"O argumento para investir nos mercados emergentes no médio e longo prazo permanece positivo, considerando que as actuais quedas do mercado são uma pausa saudável para respirar, após substanciais retornos do mercado e fortes entradas de capital", afirma a equipa da Schroders.
Também o Citigroup frisa que os mercados emergentes continuam a ser uma boa oportunidade de investimento. Justificam aqueles analistas que este tipo de mercado, além de terem balanços bem mais sólidos dos que os dos mercados desenvolvidos, podem beneficiar do acesso a financiamentos mais baratos por mais tempo.
Os BRIC, que incluem Brasil, Rússia, Índia e China, registaram desde 1999 até à actualidade, uma rendibilidade superior a 500%, enquanto mercados desenvolvidos obtiveram, em média, retornos negativos. Por outro lado, os actuais países emergentes beneficiam do forte crescimento da sua classe média, o que sustenta um crescimento contínuo. Dados da Goldman Sachs revelam que entram na classe média dos países emergentes anualmente, cerca de 70 milhões de pessoas e este ritmo poderá chegar aos 100 milhões.
Para já, as acções asiáticas são aquelas que estão a beneficiar mais dos números da inflação nos EUA ficarem abaixo do esperado. Este facto fez com que os investidores reduzissem o receio de que a Reserva Federal suba a taxa de juro de referência num futuro próximo. O índice MSCI Ásia revelava, no início desta semana, a maior subida desde finais de Novembro.
Um analista da Pengana Capital disse à Bloomberg, que os investidores estavam assustados com a decisão da FED de subir a taxa de desconto, muito embora Ben Bernanke, o presidente do regulador norte-americano tenha vindo sossegar os mercados e os políticos, dando indicações de que a subida da taxa de juro de referência, não é para já. Com efeito, com a economia americana a melhorar devagarinho, mas sem pressões inflacionistas, a Federal Reserve não necessita de fazer um aperto da política monetária, mantendo os mercados com taxas de juro historicamente baixas.
Acções americanas
A questão que se tem colocado entre analistas é se este é o ano das acções norte-americanas e se estas são uma alternativa de investimento. Mais uma vez os analistas do Millenniumbcp ao nível do crescimento do mercado emergente e do dólar mais fraco. Afirmam que esta combinação de factores proporciona uma oportunidade. O consensus da Bloomberg conclui que o crescimento real do PIB nos EUA será de 2,6% em 2010, e os analistas do Millennium admitem que o crescimento seja muito mais alto nos mercados emergentes, particularmente na China, Índia e Brasil e ainda que muitas empresas nos EUA beneficiarão desse crescimento.
Outro dado relevante refere-se ao consumo pessoal que no terceiro trimestre aumentou 2,8%, em termos anualizados, enquanto que os inventários comerciais começaram a descer e o rácio dos inventários para vendas está ao nível de 2004. Isto sugere, na óptica dos analistas, que qualquer melhoria na procura final se deveria traduzir mais directamente num aumento na produção industrial, pois os níveis de inventário já estão muito baixos.
O actual ciclo é, por outro lado, dos mais favoráveis para as obrigações empresariais. Os analistas do Millennium afirmam que "quando as economias estão em fase de consolidação a seguir a uma recessão, com baixas taxas de crescimento e as empresas com vontade de redução de dívida, significa que o mercado de crédito tem condições para se sobrevalorizar".
Os analistas recordam que o mercado deverá também "prestar atenção à necessidade crescente dos investidores na procura de rendimento e no processo de desalavancagem dos balanços das empresas". E uma das formas de aproveitar estas tendências é através de obrigações de crédito do sector financeiro. A analista Rebecca Seabrook do Millenniumbcp afirma, em estudo, continuar a acreditar que as obrigações de alto rendimento (high yield) tem valores atractivos, pelo que os fundos do grupo estão a aumentar a exposição nesta vertente, à medida que as novas emissões vierem para o mercado. Este será um ano bom para os investidores em obrigações empresariais.
O mercado luso
Analistas do Millenniumbcp alertaram, no início de Fevereiro para o risco de "perdas potenciais no índice PSI20, atendendo à subida acentuada dos CDS (Credit Default Swaps), em especial nos últimos dias e à disparidade da correlação nos últimos meses".
Ainda de acordo com o trabalho do Millennium, a evolução dos CDS associados à dívida de Portugal, com maturidade a cinco anos, permitiu constatar "uma forte correlação inversa com o índice nacional PSI20 desde Janeiro de 2008 a Outubro de 2009 (menos 0,84)". Isto significa que uma subida dos CDS se reflectiu numa descida do índice português, e vice-versa. Os analistas que fizeram um paralelismo de comportamentos com a Grécia, constataram que com a degradação dos outlooks nos dois mercados, português e grego, os CDS da dívida soberana têm vindo a aumentar significativamente desde Outubro de 2009. Adianta que a reacção do mercado português a essa subida "foi mais ténue do que a registada no índice grego, que já recuou mais de 35% desde Outubro".