"Fundos voltam a ser alternativa de poupança muito forte" ![]() ![]() 28/04/09, 01:00 A ESAF registou um forte aumento das subscrições de Fundos de Investimento e, para o CEO da gestora, Fernando Coelho, Abril já pode ser o regresso das subscrições líquidas positivas. O gestor diz que para os pequenos aforradores, os fundos voltam a ser uma alternativa muito forte. Que conclusões são possíveis de retirar dos três primeiros meses de actividade dos fundos de investimento? Como têm evoluído os fundos da ESAF? No primeiro trimestre do ano a ESAF registou, na sua actividade de FIM, um saldo positivo de 65 milhões de euros. Verificou-se principalmente um aumento do volume médio de subscrições deste trimestre em relação aos últimos 12 meses de 380 milhões para 405 milhões de euros. Do lado dos resgates só sentimos uma diminuição os últimos dois meses Fevereiro e Março. Ao nível dos FII, verificamos no último trimestre forte aumento das subscrições. Creio que em Abril possa haver subscrições líquidas positivas. Recordo que os FI Abertos em Portugal nunca apresentaram rendibilidade negativa. Têm sido sempre muito consistentes. Por exemplo, a ESAF, além de um grande fundo imobiliário generalista - O Gespatrimónio Rendimento - que neste momento apresenta uma current yield líquida entre 3,8 % a 4,3 % lançou em final de 2007 um fundo para investir em Logística. Nos últimos 12 meses este fundo obteve 4,97% de rendibilidade líquida. Se quiser comparar com os depósitos a prazo faça o gross-up fiscal e obtém 6,21% bruto. Bastante interessante. Tem-se verificado diferentes comportamentos entre os investidores particulares e os investidores institucionais? Efectivamente os investidores particulares estão ainda muito traumatizados com as volatilidades que todos Fundos Mobiliários apresentaram durante 2008, e por esse motivo ainda estão, na sua maioria, em modo de preservação de capital. Os investidores institucionais não tiveram um comportamento muito diferente embora dependa muito da política de investimentos estabelecida e do objectivo ou missão que prosseguem. Por exemplo muitos dos Fundos de Pensões Fechados geridos pela ESAF investiram recentemente num fundo de ações com uma estratégia quantitativa que representa um complemento da sua carteira de acções em 2 a 5%
Já é possível afirmar que estão investidores a regressar aos fundos de investimento? De entre os investidores em modo de preservação, os que saíram dos fundos em 2008, ainda estão em depósitos a prazo. Penso que assim vão continuar até sentirem que as taxas de remuneração já baixaram ou vão baixar substancialmente. No entanto, alguns sabem que além de preservar capital é preciso não perder poder de compra e por isso começaram a comprar fundos de tesouraria, de obrigações e Fundos Imobiliários. Por último, poucos reconheceram que poderiam e ainda podem beneficiar de uma forte recuperação dos mercados, aceitando alguma volatilidade, e foram comprando um pouco de fundos acções ou de dívida corporate. Em conclusão o regresso aos fundos de investimento está a ser selectivo e progressivo. A queda das taxas de juro e a redução natural da remuneração dos pequenos aforradores está a ser aproveitada pelos fundos de investimentos? Penso que esse ambiente será benéfico para os fundos de investimentos no curto e médio prazo mas a grande maioria dos pequenos aforradores ainda não se aperceberam que os fundos são de novo uma alternativa de poupança muito forte e diversificada. O facto das rendibilidades passadas, publicadas mais recentemente, ainda serem negativas para os fundos de obrigações de taxa indexada e alguns fundos de tesouraria (as duas categorias com mais subscritores em Portugal) ainda retraem os particulares a investir. No entanto, podemos observar a recuperação de alguns fundos de tesouraria e taxa indexada bem como outros fundos de obrigações com dívida governamental e corporate com comportamento muito positivo nos últimos 3 a 12 meses. Por exemplo o ES Obrigações Europa apresentou uma rendibilidade anualizada nos últimos 3 meses de 4,36% e nos últimos 6 meses de 18,05% e o ES Obrigações Global 2,46% e 18,8% respectivamente. Já o ES Rendimento Plus, um Fundo Especial de Investimento que investe essencialmente em dívida corporate apresentou desde o início do ano 8,44% anualizado. Não devemos esquecer os fundos imobiliários que como referi se apresentam muito atractivos neste ambiente de taxas de juros.
Quais os tipos de fundos que estão a defender melhor os investidores? Os chamados fundos "dinâmicos" com adaptação às condições de mercado estão a ter sucesso? De facto, os fundos com políticas de investimento mais flexíveis têm apresentado menor volatilidade e rendibilidades bastantes consistentes nos últimos 6 meses. A ESAF tem comercializado com bastante sucesso, três fundos flexíveis com perfis de risco diferentes, o ES Plano Prudente, o ES Plano Crescimento e ES Plano Dinâmico que apresentam nos últimos 6 meses rendibilidades líquidas anualizadas entre 3 e 10%. Volta a haver espaço para o "retorno absoluto" e para os "hedge funds"? Penso que existe espaço para se aplicarem estratégias de "retorno absoluto" em fundos com regras de investimento diversificadas e na gestão de carteiras de patrimónios. Quanto aos "hedge funds" penso que há duas realidades. Os fundos de "hedge funds" perderam definitivamente o seu espaço e a sua dimensão. Por seu lado os "hedge funds" com uma estratégia bem definida (single strategy) continuam a ter algum lugar nas carteiras de investimento. No entanto, em ambos os casos há que esperar para ver o impacto que o aumento de regulamentação e supervisão, que os reguladores internacionais, nomeadamente a Comissão Europeia, se preparam para introduzir, terão sobre este tipo de fundos.
