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Montepio
Que escolha fazer: risco nuclear ou risco climático?

24/03/11, 00:35
Duarte Sousa

O sismo de 11 de Março abalou muito mais do que apenas o território do Japão. Com o acidente na central nuclear de Fukushima, este terramoto abalou também as convicções da segurança destes monstros produtores de energia, bem como da própria orientação estratégica relativamente ao desenvolvimento e continuidade de políticas energéticas baseadas no nuclear.

 

Desde o sismo, a Alemanha lançou uma moratória de três meses sobre a decisão de 2010 de extensão da mais antiga das suas centrais nucleares; a Suíça confirmou a sua oposição ao nuclear; a China anunciou querer congelar os seus planos de expansão nuclear, enquanto um referendo sobre a energia nuclear é pedida por vários partidos políticos em França.


A Orbeo Societe Generale avaliou num estudo as implicações de abandonar os planos de expansão nuclear que os principais países industrializados desenvolveram nos últimos anos e apresenta três cenários.


Num primeiro cenário, é estimado que os 103 GW adicionais de energia nuclear que já está prevista instalar entre 2011 e 2020 vai permitir evitar a emissão de 160 milhões de toneladas de CO2 por ano durante os próximos dez anos em todo o mundo.


Se a este cenário forem adicionados o congelamento de todo e qualquer projecto de construção de novas centrais nucleares - cenário dois - o estudo aponta para uma redução média de 140 milhões de toneladas adicionais emitidas por ano, nos próximos dez anos.


Um terceiro e mais agressivo cenário é também apresentado e no qual a renovação das centrais nucleares existentes se traduziria em 600 milhões de toneladas de emissões adicionais por ano durante 2010-2020 se essas centrais forem desactivadas quando chegarem o limite de idade.
Assim, mesmo que se consigam grandes avanços tecnológicos na captação e armazenamento de CO2 não deverão ser suficientes para se criar o buffer necessário para a redução extras de emissões de CO2.


Mais, seria ainda necessário o desenvolvimento mais rápido das energias renováveis e uma enorme intensificação dos esforços de eficiência energética para compensar a falta do nuclear.
Confrontados com esta nova realidade, as populações poderão vir a ter de escolher entre o risco da energia nuclear e o risco climático.

 

*Director-geral, Hemera Energy
dsousa@hemeraenergy.com
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