Os mercados financeiros estão a corrigir dos excessos de baixa ocorridos em 2008/2009. José Santos Teixeira, chairman da Optimize, afirma que é expectável a consolidação da retoma até final do ano.
Que comentário é possível fazer ao comportamento dos mercados accionistas, europeu e norte-americano, nestes primeiros seis meses e que antecipação se pode fazer para o segundo semestre?Foram nitidamente excedidas as previsões do final de 2008 e início de 2009. Tal deveu-se à profundidade e à importância das medidas monetárias tomadas pelos bancos centrais (injecção de liquidez a taxas de juros próximos de zero) e pelos governos (medidas fiscais, subsídios aos mais desfavorecidos e políticas keynesianas de despesas públicas)
Esta "vontade explícita" de combate à crise levou os mercados financeiros a antecipar a retoma económica. Estamos hoje aos níveis do início do ano e espera-se uma consolidação da rápida retoma até ao final do ano. Consolidação significa um máximo de subida da ordem dos 10% no segundo semestre.
Definitivamente, os mercados estão a re-arrancar ou aquilo que se passa é uma falsa partida?
Não me parece ser uma "falsa partida" mas antes uma correcção dos excessos da baixa de 2008 / 2009. A falência de alguns dos maiores bancos americanos justificou um pânico dos mercados por falta de visibilidade sobre o futuro, quer do ponto de vista bolsista, quer monetário, quer económico.
Tal originou um excesso de "vendedores" sem compradores. Estamos a voltar a uma situação de normalização dos mercados com melhoria da visibilidade e das previsões sobre o futuro.
Que rentabilidades está a Optimize a apresentar nos seus principais fundos nestes primeiros cinco meses?
Tivemos uma política muito prudente no final do ano passado e neste início do ano, o que nos permitiu evitar sofrer os efeitos da baixa de Janeiro e Março, mas que em contrapartida não nos proporcionou todas as vantagens da alta depois de Março.
Sendo o objectivo preservar o capital dos clientes obtivemos, da data de criação dos fundos, em 25 de Setembro de 2008, até 12 de Junho: mais 4.7% no PPR Optimize Capital Reforma Acções (máximo 55% de acções) e mais 4.3% no PPR Optimize Capital Reforma Equilibrado (máximo 35% de acções).
Do início do ano até 12 de Junho, obtivemos: mais 4.6% no PPR Optimize Capital Reforma Acções (máximo 55% de acções) e +4.0% no PPR Optimize Capital Reforma Equilibrado (máximo 35% de acções).
Continua a apostar preferencialmente no mercado accionista norte-americano, independentemente do receio da queda do dólar?
A rentabilidade dos nossos fundos é medida em euros, logo as nossas carteiras estão maioritariamente investidas em títulos europeus, acções como obrigações.
Os Estados Unidos reagiram mais rapidamente à crise pelo que é previsível que a sua economia, logo os mercados financeiros, "arranquem mais cedo".
Mas os défices monstros dos Estados Unidos levam a recear uma desvalorização do dólar, à qual deverá ser lenta, pois os seus credores em dólares (China, Japão, Produtores de Petróleo) tudo farão para não deixar desvalorizar as suas reservas em dólares americanos.
Que oportunidades poderão surgir no mercado da dívida, sobretudo na dívida privada?
As grandes oportunidades já passaram pois quando os riscos reais e potenciais eram exagerados as taxas de juros também foram excessivas.
E foram essas as grandes oportunidades tanto na dívida pública como privada, especialmente a dos bancos.
Como nas acções os rendimentos das obrigações vieram para níveis de elevada rentabilidade que progressivamente baixaram.
Actualmente as obrigações preferidas são as de empresas nomeadamente as de "high-yield" com duração não superiores a cinco anos, tendo em conta o risco de regresso à inflação.
A experiência da Optimize indica que os investidores ganharam agressividade ou pelo contrário, mantêm parâmetros de refúgio?
Nas épocas de euforia mesmo os aforradores clássicos se tornam investidores agressivos. Frequentemente demasiado tarde. Actualmente ainda existe na maioria dos aforradores o "medo dos mercados" o que lhes fez perder a primeira fase de alta.
Considero que devem ser constituídas carteiras mistas acções / obrigações em percentagens adequadas ao perfil do investidor e ao prazo do investimento. E uma sobre-ponderação ligeira das acções, sobretudo de sectores ou empresas defensivas deve ser tentada.
Os portugueses ganharam para o susto nos últimos 12 meses e estão a apostar nos produtos de poupança-reforma ou, foi "sol de pouca dura" e voltaram a "apostar no consumo"?