O segmento accionista baseado na banca tem registado bons resultados nas últimas semanas. Isso é um sinal de recuperação para o mercado accionista? Os mercados accionistas continuaram muito voláteis durante o primeiro trimestre de 2009, tendo Janeiro e Fevereiro sido maus, acompanhando a divulgação de maus dados macroeconómicos e a incerteza dos investidores relativamente às decisões dos governos sobre as medidas de combate à crise de crédito. Desde Março assistimos a uma recuperação forte das acções em geral reflectindo vários factores: condições técnicas de "oversold", politicas agressivas dos bancos centrais, clara mudança para politicas monetárias de "quantitative easing" nos EUA e no Reino Unido. No entanto, os mercados accionistas europeus tiveram a pior performance, cerca de menos 14,5%. Acredito que a evolução futura dos mercados accionistas está altamente dependente do sucesso dos esforços e das medidas tomadas para restaurar a normalidade do sistema financeiro e revitalizar as economias. Deste modo, o comportamento do sector financeiro, nomeadamente dos bancos é um bom indicador para a futura evolução dos mercados com um todo. Recordo que o sector financeiro foi o mais penalizado com toda a crise, transacciona hoje em dia na Europa a PER de 8 - 9 quando transaccionava a 12 - 13, apresenta Dividend Yield em média superior a 4% e a maior parte das medidas tomadas têm um reflexo mais rápido na banca do que na economia real. Por isso é lógico serem os primeiros a recuperar. No entanto, há que ter cuidado porque muitos deles poderão ter que efectuar aumentos de capital e isso terá um efeito de diluição nos preços. Não podemos querer uma recuperação dos mercados demasiado rápida. No fim do dia, os mercados accionistas devem reflectir a saúde da economia, com uma antecipação de 6 a 12 meses. Mas também reconheço que os mercados estão com valorizações baixas atendendo ao ambiente de baixas taxas de juro, por isso existem excelentes oportunidades para compra numa perspectiva de médio e longo prazo.
Como antecipa o fecho do mercado accionista europeu, incluindo o português, neste primeiro semestre? No seguimento do que disse anteriormente, é difícil fazer previsões no actual ambiente, mas acredito que teremos o mercado a recuperar acima dos níveis do início do ano antes do final de 2009, mas até lá vamos ter alguma volatilidade. O mercado português apresentou uma "outperformance" mas existem razões para isso. Primeiro porque o sistema financeiro português revelou-se menos frágil que os seus congéneres europeus. Tinha menor exposição a activos "tóxicos" como agora é usual dizer e tem balanços mais equilibrados. Um bom exemplo é o sucesso que o aumento de capital do BES obteve nos mercados internacionais. Além disso o mercado português tem boas empresas "defensivas", casos da PT, EDP e até BRISA. São bem geridas e têm exposição, em termos de negócio, não só ao mercado doméstico mas a outros mercados externos, com factores de crescimento económicos elevados, com o Brasileiro e o Africano. Também beneficiam destas características empresas mais cíclicas como a Mota-Engil. Deste modo, penso que o mercado português continuará a comportar-se positivamente.
Como se devem os investidores preparar para a recuperação do mercado accionista? Que estratégias devem adoptar hoje? Quais os produtos da ESAF adaptados ao futuro cenário? Investindo em fundos de investimento e numa óptica de médio / longo prazo. Têm uma carteira diversificada, são geridos por profissionais, proporcionam informação, são os produtos de poupança mais transparentes que existem e são altamente regulamentados e supervisionados. Dependendo da situação financeira de cada um de nós, da nossa idade, do nosso perfil de risco e do objectivo para o qual estamos a poupar, devemos ter sempre uma carteira diversificada entre vários activos e de natureza distinta: depósitos, obrigações, acções, imobiliários, arte, entre outros. No caso das acções a ESAF proporciona alguns fundos de interessantes para o momento. Para quem quer poupar para a sua reforma investindo em acções pode subscrever para a sua carteira o único fundo de pensões aberto em Portugal com o objectivo de investir 100% em acções. O Multireforma Acções, apresenta, desde o início do ano até hoje, uma rendibilidade efectiva líquida de 15,4%. O ES Momentum é um fundo de acções mundiais, que desde o início do ano apresenta uma rendibilidade líquida efectiva de 6,57%, e investe em quatro "baskets" de acções cada um com um "driver" específico. Um "basket" permanente de acções de empresas de crescimento sustentado e 3 que variam regularmente. Neste momento, um investe em empresas em que polarização é a base de negócio: consumo de bens essenciais, retalhistas, "discounters; outro investe em empresas de infra-estruturas na Europa, EUA e China; e o último investe em acções que tiveram uma redução de "rating" agressivo recentemente. Por último, não deixaria de recomendar o ES Portugal Acções pelas razões que enunciei anteriormente, apresenta uma rendibilidade líquida efectiva, desde o início do ano, de 13,54%.
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