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Recessão afectou as utilities em todo o Mundo

25/11/09, 20:59

A crise económica mundial está a ter um impacto muito negativo sobre as utilities, reflectindo na quebra do consumo de electricidade e gás.
Esta conclusão decorre do estudo da Capgemini, em parceria com a Société Générale Global Research & Strategy, o CMS Bureau Francis Lefebvre e a VaasaETT, inserido na décima primeira edição do European Energy Observatory Report (EEMO)[1]. Em linha com o anteriormente previsto pela 10ª Edição, o Estudo deste ano sublinha a pressão desencadeada pela actual recessão económica à escala global e que se abateu sobre o sector das Utilities em todo o mundo, traduzindo-se numa ameaça inédita de quebras históricas nos índices de consumo de electricidade (menos 3.5%) e da procura de gás (menos 3%). Em resposta a este cenário, e para protegerem os seus investimentos e preservarem o seu grau de competitividade, as empresas do sector têm vindo a tomar diversas medidas de curto e longo prazo, entre as quais se destacam:
- No curto prazo, o sector das Utilities está a adiar ou a cancelar os investimentos estratégicos em infra-estruturas e a desinvestir nos activos;
- A longo prazo, perspectiva-se uma profunda mudança nos modelos de negócio das energéticas.
Apesar de os países da zona euro estarem na vanguarda das questões climáticas a nível mundial, o Estudo refere a necessidade de serem desenvolvidas novas acções no que concerne às alterações climáticas, a fim de garantir o cumprimento dos objectivos traçados para 2020 no âmbito do EU Climate and Energy Package.
De acordo com o European Energy Observatory Report (EEMO), estas tendências precisam de uma nova abordagem no que diz respeito ao sector de Utilities, sobretudo tendo em atenção os fortes investimentos dos últimos anos em aquisições transfronteiras e que provocaram uma diminuição significativa nas vastas reservas do passado. Adicionalmente, a descida dos preços e a queda do consumo (cerca de 5% na electricidade, e 8% no gás, durante o primeiro semestre de 2009, nos principais países europeus) também contribuíram para a redução das receitas e dos rácios do sector, reforçando a percepção do risco financeiro iminente e real.
A Société Générale Global Research & Strategy concluiu que a dívida do sector continuou a aumentar em 2008, tendo a dívida consolidada das 10 maiores empresas europeias registado um aumento na ordem dos 113% entre 2006 e 2008 e atingindo os 213 mil milhões de Euros.
Para recuperar da situação de crise, o sector das Utilities terá que colocar em prática uma série de medidas:
No curto prazo, precisa de recuperar a confiança dos investidores. Muitas empresas europeias de Utilities adiaram os seus investimentos e anunciaram extensos planos de desinvestimento, particularmente em torno das infra-estruturas de rede. Esses activos, com as suas receitas correntes e previsíveis, podem atrair novos tipos de investidores. Além disso, e tal como demonstrado em dois benchmarks efectuados pela Capgemini, muitos dos incumbentes do sector das Utilities têm espaço para melhorar os seus níveis de eficiência operacional e são muitos também os que entretanto lançaram planos de poupança.
No médio prazo, as energéticas terão que se adaptar à nova legislação da União Europeia, incluindo o Climate and Energy Package. Terão que se esforçar mais para atingirem os objectivos de redução das emissões de CO2, promovendo a utilização das energias renováveis e nucleares, e tomando iniciativas a nível da procura com a implementação e disponibilização de novas tecnologias, entre as quais figuram o Smart Metering e o Smart Grids.
A implementação do Smart Metering nos sectores terciário e residencial irá potenciar a redução do consumo de energia, diminuindo os picos do nível da procura de electricidade e melhorar a gestão das redes, bem como o relacionamento com o cliente. As energéticas terão também que definir a sua visão e preparem-se para implementar o Smart Grids; verificando-se que as empresas que mais têm tardado em iniciar estas políticas se estão a dedicar sobretudo à distribuição e gestão centralizada e descentralizada da nova geração de energias, das energias renováveis intermitentes, e aos fluxos multi-direccionais ligados aos clientes que ocasionalmente se tornam produtores, bem como aos programas de gestão de procura e à gestão operacional da rede em tempo real.
No longo prazo, as empresas de Utilities poderão vir a converter-se em consultoras dos seus clientes no âmbito da utilização de energia e da redução de emissões de CO2.

 
Infra-estruturas canceladas ou adiados
A actual crise económica acelerou a queda no consumo e nos preços, levando muitas empresas deste sector a adiar ou até mesmo a cancelar os investimentos previstos e a abrandarem a sua aposta no desenvolvimento das energias renováveis. Aliás, já em 2008, os investimentos nas energias sustentáveis (energias renováveis e eficiência energética) cresceram a um ritmo muito mais lento (2%) do que o verificado ao longo dos cinco anos anteriores, fase em que a Taxa Anual de Crescimento dos Compostos (CAGR) chegou a atingir os 56%. Esta tendência, que já se vinha sentindo, foi enfatizada pela crise, quando os investimentos europeus em energias renováveis diminuíram 14% no segundo semestre de 2008 (em comparação com igual período do ano de 2007) caindo para os 21,2 mil milhões de dólares.
No entanto, muitos dos planos em curso contêm medidas de incentivo ao investimento nestas áreas. Entre estes destacam-se o Plano de investimento votado em Maio deste ano pelo Presidente dos Estados Membros da União Europeia e pelo Parlamento Europeu, que prevê uma linha de investimento no valor de 4 mil milhões de Euros para infra-estruturas de energia. É expectável que os primeiros efeitos deste plano a nível da concretização dos investimentos venham já a ocorrer em 2010.
Graças a estes planos de incentivo registou-se no segundo trimestre de 2009 um movimento de investimentos crescentes no segmento das energias sustentáveis em tecnologias verdes, que se traduziu em algumas importantes fusões e aquisições, responsáveis por movimentarem um montante de 8,8 mil milhões de euros, um valor bastante acima dos 1,1 mil milhões de euros do trimestre anterior.
É expectável que após a crise actual o nível de crescimento da procura, no que toca ao consumo de electricidade e gás, venha a ser inferior ao registado nos anos anteriores, sobretudo por via da forte regulação no que diz respeito à poupança de energia, e às alterações de comportamento dos cidadãos entretanto ocorridas. Em função destas tendências, a Union for the Co-ordination of Transmission of Electricity (UCTE) procedeu a uma revisão em baixa das suas estimativas quanto à produção adicional de electricidade necessária para manter os níveis mínimos de segurança de abastecimento até 2020, tendo estes valores passado dos inicialmente previstos 50.000 Megawatts para os actuais 20.000 Megawatts, e prevê que esses investimentos sejam feitos.
O Estudo pressupõe dois aspectos que nesta fase ainda não podem ser validados: que os investimentos actualmente previstos não serão cancelados e que irão aumentar após a crise.



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