteira entre as várias classes de activos, de forma proactiva, em função da sua evolução relativa esperada. Estes fundos existem sob a designação de fundos multi-activos e associam a construção estratégica da carteira - a decisão de que activos incluir, e em que percentagem média - a gestão táctica - o ajuste contínuo do peso de cada activo na carteira com base nas suas perspectivas de evolução futura - a selecção de títulos, baseada na análise financeira das empresas emitentes, e a gestão do risco global da carteira - que pode ser ajustada para valores mais altos ou mais baixos conforme o gestor perceba que esse risco irá ser ou não adequadamente remunerado por rentabilidade.
Há vários exemplos no mercado deste tipo de soluções, pelo que são razoavelmente fáceis de encontrar, mas não podemos deixar de sublinhar a importância de o fazer no actual contexto, como forma de enfrentar um ambiente de investimento particularmente volátil. Pedro Assis, Sub-director Geral da Schroders em Portugal e Espanha
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