| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 28/11/11, 20:14
Actualmente é cada vez mais necessário preocupar-nos com o nosso bem-estar, especialmente chegado o momento da reforma. Na prática, e chegado esso momento, deparamo-nos com uma redução do nosso rendimento disponível e existe uma clara tendência para que a redução se acentue fortemente. Já no século XIX, através de Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, a Alemanha foi pioneira ao criar o sistema de segurança social para proteger os trabalhadores no momento em que se retirassem da vida activa. Esta iniciativa deveu-se à necessidade sentida de manter a elevada eficiência da economia alemã, através da motivação dos seus trabalhadores, e de travar investidas de ideais socialistas. Foi inicialmente establecida a idade de reforma de 70 anos e só 27 anos depois, em 1916, foi alterada para os 65 anos. À data, a medida não representou mais do que um custo marginal para a Alemanha. A esperança média de vida da Alemanha situava-se abaixo da fasquia e não haviam muitos trabalhadores que realmente usufruíssem do benefício. Passando à actualidade, um dos resultados da actual crise passa pela forte redução estado de bem estar que se vivia nos países desenvolvidos. Para sanear as contas públicas os estados são obrigados a cortar nas suas responsabilidades e a tentar alargar as bases contributivas. Com as economias sem crescimentos assinaláveis e com o característico envelhecimento das populações dos estados desenvolvidos, resta um aumento da idade de reforma e uma redução das responsabilidades. Para não retirar competitividade à economia, um aumento das contribuições das empresas não é expectável assim como os necessários ajustamentos estruturais, do lado dos rendimentos dos cidadãos, resulta uma redução da base de incidência, ou seja, sem incremento contributivos para a Segurança Social. A sustentabilidade do sistema, e dadas as dificuldades orçamentais que vivemos, leva que os estados recorreram a duas mediadas de implementação imediata: 1) a diminuição das responsabilidades, aumentando o diferença entre o rendimento obtido no activo comparado com a prestação a que terá direito na reforma e 2) o aumento da idade de reforma. Para que não se sofra de uma brutal redução de poder de compra, terá de ser o próprio individuo a precaver-se. Estudos apontam para a falência do estado social, tal como o conhecemos. É necessário uma reposição da poupança das famílias. Com essa poupança, alimenta-se a economia e planeia-se o futuro e o bem estar. Existem muitas solicitações comerciais para orientar as poupanças. Actualmente os depósitos a prazo são dos mais activos. A atractibilidade das remunerações parece elevada mas não sustentável no tempo. Existem riscos que não se devem esquecer, por muito mitigados que possam parecer. As instituições financeiras necessitam urgentemente de funding e estão dispostas a cometer loucuras dados os desequilibrios actuais. Eis um produto que canibaliza com os demais mas não se trata de uma resposta única à necessidade de aforro e planeamento futuro.
Os PPR foram criados para incentivar a poupança de médio e longo prazo. Permitem enfrentar adversidades que possam surgir pelo caminho mas focam-se na reforma. Surgem da necessidade de antecipar reduções de rendimento disponível aquando da reforma. Beneficiaram de apoios fiscais de incentivo à poupança, apoios que foram agora retirados, estranhamente, num momento em que os discursos oficiais fazem apanágio da urgente necessidade de poupança das famílias. De facto, devemos pensar em planear a nossa reforma desde o momento que começamos a nossa vida profissional e não só quando nos aproximamos do seu terminus. É errado pensar que produtos com os PPR tenham sido bons em função de determinado incentivo fiscal mas deverão ser olhados como ferramentas estruturais de planeamento de bem-estar no momento em que findamos a nossa vida profissional. Os níveis de risco distintos da panóplia de PPR disponíveis, esses sim, deverão ser objecto de cuidada análise e selecção. São função da capacidade de tomada de risco de cada indivíduo e do espaço temporal expectável para as necessidades dos recursos investidos: quanto mais longo prazo, maior poderá ser o risco em busca de oportunidades de maiores valorizações; com o aproximar da necessidade dos fundo investidos, deverá reduzir-se a volatilidade, reduzindo o nível de risco/remuneração potencial. Rui Salgado Alves, director da SGF
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