Existe em todo o mundo a consciência que o futuro não permitirá continuidade da "sociedade de consumo" a que nos habituamos.
Por razões de insuficiência de rendimentos, de falta de garantia de emprego e sobretudo por razões ligadas ao desenvolvimento durável.
E como este problema terá tendência para se agravar penso que o Homem adoptará comportamento cada vez mais "modestos" e preservadores do meio ambiente.
O sentimento que a reforma oficial será cada vez mais insuficiente e que o estado português não tem capacidade de endividamento para manter em níveis satisfatórios está a levar cada vez mais os cidadãos a pensar em poupança com vista à reforma. Até os americanos.
Que opções de investimentos devem ser tomadas para um aforrador adepto de uma posição equilibrada e quais as que devem ser tomadas para um agressivo?
Como já referi as percentagens de acções versus obrigações poderão ser de cerca de 60% de acções para o investidor agressivo e de 30% para uma carteira mais equilibrada.
De momento o imobiliário ainda não constitui uma oportunidade de investimento, devendo os preços baixar ainda de 10% a 20%.
Relativamente a mercados de acções, considero o Japão uma oportunidade e quanto a sectores, as farmacêuticas, os seguros e a distribuição merecem a minha preferência.
De notar que não temos cotadas na bolsa de Lisboa empresas de seguros e farmacêuticas, pelo que a internacionalização das carteiras se torna obrigatória.
O que aconselha no momento actual para os investidores em geral?
A partir da leitura da imprensa sobre os casos BPN e BPP considero haver um nível de iliteracia financeira relativamente elevada em Portugal.
Os bancos colocam os seus produtos, não prestam conselhos de investimento que devem ser sempre personalizados, explicados e compreendidos pelo investidor.
Quem tem dinheiro tem pelo menos de se interessar sobre o nível de risco que está a correr e definir um máximo de prejuízo que está disponível a aceitar. É a partir desta definição que se pode constituir uma carteira, sempre diversificada, para cada cliente.
A figura do "consultor financeiro" quase inexistente em Portugal tem de passar a ter uma importância fundamental na gestão das poupanças dos portugueses.
Assim, deixem de "chorar sobre o passado", identifiquem quem não cumpriu correctamente os seus deveres de conselho e comecem por fazer um diagnóstico patrimonial que permitirá fixar novos objectivos.
O capitalismo não acabou mas estamos perante novos paradigmas que convém conhecer. Nos próximos anos é na Ásia e no Brasil que assistiremos à maior acumulação de capital.
Há que escolher fundos geridos por especialistas para não perder essas oportunidades. As quais serão acompanhados por valorização progressiva das moedas desses países sobretudo relativamente ao dólar, mas também ao euro.
E há que exigir um acesso online às carteiras de títulos para conhecer em permanência os resultados obtidos.
Qual o actual volume de activos sob gestão na Optimize e quais são os clientes-tipos da Optimize?
Gerimos hoje perto de 9,3 milhões de euros nos nossos três fundos de investimento, os dois fundos PPR representando 90% deste valor, aos quais vêm juntar-se cerca de 1 milhão de euros de activos de gestão discricionária.
Temos claramente dois tipos de clientes na Optimize: pequenos e médios aforadores que procuram uma melhor rentabilidade dos seus PPR em relação aos produtos de capital garantido, e por outro lado investidores com um património financeiro importante que querem um aconselhamento personalizado e independente na gestão da sua fortuna.
Que produtos poderão vir a ser lançados este ano?
Iremos lançar até ao final deste ano pelo menos mais um fundo de investimento, de retorno absoluto, e temos outros projectos em curso embora ainda seja um pouco cedo para falar deles.
Como está a correr a área de mediação de seguros? Qual o volume de prémios gerados? Qual a estratégia de crescimento nesta área, via orgânica ou compra de pequenas corretoras?
O volume de prémios gerados pela área de mediação de seguros ainda não é significativo, não tendo sido a nossa prioridade até agora. Iremos claramente acelerar o nosso desenvolvimento nessa área a partir de 2010.
Em termos de mediação de seguros, o nosso objectivo é de completar à nossa gama de fundos de investimento, nomeadamente através de produtos de taxa garantida, de fundos de pensões ou de unit-links, seleccionados junto de várias seguradoras. Esses produtos irão ser distribuídos directamente por nós ou pelos nossos intermediários que também actuam, muito deles, como agentes de seguros.
Não temos intenção de nos desenvolver por crescimento externo, mas sim continuar a recrutar mediadores e agentes vinculados para distribuir a nossa oferta.