| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 28/11/11, 20:06
Dois solteiros, ambos com um rendimento anual de 17.500 euros, podem, cada um, deduzir no IRS 1.250 euros relativos a despesas de saúde, educação, imóveis e outros, portanto um total de 2.500 euros. Casadas, estas mesmas duas pessoas, cada uma com este mesmo rendimento, podem deduzir relativamente às mesmas despesas, um total de 1.250 euros. Para voltarem a poder deduzir os mesmos 2.500 euros terão que ter... 10 filhos, ou seja, dez vezes 125 euros - valor a descontar por filho. Julgo que este exemplo ilustra bem uma das alterações ao IRS que constam da proposta de Orçamento de Estado que se encontra em fase de discussão na especialidade e resulta da imposição de limites à apresentação de despesas que faziam baixar a conta do IRS. Mas o orçamento mexe em mais, as deduções de saúde diminuem de 30% para 10% de um total limitado de despesas de saúde e as deduções de despesas com imóveis diminuem de 30% para 15% e passam a abranger apenas encargos com juros, sendo excluídas as amortizações. É já um lugar-comum dizer que as famílias estão a ver os seus orçamentos apertados, mas, inacreditavelmente, fala-se apenas do rendimento da família para aferir quem está em maior ou menor dificuldade. É totalmente diferente se esse rendimento alimenta e veste uma pessoa, duas pessoas, ...seis ou sete pessoas... Contudo, este aspecto está totalmente varrido do discurso público. Quem é que tem um maior conjunto de despesas essenciais e já vive com os orçamentos mais apertados, tendo muito maior dificuldade em fazer diminuir ainda mais os gastos? Obviamente, quem tem filhos a cargo. Com o aumento do preço da electricidade e a subida do seu IVA quem é que mais sente? Obviamente, quem tem filhos a cargo. Quem é mais afectado com o aumento do custo dos transportes e o fim da comparticipação dos passes aos estudantes? Obviamente quem tem filhos a cargo e tanto mais quanto mais filhos tiver. E podíamos continuar... mas o que é absolutamente espantoso é que perante todas estas evidentes e inquestionáveis realidades, as alterações introduzidas nesta proposta de OE façam com que, para um mesmo rendimento, quem tem filhos a cargo venha a sofrer um maior aumento de imposto.
O IRS já é praticamente cego à realidade dos filhos a cargo: tem-na em consideração apenas nas deduções personalizantes ao permitir a dedução de 190 euros por ano e por filho e tem-na depois nas outras deduções de saúde, educação, ...que são agora drasticamente cortadas sem qualquer medida de equidade e justiça para estas famílias. Em números redondos, por exemplo no 3º escalão, por cada dependente o máximo que será possível deduzir será de 190 mais 125 euros: ou seja, 315 euros ano. Este valor que é aproximadamente o que o Estado obriga cada família a gastar com cada filho em manuais escolares por ano é, supostamente, o que o mesmo Estado acha que é suficiente para pagar as despesas anuais de alimentação, vestuário, casa, água, luz, escola, transportes,... Se não tivesse graça nenhuma dava vontade de rir... Ana Poiares Maduro Cid Gonçalves, secretária-geral da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
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