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Montepio
Investimentos alternativos precisam-se

21/06/10, 20:24

O anúncio da China de que vai deixar a sua divisa apreciar-se levou à subida das acções na Europa e nos EUA, e à apreciação da generalidade das "commodities", com destaque para o ouro.
Este metal vai entrar no 10º ano consecutivo de valorização, tendo atingido os 1.257,80 dólares no início desta semana. A China anunciou que permitirá a apreciação do yuan de forma gradual, de forma a não prejudicar a economia do país. As acções de empresas europeias e norte-americanas são uma alternativa de investimento, tendo em conta a recuperação da economia americana, embora a europeia continue a não dar sinais claros de saída de recessão.
A politica agressiva da FED tem ajudado as empresas do país, enquanto na Europa, as notícias do mega-fundo são um sinal de força para a moeda única. E, embora o BCE não possa actuar ao nível do crescimento económico, mas apenas no controlo de preços, já se fala da alteração de estatutos do BCE para que este tenha uma actuação ao nível da FED.
Ainda a nível accionista, o mercado nacional está muito activo nas construtoras e na banca. O aproveitamento de alguma especulação, nomeadamente com os títulos da PT são uma oportunidade.
A nível das "commodities", a expectativa é de continuação de crescimento dos vários metais, tendo em conta que a China, Índia e Brasil vão manter níveis de crescimento acima dos 5%. O preço do crude tem-se mantido estável, tendo em conta que o dólar continua forte, enquanto as energias alternativas estão a ganhar terreno.
A aposta nas obrigações está centrada nas "bunds" e nas "treasuries", devido à desconfiança do investimento pela dívida pública dos países da zona Euro, com excepção da dívida alemã. O investimento na área cambial continua a pender para o dólar face ao euro, embora a divisa europeia tenha apreciado nas últimas semanas. E embora alguns analistas afirmem que o pessimismo em relação aos problemas orçamentais estejam a retroceder, o ajuste em alta do euro foi controlado.


O gosto pelos mercados emergentes


Os níveis reduzidos das taxas de juro que se deverão manter durante os próximos trimestres está a levar os investidores a procurem outras geografias, com o objectivo de obterem rendimentos mais elevados. O mercado da dívida tem sido o eleito, com destaque para a dívida emitida pelas empresas dos países considerados emergentes. A procura tem-se posicionado no maior risco de crédito, concretamente nas obrigações "high yield" e que, de acordo com uma recente nota do ActivoBank, apresenta taxas de retorno até à maturidade superiores a 9%.
No mesmo trabalho faz-se um comparativo entre as taxas de retorno das obrigações de elevados rendimentos (high yield) dos países desenvolvidos e a dos mercados emergentes, com estas a apresentarem uma taxa de retorno média anualizada da ordem dos 9,6%, considerando os exercícios de 1998 a 2009, contra 5,89% dos mercados desenvolvidos. No entanto, o risco de crédito de obrigações de empresas de mercados emergentes inclui uma componente de risco soberano e outro de risco específico da empresa. Aliás, um estudo da Moody's, citado pelo ActivoBank, revela que quase 75% dos incumprimentos com dívida de empresas de países emergentes ocorreu em simultâneo com um incumprimento com dívida soberana. Os exemplos mais conhecidos são os da Rússia em 1998 e da Argentina de 2001/2002.
Os analistas chamam, no entanto, a atenção para a oportunidade de investimento que as obrigações de mercados emergentes podem dar. Consideram que as agências de rating têm sido demasiado severas com as notações de risco atribuídas a estas empresas, e isso poderá significar uma sub-valorização das mesmas. Notam que as taxas de incumprimento de crédito de empresas de mercados emergentes têm sido inferiores às de empresas norte-americanas com notação de crédito equivalente em oito dos últimos 10 anos. As excepções aconteceram em períodos de crise económica, como foi 2002 e 2009. Dito isto, importa realçar que 75% das emissões de 2009 de empresas de mercados emergentes foram classificadas pelas agências de rating como tendo bom risco.


"Commodities"
O crude continua a ser a "commoditie" de maior interesse no mercado. Os preços do petróleo acentuaram a tendência de alta, depois da Agência Internacional de Energia ter revisto em alta as previsões de consumo. A AIE prevê que o consumo de petróleo aumente 2% este ano, para um nível de 86,4 milhões de barris/dia, o que seria um recorde. Recorde-se que este investimento é denominado em dólares, o que com a valorização do euro torna-se mais interessante o investimento em activos pagos em dólares.


Voltou parte da confiança na recuperação mundial e a recente decisão das Autoridades chinesas, no sentido de uma apreciação da divisa local, veio acelerar o interesse em matérias-primas. Os analistas acreditam que voltam as oportunidades para outros mercados emergentes, os quais vão procurar mais crude, mais ferro ou mais cimento. Os mercados asiáticos registaram, esta semana, o maior ganho dos últimos sete meses, com a decisão do banco central chinês. O petróleo estará a beneficiar da valorização do yuan face ao dólar, com os analistas a afirmarem que este facto vai levar a uma maior atractividade das matérias-primas denominadas em dólares como investimento alternativo.
As acções asiáticas são outra opção para os investidores, que antecipam um impacto reduzido da crise orçamental europeia na retoma da economia global. Um gestor ligado à Schroders assinalava, esta semana, que o índice MSCI Ásia - Pacífico está 13% abaixo do máximo atingido em meados de Abril, depois dos investidores saíram das acções com receio do impacto da crise europeia no mercado mundial. O mesmo gestor realçou que possivelmente os investidores estarão a ser demasiado pessimistas quando analisam o impacto da crise europeia no crescimento global. O índice japonês está igualmente num "trend" de crescimento, com o sector exportador japonês a valorizar, depois do euro ter apreciado face ao iene. Isto significa exportações japonesas mais competitivas.
A aposta no Brasil e no real pode ser uma oportunidade, tendo em conta a possibilidade do banco central brasileiro vir a subir a taxa de juro. Esta solução poderá ser necessária depois de reconhecido o facto de que no primeiro trimestre do ano, o país registou o crescimento mais elevado desde 1995. A Bloomberg estimava a possibilidade de uma subida da taxa de referência Seleci em 75 pontos de base, para os 10,25%. Recorde-se que o PIB do Brasil relativo ao primeiro trimestre do ano subiu 9%, contra 2,7% de crescimento no trimestre anterior. O banco central brasileiro vai ter de agir rapidamente.

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