Como se esperava, o BCE decidiu manter inalteradas as suas taxas directoras, mantendo as taxas
repo em 1%, o seu nível historicamente mais baixo.
No entanto, o BCE tomou algumas decisões quanto à retirada progressiva das suas medidas operacionais não convencionais. O BCE decidiu que a taxa aplicada à última operação de refinanciamento de prazo alargado com prazo de 6 meses seria indexada à média da
bid rate mínima das operações de refinanciamento semanal durante o período (as mesmas modalidades da última operação de refinanciamento de prazo alargado com prazo de 12 meses, em Dezembro).
As operações semanais (operações principais de refinanciamento) e as operações de refinanciamento a um mês serão realizadas com taxa fixa, com colocação total, até meados de Outubro, enquanto que as operação de refinanciamento de prazo alargado com prazo de 3 meses irão regressar ao seu
modus operandi anterior à crise (leilões de taxa variável) a partir do final de Abril.
De igual modo, o BCE apresentou as suas estimativas de crescimento e de inflação. O BCE quase não alterou o seu diagnóstico sobre a economia, estimando um crescimento de 0,8% em 2010 e de 1,5% em 2011 e uma taxa de inflação inferior ao objectivo oficial de 2% em 2010 e em 2011.
A lenta retoma que se prevê, uma inflação que se irá manter inferior ao objectivo oficial, os problemas suscitados pela Grécia e o regresso a um maior rigor orçamental concorrem para a manutenção de um statu quo prolongado no que se refere às taxas directoras.
Evolução dos inquéritos conjunturais
As vendas a retalho diminuíram 0,3%. A taxa de desemprego manteve-se estável, nos 9,9%. A produção industrial aumentou 1,7%, mas a do sector da construção diminuiu 2,2%. As vendas automóveis subiram 3,0%, mas as inscrições de novas matrículas no 1º. Trimestre continuam a ser suportadas pelas encomendas de 2009 estimuladas pelos prémios governamentais. Em Março, os índices dos directores de compras e os inquéritos conjunturais registaram uma melhoria, deixando antever um reforço da actividade após um 4º. Trimestre de 2009 muito decepcionante.
Descidas das taxas de longo prazo
Os rendimentos das obrigações dos países europeus, entendidas como de menor risco, continuaram a baixar, regressando, aos seus níveis mais baixos dos últimos dois anos. A retoma económica decepcionante, bem como a perspectiva de um regresso a um maior rigor orçamental que desencoraja, durante algum tempo, a subida das taxas directoras do BCE, beneficiaram as obrigações percepcionadas como de melhor qualidade. Na conjuntura de uma recuperação económica moderada e não inflacionista, com as taxas directoras estáveis e uma estrutura de taxas ligeiramente ascendente, os rendimentos de prazo mais longo deverão evoluir entre os 3,0% e os 3,5% ao longo dos próximos três meses.
Com um clima económico de incerteza, os receios acerca do financiamento das dívidas públicas irão continuar a revelar-se um factor chave para os mercados governamentais europeus. Os prémios de risco deverão continuar a evoluir em níveis elevados, nomeadamente os relativos à Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália.
Pictet Europe