PUB
Faça do OJE a sua homepage
Montepio
Ano será marcado pelos ritmos de crescimento nos mercados emergentes

24/01/11, 19:45

As classes de maior risco marcaram a performance de 2010. Para este ano a expectativa é de que os ritmos fortes de crescimento nos mercados emergentes irão determinar um crescimento global.
Diogo Serra Lopes, director de Investimento do Banco Best, acredita num retorno global positivo, mas aconselha prudência, sobretudo por causa da crise da dívida soberana europeia, e recomenda a diversificação dos investimentos
A nível de mercados financeiros, quais as áreas que sobressaíram em 2010 na óptica do investidor e quais aquelas que poderão marcar 2011?
2010 fica marcado essencialmente pela performance positiva registada pelas classes de activos de maior risco, ou seja, os mercados accionistas e de matérias-primas em média superaram de forma clara o retorno médio obtido nos mercados obrigacionistas. No entanto, ao contrário do que tinha acontecido nos últimos anos, em 2010 verificaram-se grandes divergências de performance entre regiões, tanto nos mercados desenvolvidos, como nos mercados emergentes.
Relativamente a 2011, as estimativas apontam para que assistamos a um retorno do crescimento global acima dos 4%, muito alavancado na continuação dos ritmos fortes de crescimento a que temos assistido nos países emergentes. Os mercados desenvolvidos deverão manter níveis de crescimento mais baixos, evitando de forma sustentada o regresso a um cenário de recessão que chegou a estar em cima da mesa em meados do ano passado. Este é um cenário de crescimento que é favorável à continuação da performance dos activos de maior risco, como acções e matérias-primas.
No entanto, algumas das preocupações sentidas durante o ano passado deverão manter-se durante este ano, nomeadamente o tema da sustentabilidade das contas públicas dos países periféricos da Zona Euro. Aliás, as medidas de contenção dos défices públicos terão um efeito recessivo na economia que se sentirá com maior ênfase em 2011 do que no ano passado. Também o surgir de pressões inflacionistas nos países emergentes de maior crescimento, como a China, são um factor que merecerá a atenção dos analistas e investidores. Em suma, 2011 é um ano com um outlook positivo de uma forma geral, mas em que os riscos existentes aconselham uma gestão atenta e diversificada dos investimentos.
O que pesará mais em 2011 na decisão dos investidores: questões macro, inflação, crédito soberano, subida de juros?
Os quatro temas referidos estarão certamente presentes nas agendas dos investidores, estando alguns deles bastante interligados. O tema do crédito soberano, em particular da situação dos países periféricos da Zona Euro, será um tema forte nestes primeiros meses, dado os montantes de refinanciamento que são esperados até Abril/Maio e a discussão que acontecerá até lá dentro das instituições europeias sobre o necessário reforço dos mecanismos de solidariedade dentro da Zona Euro.
A questão da inflação, necessariamente ligada a uma potencial subida de juros, parece ser mais uma questão nas economias emergentes, dada a continuação de um ritmo de crescimento acelerado, do que nas economias desenvolvidas, onde a componente de inflação salarial - a mais relevante nestes países - se mantém controlada dado os actuais níveis historicamente elevados de taxa de desemprego. Em termos de crescimento económico, é esperado que os mercados emergentes mantenham o seu actual papel de locomotiva do crescimento global, com os países desenvolvidos a consolidarem a recuperação já sentida em 2010, mesmo tendo em conta as medidas recessivas de consolidação orçamental na Europa.
A questão da volatilidade em 2011 será transversal a todo o mercado financeiro, ou será mais acentuada nos produtos de dívida?
O tema do crédito soberano, principal motivador da volatilidade nos mercados de dívida, é suficientemente relevante para que o impacto possa ser sentido em todas as outras classes de activos.
Qual deve ser o comportamento típico do investidor em 2011?
O aconselhamento parte sempre de um estudo do perfil do investidor, nomeadamente das suas características, objectivos e prazo temporal do investimento. Se é verdade que o cenário actual de retoma do crescimento económico global deverá tender a favorecer os activos de maior risco, não deixa de ser também verdade que existem riscos relevantes tais como a crise de crédito soberano ou o surgimento de inflação nas economias emergentes. Nesse sentido, a disciplina relativa ao perfil de investimento, a atenção à manutenção de carteiras diversificadas tanto em termos de classes de activos, como de outros factores (como geografia, sectores, etc.) são ainda mais relevantes no contexto actual.
Matérias-primas e mercados emergentes são a opção certa para 2011? Quais as commodities e quais os mercados?
Os mercados emergentes e matérias-primas, pelas suas características de maior volatilidade, peso nos mercados financeiros globais e de exigirem um conhecimento mais específico, não devem dominar a alocação a activos de maior risco da generalidade dos perfis de investimento. Aliás, é possível obter exposição a mercados emergentes ou a matérias-primas de forma indirecta através de exposição a empresas de mercados desenvolvidos que tenham uma parte significativa do seu negócio nestas áreas, evitando assim alguns dos riscos, por exemplo de liquidez, tipicamente presentes nos mercados.
0 votos
Votar
pub
  • EUROPE
  • US
  • ASIA
PSI 20
Powered by
CAC 40
NOTICIAS
  • ÚLTIMAS
  • + LIDAS
  • DESTAQUES