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A Revolução energética na Alemanha

28/06/12, 00:12

Por Duarte Caro Sousa *  
Depois do referendo aos alemães sobre o encerramento do programa nuclear naquele país, que ocorreu no ano passado, foram estabelecidas duas metas principais. A primeira foi encerrar até 2022 - ou seja, até daqui a 10 anos - toda a atividade de produção de energia nuclear no país, e a segunda foi de ter um mix de produção de energia em 2050 em que 80% terá de vir de origem renovável.

 
Esta verdadeira revolução energética na Alemanha prevê o encerramento de 17 centrais nucleares e estima-se que o investimento necessário a este programa seja entre os 200 mil milhões e 300 mil milhões de euros. Na prática, um pouco mais do que o PIB português e mais do triplo do resgate a que Portugal está a ser sujeito.

A meta dos 80% de energia renováveis em 2050 é uma estratégia de longo prazo a pensar na Alemanha das próximas gerações que, com o fim do nuclear, não quer ficar dependente das fontes fósseis de produção que este país tem de obrigatoriamente importar. E mais, com esta política, o governo alemão impulsiona definitivamente o desenvolvimento da economia verde como forte alavanca de crescimento do país na próxima década.

Para cumprir esta mudança, a Alemanha necessita, dentro de 10 anos, de 35% de energia solar, eólica, hídrica e biomassa para substituir o nuclear. Segundo especialistas, para cumprir estas metas será necessário modernizar 4400 quilómetros de rede, instalar 25 000 MW de eólicas nos mares do Norte e Báltico, construir novas centrais a gás para responder à intermitência das fontes renováveis, continuar na liderança do setor mundial de solar fotovoltaico, desenvolver tecnologia de armazenamento de energia, desmantelar centrais nucleares e armazenar o seu lixo. Paralelamente, será necessário intervir em cerca de 18 milhões de edifícios, com vista a torná-los mais eficientes do ponto de vista do consumo energético.

Este programa é uma verdadeira revolução e um exemplo que, por certo, será seguido por muitos e muitos países. Portugal ainda é reconhecido internacionalmente como um exemplo de sustentabilidade e de aposta em energias renováveis, mas cada vez mais esse rótulo vai desaparecendo. Numa altura em que tanto se discute como vamos crescer, porque não se volta a olhar para a economia verde como "driver" desse mesmo crescimento.

 * duarte.sousa@ikaroshemera.com
Diretor-geral Ikaros-Hemera
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