| true- Quinta-Feira 24 Maio de 2012
Informação financeira da Euronext, disponibilizada por
Comstock
- A Division of Interactive Data Corporation.
 30/01/12, 19:59
Quais são os riscos e oportunidades que se perfilam no horizonte dos investidores em 2012? Apresentamos neste artigo os temas que consideramos serem mais relevantes para acompanhar os mercados financeiros neste ano. 1. Irá o euro sobreviver no atual formato? A evolução da crise da dívida soberana na Zona Euro (que entrará no 3º ano), e em particular a gestão política da mesma, irá condicionar de forma determinante o desempenho dos mercados financeiros globais em 2012. Os políticos europeus deverão continuar a apresentar medidas pontuais para conter a crise, evitando a desintegração do euro, mas sem uma solução sistémica e definitiva. O Banco Central Europeu (BCE) é cada vez mais visto como tendo o papel central na evolução da crise, estando a ser pressionado para fazer uso da bazuca que acalmaria de forma significativa os mercados: a compra ilimitada de obrigações de qualquer Estado Membro, sendo o seu credor de último recurso. Para já, o BCE tem contribuído decisivamente para acalmar os ânimos dos investidores, ao reduzir a sua taxa de referência e sobretudo ao aumentar a liquidez do sistema bancário. 2. Recessão na Zona Euro, mas não nos EUA Os cortes orçamentais estimados em pelo menos 150 mil milhões de euros deverão retirar cerca de 1 ponto percentual ao crescimento da Zona Euro em 2012, tornando quase inevitável que a região entre em recessão económica: tanto o Banco Mundial como o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziram em forte baixa as suas estimativas, prevendo que a economia da Zona Euro possa contrair 0,3% a 0,5% este ano. Já os EUA deverão escapar à recessão em 2012, devido ao menor "aperto" orçamental. Contudo, as eleições presidenciais a 6 de novembro serão um fator de incerteza, face à crescente divisão partidária e ideológica entre republicanos e democratas. 3. Poderá a China travar a fundo no Ano do Dragão? A China está em plena fase de reajustamento do seu modelo económico: no âmbito do plano quinquenal 2011-2015, o ritmo de crescimento anual deverá abrandar de cerca de 11% para 7%, com um menor enfoque nas exportações e no investimento e uma forte aposta no aumento do consumo interno. Contudo, o combate à inflação ao longo do último ano levou a "locomotiva" chinesa a abrandar mais do que o que seria desejado pelas autoridades. A principal preocupação dos investidores centra-se no possível colapso do mercado imobiliário e nos seus efeitos no sistema bancário. As autoridades estão a responder com um corte no rácio de reservas bancárias (aumentando a liquidez do sistema), podendo igualmente procurar travar a apreciação do yuan face ao dólar.
4. Suporte das políticas monetárias Os Bancos Centrais dos países desenvolvidos continuarão a suportar a economia com taxas próximas de zero e a compra de ativos financeiros durante um período prolongado, ajudando a suavizar o impacto do processo de desalavancagem e dos pacotes de austeridade. Nos EUA, a Fed assumiu o compromisso de manter a sua taxa de referência próxima de zero até meados de 2013, enquanto na Zona Euro é possível que a taxa de referência do BCE seja reduzida até um mínimo histórico de 0,5%. 5. Poderão as mal-amadas ações ser um ativo de refúgio? Depois de uma "década perdida" para as ações, os investidores parecem ter desistido em definitivo desta classe de ativos, revelando uma forte preferência por obrigações como as Treasuries americanas ou as Bunds alemãs. A significativa subida dos seus preços faz com que as suas rendibilidades a 10 anos estejam próximas de 2%, nível que pode não ser suficiente para compensar a inflação. À semelhança do que se verificou após a 2ª Guerra Mundial, os Governos poderão estar a considerar uma nova política de redução do valor real da sua dívida, através da manutenção prolongada de taxas de juro inferiores à taxa de inflação. Neste cenário, as ações podem ser uma melhor proteção do que as obrigações (cujo valor nominal e cupões tendem a ser fixos). 6. Facebook e o ressurgimento das OPV tecnológicas O aumento da incerteza levou muitas empresas a adiarem as suas Ofertas Públicas de Venda (OPV) em 2011, tendo a colocação global registado uma quebra de 38% face ao ano anterior. Contudo, existe um nicho de mercado que está em plena ebulição, tendo concretizado 19 das 125 OPV ocorridas nos EUA em 2011: as empresas ligadas à internet. Este ano, poderá ser atingido o valor mais alto de OPV desde setor desde 1999, para o que contribuirá decisivamente a muito aguardada operação do Facebook, a maior rede social do mundo (800 milhões de utilizadores). Esta poderá ser a 3ª maior OPV de sempre nos EUA.
7. Riscos geopolíticos e a evolução das matérias-primas Num ano de abrandamento do crescimento global, seria de esperar uma redução da procura de matérias-primas e a quebra dos seus preços. Contudo, os preços da energia continuarão a ser condicionados pela instabilidade no Médio Oriente e Norte de África. A maior preocupação centra-se neste momento nas relações entre os Governos ocidentais e o Irão, que é o 4º maior produtor de petróleo do mundo. O ouro poderia beneficiar com este clima de incerteza, bem como com a manutenção de taxas de juro reais negativas e as compras de Bancos Centrais asiáticos. Contudo, o seu preço tenderá a ser volátil. Nicolas Sarkozy, o presidente de França, referiu-se a 2012 como o "ano de todos os riscos". Haverá pelo menos um que terá manifestamente probabilidades muito reduzidas de acontecer: o fim do mundo a 21 de dezembro de 2012, data em que supostamente termina o calendário Maia. Pelo menos, assim o esperamos! Gonçalo Gomes Millennium bcp em parceria com ActivoBank
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