Os receios sobre o financiamento das dívidas públicas foram um factor chave dos mercados governamentais europeus.
A Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália voltaram a estar na primeira linha. A fragilidade da conjuntura e as dúvidas quanto à recuperação, e em simultâneo o desenhar da redução dos deficits, também influenciaram a tendência.
O plano de rigor grego não foi capaz de sossegar os mercados. Por um lado, o aumento dos custos de financiamento da dívida grega poderá comprometer o saneamento das finanças públicas e, por outro, o país arrisca-se a assistir a movimentações sociais muito importantes. Por agora, mantêm-se as incertezas quanto a uma ajuda europeia à Grécia. O país poderá, igualmente, recorrer a um empréstimo do FMI. Em qualquer dos casos, a Europa deverá fazer uma profunda reflexão sobre a implementação de novas regras de supervisão e de sanções relativas á derrapagem das finanças públicas.
O BCE mantêm as suas taxas inalteradas
Conforme previsto, no início de Março, o BCE manteve inalteradas as suas taxas directoras, com a taxa repo a manter-se nos 1%. Jean-Claude Trichet considera adequado o actual nível de taxas, indicando que o processo de recuperação será irregular e que não existe um risco inflacionário. Jean-Claude Trichet insistiu na implementação, por parte dos governos, de estratégias de saída da crise que permitam voltar aos limites estabelecidos pelo Pacto de estabilidade europeu, que prevê rácios de 3% para o deficit e de 60% da dívida relativamente ao PIB. Declarou ainda que a consolidação deverá ter início em 2011 o mais tardar. Apesar da maioria dos países estar empenhada em respeitar o Pacto até 2013, foram bastante evasivos quanto à forma como o irão conseguir. Em Março, o BCE irá tomar algumas decisões relativas à retirada progressiva das medidas de apoio aos mercados e às economias europeias. A lenta recuperação que se desenha, uma inflação que se irá manter num nível inferior ao objectivo oficial e os problemas suscitados pela Grécia concorrem para um statu quo prolongado no que respeita às taxas directoras.
Retoma decepcionante
No 4e trimestre, o crescimento da zona euro foi de apenas 0,1%, contra os 0,4% esperados. A taxa de desemprego atingiu a fasquia simbólica dos 10%. O índice dos directores de compras do sector produtivo continuou a progredir, passando dos 52,4 para os 54,1 mas o dos serviços diminuiu dos 52,5 para os 52,0. A produção industrial registou uma contracção de 1,7% e as vendas a retalho estagnaram. A Comissão europeia estima um ritmo de crescimento insípido, de apenas 0,7%, em 2010. O consumo das famílias, que apesar de tudo registou um melhor comportamento devido às diferentes medidas de suporte ao poder de compra, irá continuar frágil, ao longo deste ano, devido à degradação do mercado de trabalho. O investimento industrial não deverá recuperar antes de 2011, uma vez que a taxa de utilização de capacidade se mantém muito baixa.
Mercados mantêm-se na expectativa
Numa conjuntura de recuperação económica moderada e não inflacionista, com as taxas directoras estáveis e uma estrutura de taxas moderadamente ascendente, as yields dos bunds alemães deverão manter-se relativamente estáveis nos próximos três meses.
Colaboração da Pictet Europe