| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 20/12/11, 19:40
Estamos a chegar ao fim do ano, altura em que por hábito fazemos o balanço dos últimos 12 meses e traçamos cenários para os seguintes. Comecemos pelo óbvio: 2011 não foi um ano bom, a economia mundial chegou ao fim do ano num estado relativamente frágil e por isso mais vulnerável a qualquer choque. Os bancos centrais dos países desenvolvidos não podem fazer muito mais para resolver a situação, o que significa que estamos todos mais dependentes da política fiscal, ou seja, de políticos. Esta não é uma situação ideal. Veja-se o caso europeu, no qual os responsáveis políticos estão a ter enorme dificuldade em chegar a um acordo porque têm de facto objectivos e visões diferentes do problema: os do Sul tentam resistir a medidas de austeridade mais gravosas e os do Norte querem impor mais disciplina orçamental. As perspectivas de crescimento para 2012 são de um crescimento lento. É provável que continuemos a assistir a um abrandamento da actividade económica, em grande parte devido à zona Euro, que deverá entrar em recessão em 2012. Esta recessão tem origem na crise de dívida soberana, numa contracção do crédito concedido em consequência da necessidade de reduzir a alavancagem tanto do sector financeiro como das famílias, e na subsequente quebra de confiança. Este abrandamento é já visível nas estatísticas económicas que têm vindo a ser publicadas ao longo do quarto trimestre. A zona euro representa 25% do produto mundial e uma recessão aqui terá efeitos no crescimento económico de todo o Mundo, se bem que, apesar de tudo, ainda esperamos ver crescimento económico nos Estados Unidos, Japão e Mercados Emergentes. É este o cenário económico que tem deprimido as avaliações dos activos financeiros. Por último, e como se não fosse suficiente, os mercados têm ainda que lidar com a especulação em torno da própria estrutura da União Europeia e dos mecanismos sobre os quais assenta.
A contracção do crédito na Europa é real e são claros os sinais nesse sentido, em particular - mas não exclusivamente - nos países do Sul. Dada a dificuldade que os políticos têm revelado em encontrar uma solução credível para o financiamento público e estabilização do sector financeiro é possível que tenhamos que lidar com dificuldades no acesso ao crédito ao longo de 2012. A confirmar-se, isto agravaria a recessão na maior parte dos países. É no entanto um problema que pode gerar a sua própria solução, pois acreditamos que, a partir do momento em que países com a França comecem a ter problemas sérios, o BCE adoptará medidas de expansão da massa monetária (quantitative easing) mesmo contra a opinião dos alemães. Pelo lado positivo, os preços das commodities parecem ter chegado ao seu máximo relativo e a inflação deverá cair no próximo ano. Não acreditamos que a China tenha um abrandamento súbito e forte, mas é evidente que irá reduzir o seu ritmo de crescimento, sendo os sinais mais visíveis no mercado imobiliário. Isto é exactamente o que as autoridades chinesas procuravam alcançar com as medidas de política monetária dos últimos trimestres. A vantagem é que a China tem várias formas de compensar este abrandamento e manter o ritmo de crescimento económico acima dos 7% no próximo ano. Em reacção a tudo isto os investidores continuarão a procurar aplicações que lhes possam produzir um rendimento corrente (yield) satisfatório, como forma de rentabilizar o seu património num ambiente de baixas taxas de juro em todo o Mundo. A nossa opinião é que poderão encontrar esse rendimento no mercado de capitais, em particular em crédito de alto rendimento, ou high yield. Também no mercado de acções se conseguem encontrar títulos de empresas de elevada qualidade de crédito e com uma longa história de pagamento de dividendos, que se poderão manter a níveis interessantes como proporção do preço pago hoje pelas acções.
Por último, e como se verifica ciclicamente nos mercados, períodos de grande incerteza e aversão ao risco como o que estamos a atravessar tendem a deprimir as cotações além daquilo que mais tarde se vem a verificar justificável. Uma resolução credível da crise europeia poderia alterar substancialmente a avaliação que actualmente se faz de acções e títulos de crédito de emitentes europeus, e poderíamos assistir a uma valorização substancial. Pedro Assis Sub-director Geral da Schroders em Portugal e Espanha
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