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Decoração: O design de Interiores em ambiente pós-crise
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28/01/10, 01:38
QuartoSala - Projectos Decoração e Design

O Salão Maison et Objet, que acabou de encerrar as portas da sua 16.ª edição em Paris, pode não ser a maior referencia no universo das feiras internacionais de design de Interiores. Pode, no entanto, rivalizar em dimensão com nomes indestronáveis como Milão, Colónia ou Frankfurt.

 

Mas não há dúvidas de que o Maison et Objet se mantém como uma das feiras mais apetecíveis e sedutoras, destacando-se enquanto plataforma de reflexão sobre os novos desígnios do design de Interiores, ao mesmo tempo que oferece o mais amplo leque de opções para quem procura novidade e surpresa.

Se os designers perseguem cada vez mais valores alternativos e uma nova moral que possa conferir coerência às propostas de decoração que colocam em cima da mesa dos seus clientes, então a prova disso está nos números que continuam a confirmar a forte afluência a este evento internacional.

 
Para além de conseguir alargar o número de expositores, o que, por si só, é já um feito nos tempos que correm, a Maison et Objet tem o grande mérito de conseguir colocar o mundo inteiro a falar a mesma linguagem durante os seis dias em que se mantém como foco de interesse do mercado. É uma língua transversal a todas as áreas da decoração presentes no evento, tendo como fio condutor a criação, a novidade e a surpresa em todas as suas manifestações.

 
Nem por acaso, Philippe Starck, o grande homenageado deste ano, colocou a fasquia um pouco mais alto ao convidar dez jovens designers franceses a expor as suas criações em resposta à pergunta: "O que nos faz falta?" Ironicamente, ou não, esta é a pergunta que todos nós fazemos no ambiente de pós-crise que atravessamos, em que os consumidores adquiriram uma nova consciência e debatem-se para encontrar formas de consumo mais justas, ricas e equilibradas.

 
Ao desperdício, ao efémero e à criação sem sentido, estes dez designers respondem com obras que transpiram qualidade e respiram longevidade, preocupações ecológicas e muita poesia.

 
E é interessante ver como a palavra Poesia faz a sua grande entrada no vocabulário do design como um atributo incontornável da criação. É aliás essa a grande lição que Philippe Starck tem conseguido transmitir-nos ao longo de mais de duas décadas de criação intensiva. Ele que, nas suas entrevistas, reclama um quase total desprezo pelo comércio associado ao design de interiores e evidencia o seu desinteresse pelas grandes Mecas do consumo, reclama agora, para si, o papel do grande manipulador de ideias e conceitos que servem de molde inspirador para o objecto, enquanto produto da criação.

 
Se é difícil eleger um astro maior entre estes dez designers emergentes, não podemos deixar de destacar o trabalho do francês Sam Baron, que tudo desenha: desde o sofá para a Zanotta, ao tabuleiro de sushi para a Ligne Roset, e que veio, em 2009, juntar-se ao núcleo de novos designers responsáveis pelo refresh das novas peças que compõem a última colecção da portuguesa Atlantis/Vista Alegre.

 
Esta é uma das provas de que o mercado nacional começa a alargar horizontes, e a ficar permeável às influências trazidas pelos novos representantes do design internacional.

 

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