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Montepio
União de estabilidade vs união de transferências

20/12/11, 19:37

Espanha, Portugal e Grécia apresentaram persistentemente os défices externos mais elevados da UEM (excluindo Chipre, Estónia ou Eslováquia).

Os seus pagamentos de bens, serviços e rendimentos foram sistematicamente superiores a 7% do produto gerado internamente. Na área do euro, mais que os indicadores de défice público, o desequilíbrio externo foi o principal sinal de alerta para a crise actual. Está-se perante não uma crise de dívida pública, mas uma crise de pagamentos externos com contornos diferentes do tradicional. Experimentam-se dificuldades de pagamento na própria moeda, sendo difícil discernir entre dívida interna e externa, porque não depende da moeda de denominação, mas do seu detentor ou da legislação ao abrigo da qual foi emitida. Os países do norte da Europa excedentários de poupança e com parcas alternativas de investimento com retorno interessante orientaram-na para a periferia deficitária. Estes fluxos, canalizados através dos sistemas financeiros, reflectiam movimentos de sinal contrário de mercadorias. Desde a sua criação, a área do euro tem funcionado como uma união de transferências de poupanças do norte para o sul atraídas por taxas de juro mais elevadas. A crise financeira de 2008 veio interromper este mecanismo de transmissão.
O crédito não fluía para o sector privado, mas o sector público conseguia financiar-se, em parte devido à estratégia de carry trade dos bancos (financiamento no BCE e aplicação em dívida pública). Em 2010, os Estados também começaram a sentir dificuldades de refinanciamento. O canal de transmissão das transferências passou a ser instituições oficiais como o BCE, financiando os bancos dos países com maiores dificuldades muito para além da sua quota natural, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional.
Se, no passado a condicionalidade dos fluxos se reflectia nos spreads exigidos pelos investidores; no presente, a condicionalidade expressa-se nas condições impostas: cumprimento de metas para contas públicas e reformas estruturais.

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