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Montepio
Zona Euro / Baixa no nível de confiança económica

26/07/10, 19:49

A crise desencadeada pela deterioração das finanças públicas já começou a afectar, negativamente, a confiança dos responsáveis das empresas e dos consumidores da zona euro, cujo índice publicado pela comissão europeia recuou 2,2 em Maio, para os 98,4.
Os índices dos directores de compras comportaram-se da mesma forma. O índice do sector dos serviços passou dos 56,2 para os 55,4 e o do sector da produção de 55,8 para 55,6. O índice ZEW, que mede as expectativas em matéria de crescimento económico, afundou dos 37,6  para os 18,8. A taxa de desemprego também subiu ligeiramente, passando dos 10,0% para os 10,1%. As vendas a retalho recuaram 1,5%.
As vendas de automóveis diminuíram 9,3%; os resultados das medidas governamentais de suporte continuam a  evaporar-se  num clima económico ainda complicado. No 1º trimestre, o crescimento do PIB foi de +0,2%. Para este resultado, destacam-se as contribuições positivas dos stocks +0,8%, das despesas públicas +0,1% e das exportações +0,9%. De forma inversa, destaque para os contributos negativos das importações -1,4%, do investimento  -0,2% e das despesas das famílias -0,1%.

 
Em Maio, a taxa de inflação y-o-y subiu ligeiramente, passando dos 1,5% para os 1,6%, mas com a taxa de inflação subjacente manteve-se estável, nos 0,8%. A moderação do custo do trabalho, o elevado nível de desemprego, a fraca expansão do crédito e um crescimento económico modesto concorrem para a manutenção da contenção inflacionista.

 
Regresso a um maior nível de austeridade
No seguimento da crise grega, que arriscava criar um efeito de bola de neve, os países europeus adoptaram um plano de ajuda, no valor de 750 milhões de euros, destinado a ajudar os países em dificuldades. Consequentemente, a maioria dos membros da zona euro anunciaram planos de austeridade, mais ou menos controversos quanto ao seu impacto em termos económicos. Por outro lado, os vinte e sete acordaram em submeter os seus projectos orçamentais nacionais à UE antes de os apresentar aos seus próprios Parlamentos. Adicionalmente, também acordaram em infligir novas sanções aos "maus alunos" e em publicar os resultados dos testes de resistência dos bancos.

 
O BCE irá manter-se muito acomodatício
Numa conjuntura de tensão dos mercados de empréstimos interbancários, o BCE decidiu (sem surpresa) manter inalterada a sua taxa directora, nos 1,0%, e confirmou a sua politica de recompra de obrigações de Estado. Apesar de o BCE ter melhorado as suas previsões de crescimento económico para este ano, passando dos 0,8% para os 1,0%, reduziu a previsão para 2011, dos 1,5% para os 1,2%. O BCE continua muito prudente nos seus prognósticos uma vez que os resultados das políticas orçamentais mais restritivas e das novas restrições  de regulamentação dos bancos tornam esses prognósticos arriscados.

 
Com os receios de um duplo buraco económico, uma potencial continuação da diminuição da inflação subjacente e a manutenção de uma politica monetária muito acomodatícia, a rendibilidade dos Bunds a 10 anos irá evoluir a um nível baixo durante o Verão. Apesar das intervenções do BCE no mercado de obrigações, os prémios de risco intra-europeus irão manter-se elevados.

 
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