Europa: crise de confiança cria oportunidades ![]() ![]() 26/07/10, 19:55 No princípio deste ano antecipámos que os mercados de acções atravessariam um período de alta volatilidade e falta de direcção definida depois do forte movimento de subida a que tínhamos assistido em 2009. Decorridos que estão os primeiros seis meses do ano, podemos observar que o MSCI Europe caiu cerca de 5%, com os chamados países periféricos a caírem mais de 10% pelas razões que se conhecem. Olhando para os próximos seis meses, podemos afirmar que estamos mais positivos, em parte porque a aversão ao risco de investimento na zona euro parece estar a níveis exageradamente elevados, algo que na nossa opinião se deveria aproveitar. A história que ouvimos inúmeras vezes ao longo dos últimos meses conta-se mais ou menos assim: o Euro está sob ameaça e a União poderia desmembrar-se devido à espiral negativa de confiança que está a ser gerada pela inevitabilidade de um default da Grécia, que irá contagiar Espanha, Portugal e Itália. As dificuldades de acesso ao crédito estão a impedir o sector bancário de se financiar em condições normais, o que afecta o seu negócio e, por extensão, a economia real. A opinião dos nossos analistas é que a decisão por parte do BCE e do FMI, de reservar 750 mil milhões de euros para intervenções no mercado, se destina a evitar qualquer episódio ainda que remotamente semelhante ao que aconteceu nos Estados Unidos com o Lehman Brothers. A capacidade que o BCE terá para manter o Mercado de crédito a funcionar e evitar uma desalavancagem desordenada do sector bancário é difícil de prever com certeza, mas a magnitude e rapidez das medidas tomadas até aqui dão-lhe um bom ponto de partida. Do ponto de vista económico, não vemos que a situação seja tão má como o mercado parece descontar. Acresce que a união monetária e económica é, na sua base, uma união de vontades políticas, pelo que a sua preservação e bom funcionamento dependem de mais factores dos que até aqui se têm invocado para fazer previsões acerca do seu eventual desmembramento. É certo que assistiremos a um reajuste económico, através de medidas fiscais bastante duras em alguns casos, e a uma redução substancial do endividamento do sector privado, mas em compensação a política monetária deverá continuar a ser muito acomodatícia por muito tempo. O abrandamento económico a que se possa vir a assistir depende fortemente da habilidade que as autoridades demonstrem ter para gerir este processo de desalavancagem usando estímulos monetários. No fundo, acreditamos que a experiência dos últimos 20 anos, desde o caso japonês, e em particular dos últimos 3, deverá ser suficiente para que as autoridades meçam bem os riscos de deixar cair a economia numa segunda fase de forte abrandamento ou mesmo de recessão. Empresas com boas perspectivas... mesmo na Europa O nosso optimismo assenta na informação que temos vindo a recolher de milhares de empresas que desenvolvem a sua actividade um pouco por todo o Mundo. Fora da Europa há evidência de crescimento a um ritmo bastante saudável: a China continua a crescer, no resto do continente asiático e na América Latina encontramos economias em desenvolvimento sem problemas de dívida soberana e os Estados Unidos parecem estar a encaminhar-se para um crescimento real de 3% este ano. Recentemente, o FMI reviu em alta as previsões para a economia global de 4.2% para 4.6%. É claro que existe uma crise de confiança na Europa, tanto por parte de agentes económicos europeus como de fora da Europa. Um dos efeitos foi a significativa depreciação do Euro contra outras divisas. Desde o início do ano a divisa já desvalorizou cerca de 14% contra o dólar e 11% contra um cabaz representativo de divisas de parceiros comerciais. Uma das consequências desta desvalorização é que os exportadores europeus estão agora numa posição muito mais vantajosa. Por outro lado, na Europa é hoje possível investir em empresas multinacionais com exposição ao crescimento global a um preço substancialmente inferior ao encontrado noutros mercados. Feita uma avaliação fundamental das empresas europeias e comparadas com as empresas cotadas noutros mercados, concluímos que a diferença a favor das primeiras está nos níveis mais altos que alguma vez vimos. Dentro da Europa, o mercado de acções parece certamente mais atractivo que o mercado de obrigações de dívida pública, e com múltiplos (PER) de 12 está não só francamente abaixo da sua media histórica de 15 como também abaixo do S&P americano, que transacciona actualmente a 15 vezes os resultados previstos. A expectativa de crescimento de resultados das empresas europeias é de 16% em 2010 e talvez um pouco mais em 2011 à medida que os bancos recuperem a sua rentabilidade. Por todas estas razões acreditamos que temos uma excelente oportunidade de aproveitar esta crise de confiança para investir em empresas de boa qualidade e com boas perspectivas de crescimento que se viram arrastadas de forma indiscriminada pela queda do mercado europeu. ![]() ![]() |