O futuro do Euro e dos mercados de acções ![]() ![]() 24/05/10, 19:34 Os mercados viveram um novo período de fortes turbulências, marcado pelo início de contágio da crise Grega à Portugal e Espanha, que obrigou os Estados da Zona Euro, o FMI e a Comissão Europeia a organizar um plano de resgate de 750 mil milhões de euros. O Banco Central Europeu iniciou, do seu lado, um programa de recompra de obrigações de Estados e Bancos da zona Euro com dificuldades de financiamento. O BCE vem copiar as receitas que funcionaram do outro lado do Atlântico e conseguiu estabilizar o custo da dívida portuguesa em níveis sustentáveis. Infelizmente as dúvidas sobre a capacidade dos governos da zona Euro em chegar a um consenso para salvar, a longo prazo, o euro, mantêm-se. Por outro lado, o impacto negativo para o crescimento das medidas complementares de contenção dos défices públicos vieram abalar a confiança dos investidores. Mais, a decisão "solitária" tomada pelo Governo Alemão, de proibir as vendas a descoberto de títulos de empresas do sector financeiro, de divida governamental e de CDS, veio deitar óleo para o lume, aumentado o nervosismo dos operadores de mercado e o receio de não ser possível manter a coesão necessária à defesa do euro. Olhando para os Estados Unidos, as notícias económicas e os resultados de empresas foram razoavelmente positivos, embora algumas estatísticas tenham mostrado sinais de um arrefecimento provável do crescimento para o segundo semestre. A queda da bolsa americana deve-se ao receio das dificuldades na Europa terem um impacto, a médio prazo, para as empresas americanas, nomeadamente pela subida brusca do dólar que põe em causa a competitividade das exportadoras. O resultado deste nervosismo foi quedas fortes em quase todas as classes de activos, com a excepção notável do ouro e da dívida dos estados "fortes". De 30 de Abril à 30 de Maio, com o euro a perder perto de -7%, o Eurostoxx 50 caiu -13,9%, o PSI20 -17,0%, enquanto o Dow Jones recuou -9,4%. Na Europa, o índice Alemão DAX foi o que melhor resistiu, descendo -6,3% no mesmo período. O recuo das praças europeias deve-se em grande parte ao "sell-off" dos investidores institucionais americanos, a queda do euro e o receio de recessão na Europa precipitando as suas decisões de sair das praças Europeias. Pelo contrário, as praças fora da zona euro, nomeadamente americanas, tornaram-se mais atractivas para os investidores europeus à procura menos volatilidade e de um enquadramento económico menos deprimido. A praça alemã também beneficiou dessa fuga ao risco, por parte de investidores ansiosos do futuro da moeda única. Do lado do mercado de dívida, as obrigações do estado português foram fortemente pressionadas, começando a seguir o caminho traçado pela Grécia até serem salvas pela intervenção do Banco Central Europeu. Chegaram a negociar com níveis de yield de 6,5% sobre 10 anos, regressando poucos dias depois para um nível mais aceitável de 4,5%. O petróleo e as matérias-primas também reagiram negativamente às dificuldades atravessadas pela Europa e, sobretudo, à queda do Euro, que deixa antecipar um recuo da procura por parte dos europeus. As próximas semanas serão críticas para o futuro do Euro, e por consequência, para o desempenho dos mercados de acções. Esperamos que os políticos chegam a uma solução de razão. ![]() ![]() |