| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 28/11/11, 20:17
O ouro tem alimentado os sonhos e o imaginário de várias civilizações. Para além de ser esteticamente belo, é igualmente sinónimo de riqueza e de poder. Parte do apelo e valor do ouro resulta da sua escassez: se todo o ouro do mundo já extraído fosse fundido, formaria um cubo com apenas 20 metros de altura, cabendo facilmente debaixo do 1º andar da Torre Eiffel, em Paris. Estima-se que mais de 90% deste volume tenha sido produzido desde 1848, data em que a promessa de riqueza fácil atraiu milhares de aventureiros à Califórnia, naquela que ficou conhecida como a primeira grande corrida ao ouro (Gold Rush). Na actual conjuntura de baixo crescimento, elevado desemprego, taxas de juro próximas de zero em muitos países, queda dos mercados accionistas e incerteza política e económica, os investidores têm procurado refúgio neste metal precioso. O ouro está a caminho do seu 11º ano consecutivo de valorização, tendo atingido no passado mês de Setembro um novo máximo histórico, em termos nominais, acima dos 1.900 dólares norte-americanos por onça. É fácil esquecer que, até há 40 anos, o valor do ouro foi razoavelmente constante ao longo de séculos, antes da decisão do Presidente Nixon de cessar em Agosto de 1971 a convertibilidade do dólar em ouro, iniciando a era da Moeda Fiduciária. Desde então, o ouro registou uma valorização anualizada (em dólares) de quase 10%, largamente superior à taxa de inflação anualizada nos EUA, que foi pouco superior a 4% no mesmo período. Nada mau para um activo que não gera qualquer rendimento e que tem pouca utilidade para além da joalharia! Estes resultados parecem validar o mito de que o ouro é uma boa protecção contra a inflação. Mas tal não corresponde necessariamente à verdade: apenas em 55% dos períodos anuais desde Agosto de 1971 a valorização do ouro superou a taxa de inflação. Na realidade, uma parte substancial da valorização do ouro nas últimas 4 décadas concentrou-se nos períodos de 1971-1980 e 2001-2011. Como será a partir daqui?
A relação entre as taxas de juro reais e o preço do ouro Não sendo possível antecipar com exactidão a evolução do preço do ouro, existe uma variável que tem tido uma correlação elevada com o mesmo, e que consideramos particularmente relevante para quem pretenda investir neste mercado: as taxas de juro reais (ou seja, ajustadas pela inflação). Ao contrário de outras matérias-primas, como o petróleo ou o cobre, o ouro é armazenado, e não consumido no sentido tradicional do termo. Como o ouro não gera qualquer rendimento (como juros, dividendos ou rendas), existe um custo de oportunidade pela sua detenção quando os rendimentos reais das alternativas financeiras são atractivos. Se a taxa de rendimento nominal de uma obrigação for de 5%, e o nível de inflação de 2%, então o retorno real de 3% pode ser suficientemente interessante para que um investidor não queira deter ouro, cujo rendimento real é nulo. Desta forma, os preços do ouro tendem a subir de forma significativa apenas quando as taxas reais se tornam negativas. Uma análise recente do Erste Bank, que comparou os preços do ouro com as taxas de juro reais nos EUA (baseadas nas obrigações a 10 anos), entre 1970 e 2010, concluiu que o retorno anualizado do ouro foi próximo ou superior a 20% nos períodos em que a taxa de juro real foi negativa e inferior a -1,7%. Pelo contrário, o retorno anualizado do ouro foi inferior a 5% nos períodos em que a taxa de juro real foi positiva e superior a 0,99%. O bull market iniciado em 2001 corresponde a um período em que mais de 50% dos meses registaram taxas de juro reais negativas nos EUA. O que contrasta com o bear market de 1980 a 2001, em que a taxa de juro real foi em média de 4%, sendo negativa em apenas 6,7% dos meses.
Neste momento, as taxas de juro reais continuam negativas. A taxa de inflação média nos países da OCDE tem rondado os 3%, enquanto as taxas de juro das obrigações a 10 anos são próximas ou inferiores a 2% em países como os EUA, a Alemanha e o Japão. Em conclusão ... Apesar da sua crescente popularidade junto dos investidores como activo de refúgio, num cenário de instabilidade económica e financeira, o preço do ouro apresenta uma elevada volatilidade, não podendo propriamente ser considerado como um investimento seguro. Devido à ausência de rendimentos, o desempenho do ouro é particularmente sensível à inversão de sentimento, em particular quando as taxas de juro reais superam a fasquia de 1% (o que pode acontecer se as taxas de longo prazo nos EUA e Alemanha subirem dos actuais mínimos históricos, e a inflação descer devido à quebra dos preços do petróleo). Uma alternativa interessante para conseguir exposição a este activo é a compra de acções das empresas que detêm e exploram minas de ouro, dado que as suas margens e resultados tendem a beneficiar directamente com a subida do preço do metal amarelo. Contudo, desde o final de Agosto de 2008, o preço do ouro valorizou cerca de 100%, enquanto o desempenho das acções mais importantes do sector, medidas pelo índice Gold Bugs (HUI) foi pouco superior a 50%. A inda que parte deste diferencial possa ser justificado com o aumento do prémio de risco do mercado accionista, com a subida dos custos de produção, ou com a preferência dos investidores por Exchange Traded Funds (ETF) que detêm barras de ouro, as cotações do sector parecem estar a desconto face ao preço actual do ouro. Gonçalo Gomes Millennium bcp, em parceria com ActivoBank
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