Exposição às economias emergentes é tema central para Agosto ![]() 26/07/10, 19:44 O final do segundo semestre de 2010 foi marcado por quedas nos principais índices accionistas mundiais e por um alargamento dos spreads de crédito. A volatilidade durante estes seis meses foi maior que o verificado em 2009 e, por momentos, os mercados financeiros voltaram a registar uma aversão ao risco generalizada provocada pelo ressurgir do risco sistémico - depreciações transversais pelas diversas classes de activos e regiões. Assim, entre o final de Maio e o início de Junho os mercados accionistas europeus e norte-americanos registaram os mínimos de 2010, com quedas superior a 15% desde os máximos registados durante este ano. O sentimento tem sido pressionado, por um lado, pela crise orçamental que se instalou na Zona Euro, concretamente nos países periféricos, e, por outro lado, pelas propostas para regulação financeira que têm sido efectuadas pelos EUA e pela Zona Euro, com suporte, mais ou menos consensual, do G20. Neste segundo ponto, de notar que existem diferenças entre a Europa e os EUA nos pacotes de medidas propostos, bem como nos seus timmings: nos EUA a reforma do sector financeiro foi aprovada este mês; enquanto na Europa os governos têm tomado algumas medidas individuais, estando o comité de Basileia a prepara nova regulação apenas para o final de 2010 - este deverá ser um dos temas relevantes para o próximo semestre. Paralelamente, a União Europeia conduz, um ano depois de os EUA o terem feito, testes de stress aos bancos da região. Com certeza um tópico importante para o final do mês de Julho, visto os resultados dos testes serem divulgados no dia 23 de Julho. Segundo as últimas notícias, o sector financeiro poderá estar em condições mais favoráveis que o perspectivado, mas, ainda assim, algumas casas de research avançam com a necessidade de aumentos de capital de cerca de €100 mil milhões. A crise orçamental da Zona Euro, um tema que tem estado em destaque desde o início do ano, deverá ter um duplo efeito na conjuntura financeira e económica: 1) receios sobre as necessidades de financiamento dos países periféricos e eventual default de alguma destas economias (Grécia em destaque); e 2) retoma económica mais moderada, como consequência da política fiscal restritiva, com menor despesa do estado e maiores custos fiscais para os contribuintes. Este deverá ser outro tema fundamental para os próximos meses, uma vez que se espera um segundo semestre com crescimento económico mais fraco. De facto, os últimos indicadores macroeconómicos apresentados nas economias desenvolvidas (mas também nas economias emergentes) parecem sinalizar este abrandamento, com o sector imobiliário e o mercado de trabalho a tardarem em recuperar, o que por sua vez condiciona o consumo das famílias. Como factores positivos temos tido a recuperação dos resultados das empresas e de alguns sectores de actividade - nomeadamente indústria. Os lucros das empresas parecem registar uma retoma dinâmica (em ‘V'), após o trabalho de redução de custos efectuado durante 2009. Para as empresas, a exposição às economias emergentes tem sido relevante, aumentando a preponderância destes mercados na geração dos lucros. Com a earnings season a decorrer até Agosto, este tema deverá ser central no próximo mês. Até à data, têm-se registado mais surpresas positivas que negativas e estima-se que os resultados mantenham a tendência de crescimento. ![]() ![]() |