| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 30/01/12, 20:08
O ano passado provou ser um período excepcionalmente volátil para os mercados emergentes e o que agora começa não parece querer oferecer grande descanso aos investidores. As discussões políticas parecem dominar os acontecimentos, mais até do que a evolução económica subjacente e, em geral, os mercados emergentes deverão continuar sensíveis a choques exógenos, sobretudo aos acontecimentos mais relevantes na Zona Euro. No entanto, do ponto de vista fundamental as economias emergentes continuam fortes e os seus mercados de capitais já descontam uma boa parte das eventuais más notícias. Mais importante ainda é que a tendência estrutural de crescimento e valorização das economias e dos mercados emergentes nos parece estar intacta e, neste sentido, entendemos que qualquer queda associada a acontecimentos exógenos poderá ser potencialmente geradora de oportunidades de compra. Mais além, a actividade económica global continua sujeita a grandes incertezas. Apesar de a Europa estar a tentar dar passos na direção de uma maior integração fiscal, ainda pouco se fez para resolver as questões relacionadas com a solvência de países e instituições. A debilidade da economia da região tem estado bem patente tanto nos índices de gestores de compras (PMI) como também na evolução do mercado de crédito, que mostra sinais de contração. Apesar de tudo, as medidas de emergência adotadas pelo Banco Central Europeu, que incluíram um reforço considerável dos leilões de liquidez, têm ajudado a estabilizar a situação. Ainda assim, nada se tem feito de concreto para estimular o crescimento no velho continente, o que levou alguns analistas a concluir que a situação se tem de deteriorar ainda mais para que os decisores sejam pressionados a tomar as medidas necessárias. Os economistas da Schroders prevêem uma recessão na zona euro, com uma queda de menos 1.8% do PIB. Esta recessão terá certamente efeitos na economia global, que prevemos venha a crescer 1.9% em 2012. A informação económica que vai sendo conhecida sobre os EUA aponta para uma melhoria das condições, mas as previsões são, mesmo assim, de um crescimento de apenas 1.7%.
Como sempre, apesar de todos os países serem, em maior ou menor grau, afectados pela conjuntura económica global observamos que, do ponto de vista económico, os mercados emergentes continuam colectivamente a apresentar indicadores mais robustos que os mercados desenvolvidos. Até mesmo dentro do conjunto dos mercados emergentes se podem ver algumas diferenças, que importa analisar para que se possa constituir uma carteira de investimento diversificada mas focada nas melhores oportunidades. Na Ásia, por exemplo, apesar de subsistirem alguns receios sobre o abrandamento na China, a urbanização, a industrialização e os factores demográficos permitem antecipar um cenário macroeconómico positivo de longo prazo. Também no Brasil, apesar de alguns acontecimentos conjunturais, se vislumbra um crescimento sustentado graças às características demográficas do país, ao crescimento da classe média, ao investimento em infraestruturas e à convergência das taxas de juro para níveis mais baixos. A médio prazo, a economia deverá ainda beneficiar do investimento nos Jogos Olímpicos e no Mundial de Futebol. Como conclusão, podemos dizer que pouco mudou nas nossas expetativas quanto à evolução dos mercados emergentes: o futuro imediato continua a ser imprevisível e vulnerável ao que entendemos ser um risco anormalmente elevado de acontecimentos exógenos a este grupo de países.
No entanto, a médio e longo prazo tudo aponta para a manutenção da tendência de crescimento económico e valorização dos mercados, sobretudo se considerarmos que, aos preços actuais, as empresas que compõem o índice MSCI de mercados emergentes transaccionam em média com um múltiplo de 9.5 vezes os resultados, o que é substancialmente inferior à média de longo prazo de 13 vezes. Acresce que continuamos a acreditar que os resultados irão crescer em média 10% a 15% e, como os mercados emergentes tiveram um comportamento particularmente negativo em 2011, esta realidade torna-os bons candidatos para uma recuperação este ano, se estiverem reunidas as condições necessárias. Pedro Assis, Sub-director Geral da Schroders em Portugal e Espanha
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