
13/01/11, 00:37
João Carvalho
Num ano que nasce de um contexto completamente adverso, cheio de duvidas e questões de solvabilidade, crédito e falência, eis que nos surge de um sector carregadíssimo de nuvens negras e de ameaças uma enorme oportunidade; falo, naturalmente, do tema da reabilitação, manutenção e remodelação de imóveis.
Esta oportunidade não é apenas evidente porque chegámos todos à conclusão que não se pode construir mais, é evidente porque terminaram algumas das facilidades de crédito a que os portugueses estavam habituados e porque, (pasmem-se) a par da Roménia somos o país da Europa que menos investe na reabilitação e manutenção de imóveis.
Cultivámos durante anos uma cultura de laxismo e irresponsabilidade sobre o edificado. Este caminho conduziu-nos, infelizmente, à degradação dos CBD (Central Business District), mas trouxe-nos a grande oportunidade com que nos deparamos: reconstruir, reabilitar e manter o nosso parque habitacional. O mercado é imenso, com 5,7 milhões de fogos, segundo o ultimo censos, pelo que o desafio, na minha opinião, tem uma dimensão igualmente gigantesca de um caminho profissional, exigente e rigoroso.
É o tempo de mudança de mentalidade e de processos. Trata-se de um "shift" necessário neste sector, que tem sido dos que mais tem contribuído para os valores de desemprego em Portugal.
As empresas de construção não podem desbaratar esta oportunidade e têm que dar uma resposta clara e concisa ao mercado que agora aparece como único possível nesta área em Portugal. As notícias poderão, por isso, ser boas para as empresas que saibam adaptar-se à mudança.
*franchisador da Melom