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Montepio
Pictet / zona euro

21/06/10, 20:14

Mínimos históricos nos Bunds a dez anos.
O plano de resgate adoptado pelos dirigentes europeus, que prevê um pacote de 750 mil milhões de euros de ajuda a qualquer pais da zona euro (em caso de necessidade) bem como o anúncio, por parte do BCE, da recompra de empréstimos dos países em dificuldade permitiram o regresso de uma certa calma ao mercado de obrigações, facilitando a redução substancial dos prémios de risco, em comparação com o nível recorde que haviam atingido no início de Maio.
No entanto, o mercado continua algo receoso, devido à persistência das incertezas que rodeiam a capacidade da Grécia em reduzir a sua dívida e pelo facto de a redução do deficit orçamental da Irlanda ser decepcionante. Por outro lado, o mercado teme que o regresso a uma maior disciplina orçamental possa comprometer uma retoma económica. Neste contexto, manteve-se a queda das yields dos Bunds a 10 anos, atingindo mínimos históricos de 2,54% , com a curva das taxas a registar um flattening.

 
Crescimento de 0,2% no 1ºT
No primeiro trimestre, o PIB aumentou 0,2% e é provável que a indústria tenha dado um contributo significativo para este crescimento. Para os próximos trimestres, os inquéritos conjunturais deixam antever a continuação da retoma da actividade económica. Embora o regresso a um maior rigor orçamental possa vir a refrear a retoma, a baixa das taxas de juro, o comportamento do euro, bem como o preço das matérias-primas são, pelo contrário, factores de suporte da actividade económica. As previsões de consenso estimam ainda um crescimento de 1,1% do PIB, para este ano, e de 1,5% para 2011, com uma taxa de inflação que se irá manter inferior ao objectivo oficial de 2%.

 
Erosão da inflação subjacente
Em Abril, a inflação manteve-se estável, nos 1,5%, e deverá manter-se contida, no médio prazo, com base na fragilidade do custo do trabalho, de uma taxa de desemprego na ordem dos 10%, de uma recuperação económica débil e da fraca expansão do crédito. A descida da inflação subjacente manteve-se, com a taxa a descer dos 1,0% para os 0,8%. Na Alemanha, a inflação subjacente é de apenas 0,3%, enquanto a Irlanda e Portugal já registam taxas negativas.

 
Cepticismo dos mercados
A falta de coesão europeia e, em particular, a ausência de um governo central, continua a ser uma preocupação para os mercados. Apesar da vontade demonstrada em apoiar os países fragilizados da zona euro, os mercados irão manter-se cépticos e irão exigir um prémio de risco face à deterioração das finanças públicas, e a resolução desta problemática ainda irá levar alguns anos. No entanto, este prémio de risco irá manter-se contido devido à recompra de empréstimos do Estado por parte do BCE.

 
Com uma recuperação económica que se mantém modesta e a continuação da redução da inflação subjacente (o que torna pouco provável uma subida de taxas por parte do BCE ainda por mais alguns meses) a rendibilidade dos Bunds a 10 anos deverá evoluir ainda num nível baixo, durante o Verão. O perfil das estruturas das taxas poderá voltar a registar um flattening caso a situação económica se deteriore. No entanto, o cenário mais provável é o de uma ligeira recuperação das rendibilidades, com a diminuição da aversão ao risco.

 
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