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Montepio
"A crise ajudou-nos a reformular a missão da SGF"

25/02/09, 17:05

A SGF terminou o ano com 80 milhões de euros de activos sob gestão e uma carteira de cerca de 7 mil clientes.
Pinhão Rodrigues, o CEO da gestora realça a fidelidade e a confiança dos clientes, alguns com 20 anos de permanência nos produtos geridos pela instituição financeira.

 

Como vê a SGF o evoluir da actual situação do sistema financeiro e da crise bancária a nível global?

Sem dúvida que à banca cabe-lhe uma importante quota-parte de responsabilidade pela grave crise financeira que atravessamos, a qual, infelizmente, será bem mais duradoura do que se previa há um ano atrás, e terá consequências ainda imprevisíveis para a economia mundial, a qual poderá ainda vir a piorar, com a entrada de algumas economias em depressão.

Infelizmente os contornos da crise estão longe de poderem ser vislumbrados, o que aumenta o clima de incerteza e insegurança, que como todos sabemos é nefasto para o desenvolvimento económico.

 

O que está diferente no sistema financeiro desde há seis meses?

A congregação de esforços das autoridades monetárias mundiais e o empenho da maior parte dos governos dos países mais desenvolvidos transmitiram ao sistema algum ânimo, no entanto, e dado a crise ser muito profunda, os sinais têm sido insuficientes para permitirem a desejável recuperação.

O que teria sido do sistema financeiro, se não tivessem existido as inúmeras iniciativas de apoio?

A nível doméstico, o que teria acontecido se o governo tivesse deixado o BPN e o BPP entrarem em bancarrota?

 

O que antecipa para a indústria dos fundos de investimento e fundos de pensões europeus? E para Portugal?

Muito embora a crise seja profunda, estou certo que muitos ensinamentos serão retirados, e que, os valores fundamentais prevalecerão, ao invés das complexas estruturas sem transparência que, muitas das vezes comportam níveis de risco inquantificáveis.

Apesar de tudo, a crise também abre uma janela de oportunidades de investimentos, o que permitirá que os fundos bem geridos recuperem a médio prazo as perdas recentes.

 

Que impacte teve nos produtos SGF a crise financeira? Quais os modelos de defesa desenvolvidos?

Apesar do ano de 2008 ficar registado como um dos mais negativos de sempre no que respeita ao sector financeiro, é-me muito grato referir que numa análise a 5 anos da APFIPP relativa a 31 de Dezembro, a SGF manteve 3 dos seus fundos de pensões PPR's classificados entre os 12 melhores do mercado.

Certamente que os resultados obtidos, são não só uma consequência da gestão passada, mas também o resultado da adequação da política de investimentos à conjuntura de crise vivida em 2008.

Para além da profunda alteração da política de investimentos, também adaptámos a nossa gama de produtos, nomeadamente introduzimos uma garantia de taxa no nosso produto mais conservador, o que permitiu que os nossos clientes com mais baixo perfil de risco pudessem optar por aquele produto como refúgio.

 

Como é que a SGF "geriu" a crise financeira em 2008? Que medidas foram tomadas?

Foi neste ano que a SGF completou 20 anos de actividade na gestão de reformas, e, pese embora as dificuldades sentidas, terminámos o exercício com um total de activos sob gestão de 80 milhões de euros, relativos a cerca de 7 mil clientes, reorganizámos administrativamente a empresa e melhorámos significativamente o nosso sistema informático. A governance foi outra das nossas principais preocupações, criámos manuais quer relativamente ao controlo interno quer relativamente à política de investimentos, lançámos novos produtos, estabelecemos parcerias, das quais destacamos o protocolo com a DECO, e iniciámos a reorganização do departamento comercial, em suma, preparámos a empresa para um novo ciclo, o qual, estamos certos, permitirá o regresso a rendibilidades mais consonantes com o historial da SGF.

 

Que reacções tiveram os clientes SGF à situação de crise? Qual a tendência evidenciada no início deste ano nas subscrições e resgates?

As reacções dos clientes foram diversas e dependentes, quer da sua aversão ao risco, quer do prazo de investimento. É evidente que perdemos uma parte dos clientes de curto prazo, os quais regressaram aos depósitos a prazo e aproveitaram os níveis anormalmente excessivos de taxas que a banca oferecia. Quanto aos nossos clientes de médio/longo prazo, muito embora também perdêssemos uma parte deles, a maior parte manteve-se fiel à SGF e premiou-nos com a sua confiança.

Aliás, a crise teve o mérito de obrigar muitos de nós a repensar a actividade, quiçá a reformular a nossa missão, e a tomar decisões muito importantes quanto à forma de melhor defender as poupanças dos nossos clientes, não significando isto que antes o não fizéssemos. Foi um novo paradigma o que obrigou à mudança.

 

Qual a reacção dos clientes aos dois novos fundos lançados no início do ano? É possível o lançamento de algum novo fundo flexível?

Dos dois novos fundos que obtivemos autorização para lançar no final do ano passado, apenas lançámos até hoje o PPR SGF Garantido, e podemos considerar que o lançamento foi um êxito. O número de novos clientes é já significativo, tal como significativo é o número de antigos clientes que optaram por transferir as suas poupanças para este produto.

Quanto ao PPR SGF Acções Dinâmico, optámos por retardar um pouco o seu lançamento, e em boa hora o fizemos, dado considerarmos que as condições actuais do mercado não são ainda as ideais. Estamos atentos à evolução da conjuntura económica e financeira e quando acharmos oportuno lançaremos o produto.

 

Que mensagem de conforto é possível dar aos clientes deste tipo de activos?

A mensagem aos nossos clientes quanto à postura face à crise, depende do tipo de cliente. Certamente que também aqui dependerá da aversão do cliente ao risco de investimento e do tempo restante até à idade da reforma.

Mas os nossos clientes, alguns deles estão connosco desde o primeiro dia, e já decorreram mais de 20 anos, sabem que contarão sempre com uma equipa dedicada, experiente, independente e socialmente responsável.

 

Que tendências são possíveis de antecipar para 2009 em termos de taxas de juro, yields das obrigações, recuperação do mercado de acções, alternativas no mercado da dívida, e geografias menos expostas?

Relativamente às taxas de juro, é inevitável que continuem a baixar, mas acho que o BCE não irá baixar a taxa de desconto para além dos 50 pontos base até final de 2009.

Creio que os problemas com o crédito tardarão a resolverem-se, pelo que antecipo a manutenção de um spread elevado face à dívida pública, o que possibilitará algumas oportunidades de investimento em obrigações de empresas, que embora muito endividadas são excelentes empresas.

Conforme disse anteriormente, a crise está longe de ser debelada, no entanto existirão boas oportunidades de investimento em acções, nomeadamente nos mercados europeu e norte-americano.

Urge porém que, para além das injecções de capital monetário, os responsáveis mundiais façam um diagnóstico realista da economia global, e sejam capazes de injectar o necessário capital de confiança nos agentes económicos.

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