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Pictet / Zona euro / Dados económicos encorajadores

25/11/09, 21:03

Os dados económicos recentes confirmam uma melhoria da conjuntura económica. Manteve-se a recuperação dos índices dos directores de compras, quer no sector de produção quer no sector dos serviços, com o índice compósito a subir dos 51,1 para os 53,0, em Outubro, de acordo com os números preliminares.
A produção industrial aumentou 0,9%, beneficiando da recuperação da procura global e das medidas orçamentais que estimularam o sector automóvel. Por outro lado, as vendas europeias de automóveis subiram 6,3%, em Setembro, estimuladas pelas medidas de incentivo à renovação do parque automóvel. A conjuntura deverá registar uma melhoria progressiva mas corre o risco de sofrer as consequências do final das medidas de estímulo económico durante o próximo ano. As estimativas de consenso são de uma contracção do PIB de 3,9%, para este ano, e de um avanço de 1,1 em 2010.  
Inflação inferior ao objectivo oficial em 2010
Em Setembro, os preços no consumidor mantiveram-se estáveis, mas, em termos y-o-y, a taxa de inflação desceu, ligeiramente, passando dos -0,2% para os -0,3%. Dado o desaparecimento dos efeitos base positivos, ligados à evolução dos preços da energia e dos produtos alimentares, a inflação deverá regressar a terreno positivo durante o próximo mês. Esta taxa deverá situar-se perto dos 1,0%, no início de 2010, para estabilizar perto dos 1,0%-1,5%, mantendo-se, assim, num nível inferior ao objectivo do BCE. A taxa de inflação subjacente voltou a descer ligeiramente, passando dos 1,3% para os 1,2%, e deverá continuar a diminuir durante o próximo mês.
 
O BCE irá manter uma atitude de prudência
Em Outubro, o BCE manteve as suas taxas inalteradas e o seu discurso oficial não registou qualquer alteração. Os seus membros estão convictos que a retoma económica ainda se apresenta frágil e que qualquer alteração da sua política económica será ainda prematura. Com base na perspectiva de uma retoma moderada, e de uma inflação que se irá manter visivelmente inferior ao objectivo oficial ao longo de 2010, o BCE não deverá voltar a subir as suas taxas de forma rápida. No máximo, deverá começar a abandonar a sua estratégia, em termos de medidas de política monetária não convencionais, como a recompra de activos ou as operações de refinanciamento ilimitadas. A valorização do euro, especialmente em relação ao dólar e à libra esterlina, que limita as pressões inflacionistas, também não é um argumento a favor de uma subida das taxas directoras, ainda que o BCE apenas se preocupe, de forma moderada, com a evolução das taxas cambiais.

 
Correcção do mercado de obrigações
Em Outubro, as yields das obrigações começaram a aumentar, com o perfil da estrutura de taxas a subir ligeiramente. A recuperação económica, a manutenção de uma política monetária acomodativa (o receio de que o BCE esteja behind the curve) e o fluxo de emissões governamentais deverá continuar a pesar no mercado que, apesar disso, não deverá registar uma correcção muito significativa. No âmbito da degradação das finanças públicas, a agência Fitch acaba de baixar a notação financeira da Grécia. Este ano, os bancos adquiriram cerca de 55% do aumento da dívida da zona euro, graças à abundância de liquidez de que dispõem; como será no futuro?

 
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