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Montepio
O regresso do papel da diversificação

22/02/10, 21:15

A crise vivida nos mercados financeiros durante o ano de 2008 e início de 2009 foi revestida de características específicas, importantes na análise do seu impacto e da recuperação sentida a partir de Março de 2009.
Depois da falência da Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento do mundo, a sobrevivência do próprio sistema financeiro chegou a estar em causa. Foram necessários esforços inéditos, tanto em termos monetários, como em termos orçamentais, para estabilizar os mercados e a economia, evitando-se assim um cenário de depressão que estava a ser alimentado, essencialmente, pela quebra da confiança por parte de investidores e depositantes nas actuais instituições financeiras. Assim, a diversificação - o velho adágio de não pôr todos os ovos no mesmo cesto - serviu de pouco aos investidores durante a crise. De facto, num cenário de perda de confiança motivada pela maior crise financeira vivida pelas actuais gerações, foi gerada uma enorme aversão ao risco, o que resultou em performances negativas espalhadas por todas as classes de activos. De uma forma geral, os únicos activos que registaram ganhos durante a crise foram as obrigações governamentais, levando estes títulos nos EUA a registarem juros próximos de zero nos prazos mais curtos.
A partir de Março do ano passado, à medida que os estímulos massivos concedidos por governos e bancos centrais ganharam tracção junto da economia, os activos de risco realizaram uma recuperação muito significativa que os deixou, ainda assim, longe dos máximos atingidos anteriormente para a generalidade dos índices accionistas de países desenvolvidos. Este movimento, por ser essencialmente devido à recuperação dos níveis de confiança dos investidores relativamente ao sistema financeiro e à economia global, acabou, da mesma forma, por beneficiar todos os activos de risco, não fazendo distinções relativamente à qualidade dos mesmos ou às suas perspectivas de sustentabilidade no futuro.
Quando olhamos para os próximos anos em termos de investimento, é de esperar que a diversificação venha a desempenhar um papel mais relevante do que nos anos anteriores. Esta regra de ouro nos investimentos financeiros, prende-se essencialmente com a importância de um investidor estar exposto a riscos diferentes no seu portfolio de investimento, evitando assim que apenas um risco condicione de forma demasiado forte todo o retorno do portfolio. Num mundo mais "normal" em que eventos extremos - como a crise financeira global e suas consequências - não ofuscam todos os riscos particulares, estas especificidades serão mais relevantes na definição da performance das diferentes classes de activos, sectores, ou regiões.
A diversificação pode ser conseguida de diversas formas: através de diferentes classes de activos (como acções, obrigações, matérias-primas, imobiliário, etc) ou, dentro de cada classe de activos, através de exposição a diferentes sectores. Por exemplo, embora estejam dentro da mesma classe de activos, acções do sector tecnológico ou acções do sector farmacêutico são, certamente influenciadas por factores de risco diferentes. Outra forma de diversificação reside em investimentos temáticos: por exemplo, fundos de investimento cuja política de investimento se prende com um determinado tema que se considera relevante para os próximos anos - agribusiness, energias renováveis ou mercados emergentes são apenas alguns dos exemplos disponíveis em investimentos temáticos.
Diogo Serras Lopes, Director de Investimentos, Banco Best.
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