Desde quando se deve começar a poupar? Será que os descontos para a reforma não são suficientes? Os mais pequenos têm capacidade de poupança? A conjuntura difícil não permite poupar?
Estas são questões que se colocam todos os dias às famílias. As instituições financeiras estão atentas e com produtos específicos, geralmente associados à ideia de "poupança júnior". Há mesmo instituições, caso do BES, que lhes associa um ícone como símbolo da poupança (porquinhos mealheiro BES/Agatha Ruiz de la Prada). Outras instituições têm estratégias semelhantes, mas o objectivo é o mesmo: poupar desde cedo.
O que preocupa os portugueses são as mais recentes estatísticas sobre aquilo que será o futuro, para quem não poupar desde muito cedo. Dados da OCDE, coligidos pela equipa de research do Millenniumbcp, dão conta que dentro de 20 anos o valor médio das pensões em Portugal será equivalente a 54% do último salário. Adianta o trabalho que "tendo em conta o número de trabalhadores activos, será proporcionalmente inferior". Perante isto impõem-se medidas.
Uma correcta gestão das finanças pessoais é imprescindível. Os mesmos analistas vão mais longe e dão conselhos simples. Por exemplo, deve-se escolher um mês para se "deixar levar pelo espírito de poupança" e fazer listas do que se precisa realmente. O importante é poupar no consumo e aforrar naquilo que é possível mas, sobretudo, é preciso começar. A pensar dessa forma, o Finibanco, lançou um produto de poupança para crianças e jovens, com entregas periódicas a partir dos 25 euros por mês. O produto desenho sob a forma de seguro, o FiniCresce Seguro, permite, em cenário, chegar aos 40.900 euros, tendo em conta entregas de 100 euros e um contrato com a duração máxima prevista. Esta é uma ideia de entre muitas outras, que as instituições financeiras estão a oferecer para aforrar desde cedo.
A poupança das famílias portuguesas atingiu, em 2009, apenas 1,3% do PIB, contra 3,4% em 2002, de acordo com dados das contas nacionais, publicadas pelo Banco de Portugal. O reduzido crescimento do país, a subida das taxas de juro, ausência de aumentos salariais ou a subida, sem precedentes, da taxa de desemprego.
Sem poupança não pode haver investimento, excepto se se recorrer ao mercado externo e as noticias mais recentes da economia portuguesa não permite aos bancos nacionais recorrerem ao mercado externo nas melhores condições. A solução é poupar recursos internos para serem alocados no país, ou para servirem de "almofada" para um futuro incerto. Ainda números do banco central do final do ano passado, indicavam que no primeiro semestre de 2009 o recurso ao endividamento por parte das famílias portuguesas tinha estabilizado, atingindo os 134% do rendimento disponível.
Poupar
A poupança júnior é sinónimo de "poupar cedo", ou seja, criar o espírito do aforro. Um estudo com dois anos do BES/Apeme indicava alguns factores cruciais para esta pré-disposição dos jovens. Afirmava-se que "enquanto os adultos procuram gerir o dia-a-dia, as crianças mostram-se disponíveis para poupar significativamente a partir dos seus (pequenos) rendimentos disponíveis". Acrescentavam os analistas que "juntar dinheiro num mealheiro ou poupar em recursos energéticos passou a ser condição primeira para garantir um futuro seguro".
Mais uma vez, o BES deu o exemplo com o porquinho-mealheiro desenhado por Agatha Ruiz de la Prada, que lançado no Dia Mundial da Criança, esgotou, indicou fonte da instituição. Mais. Na campanha de Natal, aquele banco registou um crescimento de 18% no número total de contas Poupança BES Júnior, muito embora o montante médio de poupança tenha caído 40% em termos homólogos. A mesma fonte salienta o facto de a média das contas ter ficado acima dos 500 euros.
As famílias continuam, por isso, predispostas para o aforro, e a conjuntura recente vai gerar número de poupanças pouco comuns, perspectivando-se uma inversão da tendência dos últimos anos e uma subida das taxas de aforro sobre o PIB. Aliás, há sinais de final do ano passado que dão conta de uma inversão da tendência. Mais. No trabalho do BES constata-se que cerca de 89% das crianças inquiridas já poupam. A terminologia passou a alargar-se, pois a energia eléctrica e a água são passíveis de poupança. "Uma consciencialização não só ambiental, mas que acaba por ter reflexos na factura mensal".
Do trabalho que temos vindo a falar, cerca de 32% dos inquiridos poupam tendo em vista o futuro, para se sentirem seguros. Depois, cerca de 68% prefere amealhar tendo como horizonte o curto e médio prazos. Um dado curioso deste estudo sobre poupança do BES é que a mãe é o "modelo a seguir por 80% dos inquiridos", sendo ainda este o elemento, na família nuclear, que é apontado como aquele que mais deveria poupar. Os pais passaram a dar conselhos no sentido de que o dinheiro, em semanada, ou mesada, precisa de ser gerido de forma a valorizar o montante aforrado.
Em termos de bancarização, o trabalho concluir que 65% dos inquiridos têm conta bancária, sendo que esse é um posicionamento que começa para os mais pequenos, em 82% dos casos e, claro é concretizado através do país ou avós. A mesada e a semana são as formas de financiamento que os pais preferem para que os filhos aprendam a poupar, e a perceber quanto o dinheiro custa a ganhar.
O mealheiro
Quando se fala em poupar cedo, pensa-se em mealheiro e no convencional "porquinho". Esta é, indiscutivelmente, a forma mais apreciada de ter um "cofre", ou espaço próprio.
Hoje, ter um mealheiro é algo visto como "um acto de inteligência", dizem os financeiros. O aforrador vê aquele espaço como seu e no qual, dia após dia, vai guardando os seus rendimentos. Cerca de 48% dos jovens inquiridos gosta de saber quanto dinheiro já poupou.
Outros dados interessantes deste trabalho são, por exemplo, o facto de para as crianças dentro dos seis anos, o multibanco é sinónimo de banco, sendo que depois de dominarem letras e números, passam a ter outros sentimentos, já que aquelas máquinas deixam de ser volumes de onde sai o dinheiro, para máquinas onde se levanta o dinheiro com um cartão. É pelos 10 anos que a percepção de banco muda para local onde se prestam diversos serviços, caso dos depósitos, levantamentos, pagamento de contas, carregamento de telemóvel e há mesmo quem tenha a noção do empréstimo para estudo ou para uma viagem.