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Montepio
Ideias de investimento para os próximos meses

22/02/10, 20:53

Nas últimas semanas os nervos dos investidores foram testados com o anúncio de uma política monetária mais restritiva na China (refreando a expansão da principal locomotiva da recuperação global) e com as dúvidas sobre a capacidade dos governos ocidentais em financiarem os seus défices e manterem o apoio às economias por via orçamental, em particular nos países mais fragilizados como a Grécia ou Portugal.
Neste artigo, apresentamos a nossa actual visão para os mercados de acções e obrigações, identificando alguns riscos e oportunidades de investimento, que enquadraram as alterações efectuadas às Carteiras Modelo do ActivoBank7 no passado dia 21 de Janeiro.

 
1. Redução de exposição a dívida pública de países desenvolvidos

 
O aumento sem precedentes da despesa pública, para combater a maior crise económica das últimas décadas, deixa uma pesada factura com que os Governos dos países desenvolvidos se irão confrontar durante os próximos anos. Entre 2007 e 2014, estima-se que a dívida pública dos países desenvolvidos suba de 78% para 118% do seu Produto Interno Bruto (PIB).

 
A progressiva normalização da política monetária, o eventual fim dos programas de Quantitative Easing (no último ano, o Banco de Inglaterra comprou 25% de toda a dívida pública do Reino Unido) e o significativo aumento do endividamento irão colocar os preços da dívida pública sob pressão, em particular a dos países com maiores desequilíbrios orçamentais (como os EUA, o Reino Unido e os países periféricos da Zona Euro).

 
Em 2010, deveremos assistir a uma estabilização de spreads na dívida de empresas e de mercados emergentes, mas estes segmentos deverão continuar a beneficiar de uma dinâmica favorável entre procura e oferta, num contexto de procura de rendimentos mais elevados, pelo que aumentámos a exposição a estes segmentos nas Carteiras.

 
2. Redução de exposição a acções de mercados emergentes

 
Depois de uma subida de 89% dos mercados accionistas emergentes desde os mínimos de Outubro de 2008, o que compara com uma valorização de 34% dos países desenvolvidos no mesmo período, os mesmos estão próximos dos valores mais caros da última década (considerando o rácio Price Earnings Ratio, que compara os seus preços com os resultados por acção), ao contrário dos mercados desenvolvidos.

 
Embora os países emergentes mantenham boas perspectivas de evolução a médio e longo prazo (serão responsáveis por 70% a 80% do crescimento económico mundial nos próximos anos), e seja possível argumentar que por vezes as cotações de mercado têm capacidade de continuar a subir muito acima dos dados fundamentais (com base no entusiasmo dos investidores), preferimos neste momento o investimento em mercados com valorizações menos exigentes, mas com uma dinâmica de evolução igualmente favorável.

 
3. Aumento de exposição a acções do sector tecnológico

 
Desde o rebentamento da "bolha tecnológica" em 2000-01, tem existido um sub-investimento crónico em Tecnologias de Informação (IT), o qual está em mínimos de 40 anos face ao PIB nos EUA. Em resposta à crise iniciada em 2007, as empresas nos EUA, Europa e Ásia aumentaram os seus níveis de liquidez em 290 mil milhões de dólares, sendo de prever que a forte subida do cash-flow leve ao aumento do investimento em hardware e software.

 
Depois de 225 milhões de iPod, 75 milhões de BlackBerry, 34 milhões de iPhone e 55 milhões de Wii vendidos na passada década, o segmento da electrónica de consumo deverá continuar a beneficiar do interesse dos consumidores por gadgets digitais, integrando internet móvel, maior largura de banda, processadores mais rápidos, e o aumento da capacidade de armazenamento de dados. Outras áreas de desenvolvimento serão a nanotecnologia, a inteligência artificial e a robótica.

 
Mesmo depois da forte valorização no último ano, os múltiplos de mercado estão ainda em níveis pouco exigentes, atendendo à provável sustentabilidade da recuperação dos resultados, a qual será facilitada pela saúde financeira das empresas do sector, que registam actualmente o mais baixo rácio de dívida em relação ao capital do índice S&P 500.

 
4. Aumento da exposição a acções japonesas

 
Entre 7 de Abril de 2006 e 25 de Novembro de 2009, o mercado accionista japonês registou uma desvalorização de 50,1%, o que compara com uma desvalorização média de apenas 4,8% dos restantes mercados accionistas a nível mundial. Desde então, o mercado nipónico tem vindo a ganhar terreno, valorizando 9,2%, contra uma desvalorização de 0,6% dos restantes mercados globais. Acreditamos que a tendência positiva do Japão, em termos relativos, possa continuar nos próximos meses, estreitando o "fosso" acumulado desde 2006.

 
O Japão foi um dos países mais afectados com a crise económica global, tendo o seu PIB registado uma quebra de 8,6% entre o pico no 1º trimestre de 2008 e o ponto mais baixo no 1º trimestre de 2009, atendendo à sua dependência das exportações.

 
A subida do iene (que atingiu recentemente um máximo de 14 anos face ao dólar norte-americano) tem impedido uma recuperação mais rápida das suas exportações. Contudo, é relativamente consensual que o iene irá enfraquecer ao longo do ano de 2010 o que, juntamente com o novo pacote de 7,2 triliões de ienes de medidas de estímulo, deverá dar um novo impulso aos resultados das empresas e ao mercado accionista.

 
Gonçalo Gomes
Direcção de Marketing ActivoBank7
19 de Fevereiro de 2010

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